domingo, 21 de dezembro de 2014

Rumo à Cuba pós-embargo

Leonardo Padura
Outras palavras

Milhares de norte-americanos visitarão a ilha, inclusive para tratamentos de saúde. País está pronto? Como a população se prepara?

Por enquanto, o embargo/bloqueio continua em pé, embora não se detenham os preparativos nem se percam as esperanças de ver o fim de algo que, para os cubanos comuns, tem sido um de seus pesadelos mais dilatados no tempo Uma enorme marina, capaz de abrigar umas mil embarcações de recreio, foi construída no extremo da península de Hicacos, de onde domina a praia de Varadero e, graças a ela, o polo turístico mais importante de Cuba, pela quantidade de hotéis e de quartos que possui.

A uns 200 quilómetros a leste do balneário, na baía de Mariel, foi inaugurado um porto para supercargueiros e manuseamento de grandes contentores, em em volta do qual se criou uma “Zona Especial de Desenvolvimento”, na qual espera-se que funcione uma zona franca que abrigará inclusive diversas indústrias.

Enquanto isso, um pouco mais ao norte, na redação do influente The New York Times, quase com uma frequência semanal, foram saindo editoriais – não artigos, mas editoriais – nos quais, de forma direta ou indireta, convincente ou contraditória, o grande tema é a necessidade de que se termine ou se flexibilize o embargo decretado pelos Estados Unidos a Cuba, inclusive convertido em lei desde a década de 1990. A reivindicação ao presidente Barack Obama, para que faça algo a respeito do velho instrumento de pressão criado para acabar com o projeto socialista cubano, tem um argumento fundamental: mais de 50 anos de bloqueio não lograram o objetivo de acabar com o sistema cubano e os norte-americanos deveriam ter o direito de visitar Cuba livremente.

Desde que assumiu a presidência, há seis anos, Obama anulou toda uma série de restrições que impediam relações pessoais e até económicas mais fluidas entre as famílias cubanas localizadas num e noutro lado do Estreito da Flórida, e incrementou-se o número de vistos concedidos aos moradores da ilha. Mas, ao mesmo tempo, durante o seu governo certos instrumentos do embargo (alguns de caráter extraterritorial norte-americano) tornaram-se ainda mais ativos, especialmente no campo das finanças e dos bancos, com multas aplicadas e ameaças, inclusive aos comerciantes chineses, que estão entre os mais próximos a Cuba e entre os mais interessados em explorar as possibilidade que a ilha possa oferecer: agora e amanhã.

No mundo da opinião sobre as relações Cuba-EUA, todos têm suposições a respeito do que está ocorrendo e do que possa ocorrer. Mas as opiniões e especulações não mudam a realidade, muito embora na realidade já se advirtam sinais de que se espera que algo ocorra no processo de descongelamento dos laços comerciais e financeiros entre os dois países, inclusive entre os diplomatas. E, do lado cubano, aí está o porto de Mariel e a sua Zona Especial de Desenvolvimento, mas, sobretudo, os ancoradouros ainda vazios da grande marina construída em Varadero, para receber quem?

Mesmo que o destino final do embargo pareça decretado – não é nada casual esta rajada de editoriais de The New York Times –, o seu desmonte não será fácil para o presidente norte-americano: a decisão final não é só sua, por se tratar de uma lei do país. Mas, dentro desse marco legal, se são suas determinadas prerrogativas que poderiam retirar alguns dos tijolos do muro, e por isso quase todos os analistas concordam que o primeiro passo poderia ser, precisamente, a retirada da proibição de viajar a Cuba que pesa sobre os cidadãos dos Estados Unidos – além de outras muito agressivas como a inclusão de Cuba na lista dos países promotores do terrorismo.

A partir do momento que essa decisão seja adotada por Obama, o fluxo de norte-americanos que viajem a Cuba por desejo, curiosidade e até doença deverá contar-se em milhões. Além de toda a carga histórica, cultural e política que moveria essa avalanche, está o facto certo de que Cuba é, sem dúvida, o país mais seguro da América Latina para qualquer visitante e este é um valor turístico dos mais apreciados.

E Cuba está realmente preparada para um movimento assim? Nas últimas duas décadas o desenvolvimento das instalações turísticas cubanas foi exponencial quanto à quantidade de quartos e opções. Mas, ao mesmo tempo, a qualidade da oferta turística da ilha ainda está muito distante da que oferecem outros países da região e do que costumam exigir os norte-americanos (entre outras razões pelos 10-15% que como gorjeta adicionam ao pagamento dos serviços que recebem). E o problema não está no fator humano, pois o empregado de turismo cubano é, possivelmente, um dos mais instruídos do mundo, já que muitos profissionais emigraram para este setor atraídos pelos ganhos individuais que se mostram, sem dúvida, maiores que os oferecidos pelos salários oficiais cubanos. O cerne da questão parece estar na qualidade do material: alimentos, bebidas, comodidades (ar condicionado, elevadores, etc.) que muitas vezes estão muito abaixo dos padrões admissíveis.

Mas, como um exército silencioso, também o setor privado cubano, especialmente o relacionado com a gastronomia e a hospedagem, parece preparar-se para a possível avalanche. Por isso, nos lugares privilegiados de cidades como Havana crescem e se multiplicam restaurantes que, claramente, não estão projetados para os consumidores cubanos – em primeiro lugar em virtude de seus preços e, a olhos vistos, pelos investimentos que seus proprietários neles realizaram. Ao mesmo tempo preparam-se e abrem-se albergues ou apartamentos para aluguer. Esperam realizar a sua grande colheita com uma multiplicação do número de visitantes a Cuba, que poderia ser provocada pela retirada das restrições norte-americanas às viagens de seus cidadãos.

Todos estes preparativos, todos estes editoriais, todas as reivindicações históricas do governo cubano e até da comunidade internacional terão afinal uma recompensa? O ar que se respira parece dizer que sim. O silêncio presidencial norte-americano – um governo que enfrenta outros muitos e bem complexos desafios – alimenta a dúvida. Por enquanto, o embargo/bloqueio continua em pé, embora não se detenham os preparativos nem se percam as esperanças de ver o fim de algo que, para os cubanos comuns, tem sido um de seus pesadelos mais dilatados no tempo.

domingo, 23 de novembro de 2014

Colômbia e seu instável e delicado equilíbrio

Eric Nepomuceno
Carta Maior

Nunca antes qualquer tentativa de se chegar a um acordo de paz entre governo e guerrilha chegou tão longe – e, portanto, tão perto de uma solução – como o diálogo iniciado pelo presidente Juan Manuel Santos e o alto comando das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC, há dois anos. E de repente, tudo pareceu, uma vez mais, ir a pique: na tarde do domingo 16 de novembro, o general Rubén Darío Alzate Mora foi seqüestrado, na companhia de um cabo do Exército e de uma advogada, num povoado perdido nas margens do rio Atrato, nos confins da selva, região onde atuam tanto as FARC como remanescentes de outro grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação Nacional (ELN), e várias quadrilhas de traficantes de droga.

Assim que se soube do seqüestro, Juan Manuel Santos anunciou a imediata suspensão das conversas de paz que se realizam em Havana. E sugiram perguntas que não tiveram resposta. A primeira delas: por que o experiente general com nome de poeta se aventurou numa região sabidamente de alto risco vestido em roupas civis, desarmado, e sem um esquema mínimo de segurança? A segunda: por que razão, em pleno e tenso diálogo buscando a paz, as FARC fariam tamanho desafio?

Poucos dias depois a guerrilha admitiu que o general – o primeiro militar de tal patente a ser seqüestrado em meio século de guerra civil – estava em seu poder. O que não se sabe, e certamente levará muito tempo até que se saiba, é como uma guerrilha que atua sempre de maneira tão rigorosamente disciplinada resolveu, justo agora, seqüestrar um general. Pode ser que não soubessem de quem se tratava, pode ser que tenha sido uma ação voluntariosa de um grupo desorientado, pode ser que quisessem pressionar de maneira contundente o governo, pode ter sido qualquer coisa. Mas algo é certo: tudo que foi alcançado até agora nas conversas de paz esteve por um fio.

Passada uma semana, as FARC anunciaram haver entregue ao governo as coordenadas indicando o local onde o general, seus acompanhantes e outros militares em seu poder serão entregues. Concluída a ação, o incidente – muito sério, por certo – terá terminado. Mas deixa claro, seja do ponto de vista que for, o instável e delicado equilíbrio que cercou e cerca as conversas e negociações, e projeta dúvidas e questões sobre o que acontecerá quando – e se – for alcançado um acordo final.

Até agora, chegou-se a um consenso sobre três dos seis pontos da agenda de negociações entre guerrilha e governo. O primeiro deles se refere à reforma agrária. O segundo, à participação de guerrilheiros desmobilizados na vida política do país. Eles poderão inclusive formar um partido nos moldes convencionais e disputar eleições. O terceiro trata da questão do narcotráfico, e determina a implantação de um programa especial para que os atuais cultivos usados para a produção de drogas sejam substituídos.

Tanto a questão da reforma agrária como da reinserção dos guerrilheiros na vida política do país eram consideradas decisivas. Restam, porém, três outros pontos, dos quais dois são especialmente delicados. O primeiro deles se refere à determinação de um processo paralelo e coincidente para que o desarmamento da guerrilha ocorra ao mesmo tempo em que se reestrutura as Forças Armadas do país. Ao mesmo tempo, seriam suspensos os processos judiciais contra a guerrilha que estão em andamento.

O segundo é igualmente complexo: como definir quem pode ser considerado vítima da violência, e qual tipo de reparação será aplicado? Para encerrar o processo, está prevista a realização de um referendo nacional, que aprovará – ou não – o acordo alcançado.

Falta muito caminho a ser percorrido, e ele é todo difícil. Por exemplo: pesquisas recentes indicam que a imensa maioria da opinião pública é contrária a uma anistia aos guerrilheiros. Isso significa que mesmo que se chegue a um acordo satisfatório para os dois lados, ele pode ser recusado pela maioria do eleitorado. É inegável que se trata de um quadro complicado e ainda obscuro. Mas também é inegável que nunca antes se havia chegado tão perto de alcançar alguma luz.

Apesar da tensa expectativa e da dificuldade de se manter algo mais que um otimismo apenas relativo, há indícios de que se aposta forte na possibilidade de chegar a bom porto. Agora mesmo, o governo de Juan Manuel Santos começa a projetar cálculos referentes aos custos que o governo terá de enfrentar para aplicar todos os pontos do acordo. Calcula-se, por exemplo, quanto será necessário para implantar a reforma agrária, a recuperação social das populações rurais afetadas pela violência, a implantação de serviços elementares de educação e saúde. E também quanto será requerido pela recuperação ambiental de vastas zonas de florestas.

Ou seja: há quem planeje um futuro que será, se não de paz total, pelo menos de uma normalidade que o país ignora há meio século. Do lado da guerrilha, também se notam sinais de esforço para que o acordo seja alcançado. Não há como apressar um processo necessariamente intrincado e complexo, mas os negociadores das FARC têm deixado clara sua disposição de serem flexíveis.

Isso tudo foi posto em risco na tarde de um domingo, quando um general resolveu fazer uma viagem de barco que ninguém consegue entender. Para onde ia, sem escolta, sem segurança alguma? Fazer o quê? Por que não ouviu os alertas do próprio barqueiro que o conduzia? As respostas virão com o tempo. E, quanto antes, melhor.

sábado, 8 de novembro de 2014

Crimen de normalistas: Falla del Estado

Editorial
La Jornada

A 43 días de ocurrido el asesinato de tres estudiantes de la escuela normal rural de Ayotzinapa y el secuestro de otros 43, el procurador general de la República, Jesús Murillo Karam, presentó, en una conferencia de prensa, el relato de una operación de extermino perpetrada en las mismas fechas –26 y 27 de septiembre–, no como conclusión de la pesquisa correspondiente sino como un avance de ella, ya que la dependencia a su cargo no ha podido obtener la certeza científica de que los asesinados sean los estudiantes capturados esa noche en Iguala.

Las declaraciones del funcionario suscitaron el inmediato rechazo de los familiares de los 43 desaparecidos, quienes lo acusaron de querer dar carpetazo a la investigación, no aportar pruebas irrefutables, no recurrir a instrumentos tecnológicos adecuados, no haber acordado aún la asistencia técnica de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos en la pesquisa y no haber esperado los resultados, aún pendientes, encargados al equipo de forenses argentinos que colaboran en la investigación y en quienes los familiares han depositado su confianza. Asimismo, criticaron la forma en que la Procuraduría General de la República (PGR) ha ido presentando tramos de investigación y las múltiples filtraciones y versiones sin confirmar que han circulado, las cuales, dijeron, son una forma descarada de torturar a los padres de familia. Por su parte, Amnistía Internacional (AI) objetó la investigación oficial por limitada e incompleta y señaló que el gobierno ha sido incapaz, hasta ahora, de admitir que la barbarie de Iguala fue un crimen de Estado. La desaparición forzada de los estudiantes es sólo el último de una larga serie de horrores (...) en Guerrero y el resto del país. La corrupción y la violencia como señales de advertencia han estado allí para que todos las vean desde hace años y los que negligentemente las han ignorado son ellos mismos cómplices de esta tragedia, acusó Erika Guevara Rosas, directora regional del organismo humanitario.

No son el descontrol delictivo, la inseguridad y la corrupción los únicos elementos que confluyen en los hechos de Iguala. Antes de ellos se encuentra un modelo económico que ha devaluado a la población del país, ha marginado y menospreciado sistemáticamente al campo y a la educación pública y que, en consecuencia, ha visto a las normales rurales como un obstáculo a la plena implantación del modelo neoliberal en el país y a los normalistas como elementos antisociales. Durante muchos años, el discurso oficial y los medios afines al régimen han satanizado en forma sistemática a las normales rurales y las han presentado como escuelas de guerrilleros y refugios de malvivientes. Ello, sumado a la virtual concesión a la delincuencia de regiones enteras por parte de autoridades municipales, estatales y federales, ha creado el entorno en el que ocurrió la barbarie.

La responsabilidad a la que se refiere AI tiene un componente adicional: desde hace muchos meses, tanto el gobierno de Guerrero como la Secretaría de Gobernación federal y la propia PGR tuvieron conocimiento de la conducta criminal del ex presidente municipal de Iguala, José Luis Abarca Velázquez, y no hicieron nada. También la cúpula de Nueva Izquierda, la corriente que controla el Partido de la Revolución Democrática, al que pertenecía Abarca, tuvo la información correspondiente y optó por callar.

La noche de la agresión, tanto los mandos estatales de Chilpancingo como los federales fueron informados de lo que ocurría y no intervinieron para impedirlo o atenuarlo. Ya cometidas las atrocidades, el Ejecutivo estatal emprendió acciones erráticas y absurdas para localizar a los desaparecidos, en tanto que el Ejecutivo federal dejó pasar más de una semana antes de rendirse a la evidencia de que estaba en la obligación de intervenir. Y en el mes transcurrido desde que intervino, con más de 70 detenidos y después de espectaculares despliegues de búsqueda, no ha sido capaz de explicar cabalmente ni de manera irrefutable por qué fueron asesinados tres estudiantes ni por qué se encuentran desaparecidos otros 43 y cuál es su paradero.

En suma, lo que Murillo Karam presentó como una investigación bastante exitosa en un plazo razonable resulta, a ojos de la opinión pública nacional e internacional, una prueba de extremada ineficiencia y de exasperante insensibilidad. El procurador afirmó que Iguala no es el Estado, pero lo ocurrido en esa localidad guerrerense y sus secuelas muestran de manera inequívoca que el Estado falló, que sigue fallando y que no hay a la vista propósito de enmienda.

sábado, 1 de novembro de 2014

Suecia reconoce a Palestina como Estado independiente

Agencias

El gobierno de Suecia reconoció hoy a Palestina como Estado independiente, y se convirtió en el primer país de la Unión Europea (UE) en adoptar esta decisión. Un total de 135 países ya reconocen a Palestina, incluidas varias naciones de Europa oriental que lo hicieron antes de unirse al bloque comunitario europeo. La UE dijo luego del anuncio sueco, que el objetivo del bloque es alcanzar una solución con un Estado palestino independiente al lado de Israel. El presidente palestino, Mahmoud Abbas, saludó la medida adoptada por Suecia, que Israel calificó de deplorable.

Nuestro gobierno considera que los criterios del derecho internacional para el reconocimiento del Estado de Palestina se cumplen: un territorio que, pese a no tener fronteras fijas, cuenta con una población y un gobierno, explicó la ministra del Exterior sueca, Margot Wallström. Agregó que con esta decisión el gobierno socialdemócrata que asumió a principios de mes cumple una promesa. La decisión llega en un momento crítico, dado que las conversaciones de paz se estancaron durante el último año, así como la decisión sobre nuevas colonias en tierra palestina ocupada, lo que han complicado la solución a dos estados.

Abbas calificó la decisión de valiente e histórica y pidió a los gobiernos del mundo que sigan el ejemplo de Suecia”, en tanto que Israel llamó a consultas a su embajador en Estocolmo. Es una decisión lamentable que fortalece a los elementos extremistas y la política palestina de rechazo, dijo el canciller israelí, Avigdor Lieberman. Horas antes, la muerte a manos de la policía israelí de un palestino acusado de haber agredido a un activista israelí ultranacionalista desató nuevos episodios de violencia en Jerusalén, que obligaron a las autoridades a cerrar por unas horas lo que para los musulmanes es la Explanada de las Mezquitas, o el Monte del Templo para los judíos, con la finalidad de evitar disturbios.

El palestino, Mutaz Hijari, identificado por el ala armada de Yihad Islámica, las Brigadas de Al Quds, como uno de sus miembros, era acusado de haber disparado y dejar herido al activista Jeduha Glick, quien encabeza una campaña para que se permita a los judíos rezar y celebrar oficios en el complejo de la mezquita y no sólo en la zona del Muro de los Lamentos. El primer ministro iraelí, Benjamin Netanyahu, ordenó el despliegue de refuerzos de la policía en la ciudad vieja de Jerusalén, donde se ubica la Explanada de las Mezquitas. Abbas señaló que las acciones de Israel en Jerusalén equivalen a una declaración de guerra contra el pueblo palestino y sus lugares sagrados, así como contra las naciones árabes e islámicas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

La psicología de masas del fascismo: ¿Cómo llegó Hitler al poder?

Michael Neudecker
El País

¿Cómo es posible que en Alemania, el país con el movimiento obrero más organizado de Europa, millones de trabajadores apoyaran a Adolfo Hitler a pesar de su carácter reaccionario? Una respuesta interesante pero controvertida a esta pregunta la ofreció Wilhelm Reich en su libro “La psicología de masas del fascismo”: el apoyo masivo al nazismo habría sido consecuencia de la represión sexual propia de un modelo de familia autoritario muy extendido entre las clases medias y entre gran parte de los trabajadores. La represión de los instintos sexuales más profundos y desde la más tierna infancia habría creado individuos con grandes carencias y frustraciones que habrían tratado de compensar participando en un movimiento autoritario y obedeciendo a un líder que reproducía a nivel político esas mismas estructuras autoritarias de la familia.

Wilhelm Reich fue un autor muy polémico en su época. Sociólogo, psicoanalista y comunista austriaco (expulsado del partido por “heterodoxo”), vio la llegada de Hitler al poder en Alemania en 1933. Ese año escribió su obra “La psicología de masas del fascismo” para tratar de dar una respuesta a la pregunta que en ese momento se hacían en la izquierda europea: ¿Cómo es posible que millones de trabajadores alemanes, el movimiento obrero más grande y mejor organizado de Europa, no impidieran e incluso apoyaran al fascismo a pesar de tratarse de una ideología reaccionaria que trabajaba en contra de sus intereses como clase social? Y también, ¿cómo es posible que millones de ciudadanos alemanes de clase media aceptaran la muerte de la democracia y el triunfo de un sistema que les perjudicaba en sus aspiraciones individuales, tanto económicas como políticas?

Reich explicó que según el dogma imperante entre los autores marxistas en los años 30, a los que calificó como “vulgares”, eran las condiciones económicas las que determinaban la conciencia de clase y por lo tanto la acción política de las masas. Según este planteamiento, no habría otra fuerza más poderosa que la realidad económica para mover a los individuos hacia una determinada ideología política que debería corresponder a sus intereses. Es decir, en teoría, durante la crisis económica que azotó el mundo a partir de 1929, las masas deberían haber apoyado a las izquierdas porque solamente éstas defendían sus intereses frente a la explotación capitalista despiadada, y los nazis deberían haber carecido casi de de seguidores entre los obreros y las clases medias en peligro por la crisis porque “su esencia se presentaba como la expresión más extrema de la reacción política y económica”.

Sin embargo, la realidad tomó un rumbo muy diferente. Como explicó el autor, “la crisis económica, que hubiera debido imprimir un impulso hacia la izquierda a la ideología de las masas, inició de hecho un deslizamiento hacia la derecha que se apoderó de todas las capas proletarias de la población”. Reich fue incluso más lejos y aseguró que “fueron precisamente las masas empobrecidas las que ayudaron a la instalación en el poder del fascismo, es decir, a la reacción política más despiadada”. ¿Por qué?

¿Por qué se equivocaron los partidos de izquierda?

Reich criticó que el análisis de sus compañeros marxistas no tuviera en cuenta otra variable más poderosa a la hora de predecir el comportamiento político del individuo que no fueran las condiciones económicas. Para Reich, lo que faltaba en el análisis marxista eran las condiciones subjetivas, las fuerzas que anidan en el interior de la personalidad de cada individuo y que pueden incluso ser más poderosas que las condiciones objetivas de su entorno. Reich se refería a la estructura psíquica de cada individuo, que tiene su expresión política en la psicología de las masas.

Según Reich, los partidos de izquierda habrían fracasado ante Hitler porque no supieron trabajar las condiciones subjetivas de los obreros alemanes, mientras que los nazis sí supieron conectar y movilizar la estructura psíquica del proletariado y las clases medias mediante una propaganda muy eficaz. En este sentido, Reich explicó que “la ideología de cada formación social no solamente tiene como función reflejar el proceso económico, sino también enraizarlo en las estructuras psíquicas de los hombres de esa sociedad”. Es decir, mientras que los partidos de izquierda hablaron durante la crisis de la lucha de clases con un éxito moderado entre los obreros, Hitler habló de otros asuntos que conectaban mejor con la mayoría de la población.

¿Cómo fue eso posible? Porque el mensaje de Hitler era absolutamente “irracional” y por ello consiguió un apoyo igualmente totalmente irracional que nada tenía que ver con las causas “objetivas” de los autores marxistas. El movimiento nazi tenía un fuerte componente emocional “que no se sostiene con argumentos racionales”.

El control de las ideas

Reich explicó que la conciencia colectiva no avanza a la misma velocidad que los acontecimientos, por ejemplo una crisis económica: “La situación económica no se traslada inmediata y directamente a la conciencia política”. Existen una serie de controles que impiden esperar una reacción inmediata y explosiva por parte de las clases explotadas contra su situación y el principal control es el ejercido sobre las ideas. En este sentido, Wilhelm Reich citó a Karl Marx para explicar que “las ideas de la clase dominante son también las ideas dominantes de cada época”. Es decir, es posible mantener bajo control a una mayoría sumisa que acepta la explotación y la dominación gracias al control de las ideas.

Pero no se trata de una simple manipulación mediática y del mensaje. Es mucho más profunda. Según Reich se articula a través de la familia, en concreto del concepto de la familia dominante que reproduce a escala doméstica las relaciones de poder y dominación del Estado sobre los individuos: “La familia autoritaria representa la célula productiva más inmediata y la más importante del pensamiento reaccionario: constituye la fábrica de la ideología y de la estructura reaccionarias”, explicó el autor.

En concreto, Reich aseguró que la dominación comienza en los primeros años de vida del individuo con la represión de los instintos sexuales del niño y adolescente, aplicando la prohibición, los castigos y el remordimiento. Se trata de una técnica muy eficaz porque “la inhibición sexual es el medio de ligar al individuo con la familia”. El objetivo de esa unión sería convertir “el lazo biológico del niño con su madre y el de la madre con los niños en una fijación sexual indisoluble y en una falta de aptitud para contraer otros vínculos. El vínculo del niño con su madre es el núcleo de la unión familiar”. Una vez pasa el tiempo y los niños se convierten en adultos, esa unión con la familia se traslada al Estado, ya que “las representaciones de patria y de nación son, en su núcleo subjetivo emocional, representaciones de la madre y de la familia”.

Según este análisis, la familia reproduciría a pequeña escala a la nación y representaría a la patria, con la que se formarían unos lazos de lealtad que impedirían cualquier actitud hostil hacia el poder estatal. En otras palabras, según Reich el miedo a la libertad sexual sería el principal obstáculo para la revolución contra la explotación económica y contra las clases dominantes, y la mejor vía para apoyar las opciones políticas reaccionarias que reproducen las relaciones de poder que se dan en las familias autoritarias.

La clase media, el principal apoyo de Hitler

La familia era la base de la estructura social de las clases medias porque proporcionaba la ayuda económica y era la base de la existencia de los pequeños y medianos negocios, ya que a diferencia del gran capital que explota a los obreros, “la clase media se explota a sí misma” (empleando a familiares en el negocio, manteniendo a la mujer en el hogar, etc). A su vez, esta explotación familiar se basaba en una estructura patriarcal con una fuerte represión sexual, lo que reproducía en la familia la dominación del poder estatal: “La posición del padre en el Estado y en la economía se refleja en su actitud patriarcal con respecto al resto de la familia. El padre representa en la familia al Estado autoritario, de donde el padre se convierte en el más precioso instrumento del poder estatal”, afirmó Reich.

Esa posición autoritaria del padre facilitó el acceso del nazismo a las clases medias, según Reich, ya que el liderazgo carismático de Hitler representaba a ese padre autoritario. Hitler encarnaba a la nación y la relación de la masa era emocionalmente individual: es decir, cada uno de sus seguidores creía tener una relación individual con Hitler y sentía una confianza infantil hacia Hitler, una actitud provocada desde la infancia por la familia autoritaria que extirpaba cualquier tipo de iniciativa independiente: “Cuanto más ha perdido el individuo, a consecuencia de su educación, su sentido de la independencia, tanto más se manifiesta la necesidad infantil de apoyo por la identificación afectiva con el führer. (…) El pequeño burgués reaccionario se descubre a sí mismo en el führer, en el Estado autoritario; en razón de esa identificación se siente defensor de la nacionalidad”, escribió Reich.

La clase media fue, con diferencia, la que mayor apoyo prestó a los nazis en su camino hacia el poder (“El grueso de las tropas de la cruz gamada fueron las clases medias”). La familia autoritaria creó el marco para que el mensaje de Hitler fuera bien recibido en esa clase social. Pero, ¿cuál era ese mensaje?

El mensaje de Hitler: la lucha contra el sistema a favor del sistema

El propio Partido Nazi tenía un origen pequeño burgués y el componente emocional del mensaje del nazismo funcionó porque, según Reich, coincidía con las estructuras de esta capa social: “En lo esencial el origen pequeño burgués de sus ideas coincidía con las estructuras de las masas, dispuestas a darles la mejor acogida”. Es decir, el mensaje del nazismo se acoplaba como un guante a las clases medias. ¿Por qué?

Las clases medias vivían atemorizadas por la expansión del gran capital que amenazaban con destruir su modo de vida. El pequeño comercio se arriesgaba a ser absorbido por las grandes empresas en las ciudades y las pequeñas propiedades campesinas estaban amenazadas por los grandes latifundios en el campo. Temían perder su estatus social y acabar “degradadas” a clase obrera, hacia la que sentían una mezcla de temor y desprecio. Las clases medias vieron en el nazismo una oportunidad de enfrentarse a sus dos miedos, el gran capital y la clase obrera, y a tener una expresión política propia: “Las clases medias se pusieron en movimiento y, bajo el disfraz del fascismo, efectuaron su entrada en la escena política como fuerza social”, escribió Reich.

Las clases medias interpretaron su apoyo a los nazis como “una lucha contra el sistema, y por tal entendía el régimen marxista de la socialdemocracia”. Pero también sentían un violento rechazo al gran capital. Como escribió Reich: “Nunca hubiera podido ganar Hitler para su causa a las clases medias si no hubiera prometido iniciar la lucha contra el gran capital”. Precisamente el gran capital era un aliado fundamental para los nazis y su objetivo fundamental de acabar con las fuerzas de izquierda, según Reich, por lo que obligatoriamente existió una contradicción con las aspiraciones de las clases medias de realizar la “revolución nacional”.

Esa contradicción fue superada con éxito por Hitler porque conectó con esta clase social en su aspecto más íntimo, según Reich: “El estudio de la eficacia psicológica de Hitler sobre las masas debía partir de la idea de que un führer o representante de una idea, no podía tener éxito más que si sus conceptos personales, su ideología o su programa se encontraban en armonía con la estructura media de una amplia capa de individuos integrados en una masa”. Es decir, Hitler contó con la ayuda de la estructura de la familia autoritaria para imponer un mensaje altamente irracional y emocional entre la clase media que “olvidó” sus aspiraciones revolucionarias contra el gran capital guiados por un liderazgo carismático y autoritario.

Los obreros, también con Hitler

Pero las masas que llevaron al movimiento nazi al poder no provenían solamente de las clases medias, ya que solamente con ellas no era suficiente alcanzar una mayoría decisiva en las sociedades de los años 30. Como ya se ha señalado, un número muy considerable de trabajadores, incluso muchos organizados en el movimiento obrero, apoyaron a los nazis a pesar de que representaban supuestamente justo lo contrario de sus intereses objetivos. Según Reich, lo hicieron porque “se aburguesaron”, es decir, adoptaron una conciencia de clase media y con ella adoptaron las mismas estructuras que permitieron calar el mensaje nazi.

A diferencia del proletariado en época de Marx y Engels a mediados y finales del S.XIX cuando los obreros sufrían unas condiciones de vida miserables, en los años 30 del S. XX, los obreros (los alemanes, sobre todo), disfrutaban de unas condiciones de vida mucho mejores, lo que les habría alejado de su motivación revolucionaria y les habría acercado emocionalmente a las clases medias. Los obreros habrían adoptado así los modelos pequeño-burgueses de familia autoritaria, facilitando el acceso de la ideología nazi a un grupo social en el que, según los analistas marxistas de la época, no debería haber tenido cabida.

Hitler pudo contar así con el apoyo masivo de la clase media y con una amplia capa de la clase trabajadora porque en ambas funcionaba la estructura de la familia autoritaria. Por lo tanto, y a modo de conclusión, Reich explicó que para combatir a las ideologías reaccionarias no hay que apostar por un discurso basado en la realidad “objetiva”, sino adentrarse en la estructura psíquica de cada individuo que no tiene por qué coincidir con la realidad que le rodea. Por todo ello, la única manera de atacar a las fuerzas reaccionarias y conseguir que triunfe la revolución, es atacando el concepto de familia autoritaria y la represión sexual de sus miembros.

El poder de lo irracional

“La psicología de masas del fascimo” de Wilhelm Reich es una teoría heterodoxa que analiza la causa del apoyo masivo a una ideología extremista, irracional y violenta por parte de una sociedad moderna y educada. Reich despertó una importante polémica con este libro, que cuenta con muchos detractores y también con muchas opiniones favorables abriendo un debate todavía sin fin.

Hoy es difícilmente aplicable, al menos al pie de la letra. El mundo, al menos en Occidente, se ha transformado de manera decisiva en algunos de los aspectos clave de su teoría. Por ejemplo, el concepto de familia autoritaria ya no existe en las sociedades europeas actuales de la misma manera como en los años 30 del S. XX. Sin embargo, más de ocho décadas después, esta obra de Wilhelm Reich contiene unos elementos interesantes de reflexión acerca de cómo millones de personas guiaron su comportamiento político por lo emocional y lo irracional en una época de crisis.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Pobreza, cambio climático y guerras ambientales

Enric Llopis
Rebelión

El cambio climático, la disminución en la producción de alimentos o en la disponibilidad de agua dulce, las migraciones forzadas, las inundaciones o el riesgo de desertificación conducen a un aumento de los conflictos, calificados como “ambientales”. Las guerras ambientales se han convertido en una categoría específica de análisis. El discurso de Obama en la Academia Militar de West Point (mayo de 2014) relacionaba el cambio climático con la seguridad nacional. Gran Bretaña también abordaba la cuestión en el documento “Tendencias y Estrategias Globales (2007-2036)”. Libros como “Batallas constantes”, del arqueólogo Steve LeBlanc; “Guerras climáticas. Por qué mataremos (y nos matarán) en el siglo XXI”, de Harald Welzer; o “Los conflictos sociales del cambio climático”, de Pablo Cotarelo ahondan en el asunto.

Señala el Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente (PNUMA) que en los últimos 60 años al menos el 40% de los conflictos internos mantienen relación con la explotación de los recursos naturales. Por un lado, porque se consideran de alto valor: madera, diamantes, oro o petróleo; pero también por considerarse escasos, como la tierra fértil y el agua. “Cuando se trata de conflictos relativos a los recursos naturales, se duplica el riesgo de recaer en el conflicto”, agrega Naciones Unidas.

El paradigma de estos conflictos es de Dahrfur (oeste de Sudán), que estalló en 2003 después de que se pudiera constatar un aumento demográfico, procesos de degradación y erosión del suelo, sequía y disminución de la producción agrícola y de pastos. El secretario general de Naciones Unidas, Ban Ki-Moon, consideró que el conflicto de Dahrfur comenzó con una crisis ecológica y, parcialmente, derivada del cambio climático. A ello se agregaron otros factores, como la pugna por las tierras entre pastores y agricultores, atravesada por diferencias étnicas. “La de Dahrfur se considera la primera guerra climática”, ha afirmado el miembro del Centro de Investigación sobre Desertificación CIDE-CSIC, José Luis Rubio Delgado, en un acto organizado en la Universitat de València por la Asociación Medio Ambiente y Cambio Climático (AMA).

“Dahrfur es el ejemplo de cómo las personas, cuándo se encuentran sin medios de subsistencia, pueden recurrir a la violencia y a situaciones de genocidio”, ha agregado. El resultado, 2,4 millones de desplazados y entre 200.000 y 500.000 muertos. Otro ejemplo es el de Ruanda. Aunque de origen complejo, la guerra respondió en buena medida a la escasez de tierras y la inequidad en el acceso a la misma. En el año 1994, en sólo tres semanas, los Hutus (minoría étnica de agricultores) causaron la muerte (genocidio) de 800.000 tutsis. En Somalia, una guerra larvada en el tiempo precipitó en el periodo 2006-2009 por factores como la escasez y degradación de recursos básicos, como la tierra. Situaciones parecidas pueden visualizarse en Nigeria, Egipto, Mali o Kenia y, recientemente, en Sudán del Sur. “Ésta es una realidad permanente en el continente africano, que probablemente se incrementará”, afirma Rubio Delgado.

Procesos parecidos, con causas similares, contribuyeron al estallido de las “primaveras árabes” (Túnez, Egipto, Libia, Yemen o Siria). En el origen de estas revueltas también puede identificarse la degradación y falta de recursos, así como la incapacidad para absorber una creciente mano de obra. El fenómeno puede observarse a una escala global. El Instituto para la Investigación de los conflictos internacionales de Heildeberg (Alemania) señala que, de los 365 conflictos observados en el planeta en 2009, 31 fueron calificados como “altamente violentos”; a 7 conflictos de “alta intensidad” se les denominó “guerras”. Otro comité científico alemán apunta que desde 1945 hasta hoy, se han producido 61 conflictos ambientales en el planeta por la degradación de recursos como agua, tierra, suelo o biodiversidad.

Múltiples factores convergen para la proliferación de guerras ambientales. En los últimos años, países como China, India, Japón, Corea del Sur o Arabia Saudí, entre otros, han adquirido en África, en los últimos años, 67 millones de hectáreas de tierra. “Se compran tierras fértiles para anticiparse a una eventual escasez de alimentos”, apunta José Luis Rubio. Además, una proporción importante de las zonas agrícolas del planeta se dedican a la producción de alimentos para el ganado, es decir, “más carne para las sociedades opulentas”, señala el miembro del CIDE-CSIC, o a los agrocombustibles. Proliferan, asimismo, los cultivos industriales, como palma aceitera, caucho, celulosa o maderas de exportación. En conclusión, África pasó de ser autosuficiente en 1970 a importar en la actualidad el 25% de los alimentos.

Uno de los factores que explican los conflictos ambientales es el riesgo de desertificación. Hace unos años, Rubio Delgado ya apuntaba en la revista Métode que el 40% de la superficie terrestre está amenazado por este motivo. Además, el 17 de junio Naciones Unidas informó, con motivo del día mundial contra la desertificación, que cerca de 1.500 millones de personas en todo el mundo viven en tierras en proceso de degradación, y casi el 50% de los habitantes más pobres del planeta –un 42%- viven en zonas ya degradadas. En relación con posibles conflictos, “la degradación de las tierras convierte a estos lugares en los más inseguros del mundo; en algunos casos, esta inseguridad puede llegar a desestabilizar regiones enteras”, indica Naciones Unidas. Se calcula que en 2020 unos 60 millones de personas emigrarán desde las zonas desertificadas del África Subsahariana hacia África del Norte y Europa.

Las cifras prueban de manera palmaria el nexo entre agricultura, desertificación y pobreza. Según los datos de la Convención de las Naciones Unidas de lucha contra la desertificación, 2.600 millones de personas viven de la agricultura en el planeta. A causa de la sequía y los procesos de desertificación, cada año se pierden 12 millones de hectáreas –a razón de 23 por minuto-, en las que podrían haberse producido 23 millones de hectáreas de cereales.

El cambio climático, pese a las contadísimas voces que se abonan al negacionismo, es uno de los elementos que más contribuirá a las nuevas guerras. Numerosos informes y estudios científicos avalan las modificaciones en el clima, pero en perspectiva hay algunos que resultan demoledores: las emisiones mundiales de efecto invernadero generadas por la actividad humana han ido en aumento desde la época preindustrial, con un incremento del 70% entre 1970 y 2004. Este incremento tiene su origen, sobre todo, en el suministro de energía, el transporte y la industria.

Este mes de octubre Naciones Unidas ha celebrado en Corea del Sur la Cumbre Mundial de la Biodiversidad, en un contexto bien elocuente: el 70% de los pobres del mundo viven en zonas rurales y dependen directamente de la biodiversidad para sobrevivir; además, la variedad y abundancia de especies se ha reducido en un 40% entre los años 1970 y 2000. Todo ello en medio de un consumo “insostenible” que continúa y lleva a que la demanda de recursos en todo el mundo exceda la capacidad biológica de la tierra en un 20%.

En las guerras ambientales intervienen factores muy diversos, pero una mirada más amplia obliga a incluir las causas estructurales: las desigualdades entre el Norte y el Sur, entre el Centro y la Periferia. La Cumbre Mundial sobre Seguridad Alimentaria celebrada en Roma (2009) dejó claro que bastaría con dedicar 30.000 millones de euros anuales al desarrollo agrícola para combatir el hambre en el mundo. Mientras, según la FAO, alrededor de un tercio de la producción de alimentos destinados al consumo humano se pierden o desperdician en el conjunto del planeta. Si se recuperara la mitad de aquello que se pierde o desperdicia, podría alimentarse al conjunto de la población mundial. La comparación puede formularse en diferentes términos, pero en todos los casos resulta inasumible: en el mundo –según la FAO- se desperdician alimentos por valor de 565.348 millones de euros (sin contar el pescado y el marisco), mientras 870 millones de personas pasan hambre todos los años.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

EEUU destruye sus propias armas, ahora en manos enemigas

Thalif Deen
IPS

Cuando Estado Islámico (EI) capturó las armas estadounidenses que soldados iraquíes abandonaron en su huida ante la avanzada de ese grupo extremista, uno de sus líderes habría dicho con sarcasmo: “Esperamos que Estados Unidos cumpla con lo acordado y le haga el mantenimiento a nuestros helicópteros”.

En la actual campaña bélica contra objetivos del EI, algunos de los ataques aéreos de Estados Unidos apuntan, paradójicamente, a helicópteros Humvees, vehículos blindados y piezas de artillería de fabricación estadounidense que estaban en poder de las Fuerzas Armadas iraquíes y ahora cayeron en manos del grupo yihadista. No es de sorprender que esas armas tengan la garantía de mantenimiento y reparación de Estados Unidos.

El operativo militar degeneró en una farsa política agravada por el lanzamiento desde el aire de armas y provisiones a las fuerzas kurdas que luchan contra el EI en la ciudad siria de Kobani, fronteriza con Turquía. El diario The Wall Street Journal informó el miércoles 22 que las armas y municiones lanzadas en paracaídas a más de 3.000 metros de altura no siempre cayeron en manos de los kurdos. Al menos uno de esos paracaídas, cargado de armas, se desvió a una zona bajo control del EI.

Informes recientes sugieren que el EI capturó algunas de las armas que Estados Unidos lanzó a los kurdos, según Natalie J. Goldring, investigadora de la Escuela Edmund A. Walsh de Servicio Exterior, de la estadounidense Universidad de Georgetown. “Esto dejó a los militares estadounidenses con la incómoda opción de permitir que las fuerzas del EI se quedaran con las armas o de intentar destruir las mismas armas que había arrojado. Al parecer, optaron por destruirlas”, indicó a IPS.

La explicación que dieron los militares estadounidenses acerca de la operación no es tranquilizadora, aseguró. “Estamos muy seguros de que la gran mayoría de los fardos” de armas arrojados a los kurdos “terminaron en las manos adecuadas. De hecho, solo sabemos de uno que no lo hizo… si podemos confirmarlo… les haremos saber”, declaró el contralmirante John Kirby, portavoz del secretario de Defensa de Estados Unidos, Chuck Hagel, a la prensa el martes 21. “Seguramente”, las Fuerzas Armadas de Estados Unidos “pueden y deben regirse por un estándar muy superior”, comentó Goldring. 

“¿Dónde comienza… la historia de las armas estadounidenses que terminan en manos de los enemigos de Estados Unidos?”, se preguntó Michael Ratner, presidente emérito del Centro para los Derechos Constitucionales. “Dejen de dar o vender armas al mundo, pero en particular a los militares o grupos que a la larga se vuelven contra Estados Unidos o son demasiado débiles para retener ese armamento”, exhortó.

Recordó que la presidencia de Jimmy Carter (1977-1981) armó a los rebeldes muyaidines de Afganistán, como medio para expulsar a las fuerzas de la Unión Soviética del territorio afgano. “La ideología derrota al sentido común y con terribles resultados, incluidos en última instancia” los atentados del “9 de septiembre de 2001 y las continuas guerras que enfrentamos hoy en día”, agregó Ratner. “Sin duda, la industria armamentista desempeña una función al querer vender más y más armas, pero también lo hace la ideología y un país, Estados Unidos, que sigue siendo, como dijo Martin Luther King, el mayor proveedor de violencia en el mundo”, afirmó.

El semanario Defense News, con sede en Washington, informó que la venta de armas estadounidenses a Iraq en 2013 incluyó 681 misiles antiaéreos Stinger, 40 lanzamisiles en camiones, radares Sentinel, tres baterías antiaéreas con 216 misiles Hawk, 50 carros de infantería Stryker, 12 helicópteros y el mantenimiento y apoyo logístico para miles de vehículos militares por valor de cientos de millones de dólares. Además, Estados Unidos acordó la venta de misiles Hellfire, carros de combate M1A1 Abrams, ametralladoras, fusiles de francotiradores, granadas y municiones por miles de millones de dólares. Cuántas de esas armas irán a parar a las fuerzas del extremista EI es algo que nadie sabe.

Goldring dijo a IPS que el gobierno de Estados Unidos, una vez más, no aprendió la lección sobre las consecuencias indeseadas de sus acciones en Medio Oriente. Tras el importante error de la invasión de Iraq en 2003, el gobierno de Estados Unidos agravó las cosas al suponer que las Fuerzas Armadas iraquíes serían capaces de defender a su país, señaló. A medida que esas fuerzas se derrumban, el armamento estadounidense cae en poder de los extremistas del EI, añadió.

Con demasiada frecuencia, Washington vende u otorga sus armas con el fin de obtener beneficios políticos o militares a corto plazo, afirmó Goldring. Es necesaria “una reevaluación política que le dé mucho más peso a los riesgos a largo plazo que acompañan las transferencias de armas en todo el mundo”, recomendó. “Además, como claramente es el mayor exportador de armas del mundo, Estados Unidos tiene la responsabilidad especial de abstenerse de transferir armas cuando es probable que se utilicen para violar los derechos humanos y el derecho humanitario internacional. El exceso en la venta de armas aumenta el riesgo de consecuencias indeseadas, ya que las mismas podrían usarse contra los propios militares estadounidenses”, advirtió.

Ratner recordó que Estados Unidos apoyó y armó en Libia a algunas de las mismas fuerzas que después atacaron la embajada estadounidense en Bengasi. La invasión de Iraq también fue un crimen de guerra, provocando la muerte de un número incalculable de personas en ese país y desatando la violencia en toda la región, sostuvo. “Para las empresas estadounidenses, la venta de armas a Iraq fue tan fácil como venderles dulces a los niños, y se vendieron miles de millones de dólares en armas a un país que, a causa de las acciones estadounidenses, se volvió inestable”, dijo. Estados Unidos se permitió creer que estaba entrenando a un ejército cuando, de hecho, formaba a una cleptocracia, según Ratner. “Ningún país con un poco de sentido común hubiera cargado al ejército de Iraq con ese armamento. Y pasó lo que era de esperar”, manifestó.

En la actualidad, las armas dadas a los kurdos “¿se utilizarán contra Turquía? ¿Cuál será el resultado de esa guerra?. Hasta que Estados Unidos entienda que la respuesta a los problemas del mundo no es la guerra y que las armas… conducirán a guerras continuas y a la muerte de millones de inocentes, no veremos el fin de la creciente inestabilidad mundial”, sentenció. Como dijo el profeta Oseas, “los que siembran viento, cosecharán tempestades”.