domingo, 5 de julho de 2009

Fantasmas argentinos assombram Tegucigalpa

Katarina Peixoto
Carta Maior

O mais recente Golpe de Estado em Honduras contém um desses cadáveres escondidos, que assombram a história da América Latina. Hoje, com governos populares e nacionalistas encaminhando mudanças sociais, econômicas e políticas pela via constitucional, a direita prepara uma reação cuja retórica esconde esqueletos e mortos. As eleições legislativas argentinas do último domingo ajudam a entender essa retórica e os seus mortos no armário da impunidade com que a direita latinoamericana sempre golpeou seus povos.

Agora que não é mais proibido falar das diferenças com respeito à verdade, na política, a busca pelos ratos mortos nos armários da direita se reveste de sentido. O mais recente golpe de estado em Honduras contém um desses cadáveres escondidos, que assombram a história da América Latina. O arbítrio contra a legitimidade é uma briga que vem ganhando conotações ao mesmo tempo mais complexas e temerárias. Por um lado, a condenação do governo Obama ao golpe não é um fato irrelevante, quando menos, porque revela um inédito comportamento de respeito à democracia. Isso também se extende à atitude honrosa da Organização dos Estados Americanos. O monstro ideológico que está se formando não pode ser visto com os olhos do infantilismo e do sectarismo esquemáticos de um mundo que acabou.

Uma das coisas que se aprende em qualquer doutrina penal democrática é que a imputabilidade de conduta ilícita é pessoal. E as lições e interpretações européias ou europeizantes sobre totalitarismo e desresponsabilização criminal não se aplicam a uma elite golpista e avessa à ordem constitucional, se que é se aplicam em caso algum. A direita latinoamericana não precisou de lições da Santa Igreja nem de impérios seculares para perpetuar extermínios, saques e arbítrios, ao longo de séculos.

Hoje, com governos populares e nacionalistas encaminhando mudanças sociais, econômicas e políticas pela via constitucional, e com as derrotas políticas e morais dos mais recentes intentos golpistas (na Venezuela, no Brasil, no Paraguai, na Bolívia, em Honduras), a direita prepara uma reação cuja retórica esconde esqueletos e mortos não suscetíveis a qualquer debate interpretativo. As eleições legislativas argentinas do último domingo ajudam a entender essa retórica e os seus mortos no armário da impunidade com que a direita latinoamericana sempre golpeou seus povos.

Num artigo recente, a jornalista argentina Sandra Russo descreve com precisão do que se trata: querer ser eleito até se permite, mas querer um processo de mudança, não pode. Nem dentro das regras constitucionais, a manifestação mesma da vontade é o que é interdito. No caso do golpe em Tegucigalpa esse diagnóstico de Russo aparece assim: o golpe é um erro, mas Zelaya queria se perpetuar no poder! Essa mentira tem muitas versões e se diz de muitas maneiras. O texto de Sandra Russo, em janeiro deste ano, apresenta com rigor e elegância o monstro ideológico em gestação.

No que concerne às recentes eleições legislativas argentinas, que apresentaram o fenômeno do anti-kirchnerismo como novidade eleitoral, os mortos não estão sujeitos a interpretações. Na semana que se seguiu à vitória eleitoral da oposição ao casal Kirchner, o prefeito da Capital Federal e um dos dirigentes PRO (sigla da improvável Proposta Republicana), nomeou para a chefatura de Polícia Metropolitana de Buenos Aires Jorge “Fino” Palacios, policial acusado, entre outras coisas, de ter protegido suspeitos locais de participação no atentando contra a AMIA – Associação Mutual Israelita Argentina -, em 18 de julho de 1994, que deixou 85 mortos e nenhum condenado judicialmente, até agora.

Qual é mesmo a relação entre o brutal atentando – o segundo em Buenos Aires – contra a comunidade judaica e o golpe em Tegucigalpa? Quem é mesmo capaz de transitar de um acontecimento para outro assim, como se décadas não houvessem passado? Tem um velho ditado secular que diz o seguinte: “quando a pedra sai das mãos, ela cai nas mãos do diabo”.

Numa entrevista, o procurador responsável pela investigação do atentado da AMIA, Alberto Nísman, apresenta suspeitas e indícios de uma relação íntima entre responsáveis pelo atentado em 1994 e os “antikirchenristas” que comandam a Capital Federal. Maurício Macri, o prefeito que nomeou chefe de polícia um comissário aposentado suspeito de ter acobertado provas da investigação sobre o atentado contra a AMIA, disse algo importante quando foi eleito, em junho de 2007: “Hoje ganhou a cidade de Buenos Aires, ganhou a democracia, e o 'cambio' (a mudança). Não é uma mudança como slogan, mas que propõe outra política, outros valores, como não agredir os outros, não perseguir fantasmas do passado”.

Entre esses fantasmas assombrando Macri e os seus, estão os responsáveis pela ditadura Videla, que tem a marca inapagável de 30 mil exterminados desaparecidos. Responsáveis cuja condenação e julgamento são condenados, tanto por Macri, como por Menem. No seu improvável republicanismo também vale nomear para a chefatura de polícia alguém que obedeceu a ordens do irmão de Carlos Menem, Munir Menem, para interromper processos investigativos cujos indícios iriam, como o FBI depois reiterou, contribuir para o esclarecimento dos responsáveis, se não pelos 30 mil, pelo menos pelos 85 inocentes que naquele dia estavam na AMIA e que hoje são lembrados, para quem tem olhos de ver, naquelas placas dolorosas no pé das árvores jovens da Rua Pasteur.

O fantasma argentino que assombra Tegucigalpa é o dessa direita que odeia seu povo, que despreza a democracia e que sempre agiu às margens de qualquer regime constitucional. Com e sem constituição em vigor, é bom que se diga. A forma da retórica é, como diz Russo: eles podem até vencer eleição e ter um, dois mandatos, mas não podem querer um processo de mudança. Não podem querer. O conteúdo dessa retórica é imenso e começa a ser reconhecido a passos lentos, e resistentes. E tem entre suas vítimas muitos, como os 30 mil e os 85, mortos por “fantasmas”.

sábado, 4 de julho de 2009

Pandemia descontrolada


Insulza pedirá la suspensión de Honduras en la OEA

Pablo Ordaz
El País

Si en algún momento hubo alguna esperanza de que los golpistas hondureños reconsiderasen su actitud, ya no la hay. Después de emplear toda la jornada del viernes en reunirse con las fuerzas vivas de Honduras, José Miguel Insulza, secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), fue rotundo: "Mi conclusión es que la ruptura del orden constitucional persiste y que los que hicieron esto no tienen por el momento ninguna intención de revertir la situación".

Así pues, Insulza informará hoy sábado de sus gestiones a la Asamblea General, y será esta la que con toda seguridad tome la decisión de sancionar a Honduras. El secretario general de la OEA explicó al final del día por qué vino a Tegucigalpa: "Se trataba de hacer todos los intentos. Y sí, tal vez el informe se podía haber hecho sin necesidad de venir, pero yo preferí venir acá para decirles: Miren, nosotros consideramos que aquí hubo un golpe de Estado, una ruptura grave de la institucionalidad democrática de Honduras, y nosotros queremos pedir que esa situación sea revertida por quienes han tomado el poder". Pero no funcionó. "Lamento decir que de mi gestión no se desprende que haya disposición para hacer esto. Al contrario. He recibido una cantidad de documentos mostrando de qué manera habría cargos pendientes contra el presidente Zelaya... Me llevo todos esos documentos, pero el resultado claro es que la ruptura del orden constitucional persiste y los que hicieron esto no tienen por el momento ninguna intención por revertir la situación".

A excepción del nuevo Gobierno surgido del golpe, al que lógicamente la OEA no reconoce, su secretario general se reunió con todo el mundo. Con los candidatos y los dirigentes de los partidos, con los jueces, con los fiscales, con las organizaciones sociales... Hasta con el cardenal y con el embajador de Estados Unidos. Pero después de un día entero sin levantarse del sillón, Insulza se dirigió al aeropuerto de Toncontín con las manos vacías. Antes de partir, no obstante, compareció ante la prensa. Los periodistas intentaron saber si aún hay alguna posibilidad de encontrar una solución. Uno preguntó si tal vez dando un poco más de plazo...: "Yo no he encontrado ningún indicio que haga suponer que las cosas puedan cambiar en 48 o 72 horas".

Otro quiso saber si tal vez un adelanto de las elecciones podría ser suficiente para volver a la normalidad. La respuesta también fue negativa: "Si hay elecciones, el Gobierno no sería reconocido, la suspensión en la carta democrática interamericana es al Estado. La carta habla de los Estados, no de los gobiernos". Hasta hubo otro que insinuó que tal vez una acción más contundente...: "Si usted me pregunta", contestó José Miguel Insulza, "si algún poder externo vendría a cambiar las cosas, le digo que no. Eso no lo hacemos nosotros. Y las veces que se hizo, en el periodo de la guerra fría, fue una trágica experiencia y no lo volveríamos a hacer. Además, la OEA no es un poder omnímodo. Tiene las atribuciones que tiene, y entre ellas no está la de actuar físicamente contra un Gobierno de facto".

El secretario general de la OEA fue muy claro al establecer un diagnóstico: "Lo que ha pasado en Honduras es un muy mal ejemplo para la región. La idea del golpe, de un grupo de militares que expulsa por la fuerza a un presidente, era ya una cosa muy poco frecuente. Se había dado únicamente dos veces en las dos últimas décadas (en el primer Gobierno del presidente Aristide en Haití y el intento frustrado de golpe contra Hugo Chávez en 2002). Nos habíamos acostumbrado a pensar que esto ya no volvería a pasar. Pero ha vuelto a ocurrir algo que creíamos que era del pasado y que no ocurriría nunca más. Es un golpe de realidad tal vez, pero es muy lamentable, muy negativo".

Ya casi al final, un periodista hondureño sugirió -en consonancia con la teoría del nuevo poder- que tal vez lo que pasó aquí no fue un golpe de Estado. El secretario general de la OEA casi le quitó la palabra: "Pero bueno, yo no sé cómo ustedes llaman cuando un grupo militar mandado por militares va en un operativo militar, saca a un presidente, lo carga en un avión militar y lo lleva a otro país. Esto es un golpe militar. ¿Que el Gobierno no es militar? Pues probablemente. Está configurado por civiles, pero que han llegado al poder sobre la base de un golpe militar".

Una vez que se marchó Insulza, por Tegucigalpa circularon rumores de que el presidente Zelaya ya se encontraba en el país, tal vez acogido en la base norteamericana. Pero nadie pudo confirmar tal extremo. Ni siquiera se sabe si finalmente el presidente depuesto mantiene su idea de regresar a Honduras acompañado por los mandatarios de Ecuador, Rafael Correa, y Argentina, Cristina Fernández.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Afganistán: Combates a 50 grados

David Beriain
El País

Los marines no son los únicos que se encuentran en plena ofensiva. Los talibanes también han comenzado la suya. Hace un mes, el mulá Mohamed Omar rompió su silencio para ordenar a sus fieles que intensificaran los ataques una vez terminadas las cosechas del opio y del trigo. La primera concluyó a principios de mayo, la segunda a mediados de junio. Una vez liberados de sus tareas agrícolas, los talibanes, muchos de los cuales son combatientes a tiempo parcial o estacionales, se lanzaron a la lucha espoleados por el tórrido verano y los refuerzos recibidos durante el invierno. Los 50 grados que ahora se registran en el sur afgano parecen ser el entorno preferido por los talibanes para combatir.

Los comandantes insurgentes con los que este periódico ha conversado advierten que la presión sobre las fuerzas internacionales se mantendrá hasta bien pasadas las elecciones de agosto. "Vamos a doblar nuestros ataques en las próximas semanas. Tenemos los recursos y los combatientes. Este verano, insallah [si Dios quiere], será duro para los extranjeros", asegura Fateh Mohamed, el jefe talibán que coordinó el ataque suicida que en noviembre pasado mató a dos soldados españoles al sur de la provincia de Herat.

Los resultados de esa ofensiva insurgente son visibles hoy por todo Afganistán. No solo por el número de ataques contra las fuerzas internacionales o por su creciente complejidad, sino por la aplastante sensación de inseguridad que se respira en las calles, entre la población. Incluso en lugares que hasta hace poco eran considerados seguros. "Yo vivo en Herat y esto ahora mismo es como una isla. O mejor dicho, como una cárcel. Si quiero viajar a Kabul o a cualquier otra ciudad tengo que hacerlo en avión y eso es muy caro para nosotros. Por tierra, lo más seguro es que me secuestren o me maten, porque hay que pasar por territorios donde la seguridad no es buena o están controlados por los talibanes", comenta un pequeño empresario afgano que pide el anonimato.

La provincia de Helmand ha presenciado buena parte de esta nueva ofensiva insurgente. La dirección del movimiento talibán, con el mulá Omar a la cabeza, se encuentra en Quetta, en la provincia paquistaní de Baluchistán, pero la coordinación de la lucha se lleva desde la provincia de Helmand, donde está la mayor parte de sus comandantes. Así las cosas, es de esperar que los marines encuentren una fuerte resistencia en su avance, tal y como les ha ocurrido a los británicos, desplegados allí desde 2006.

Áreas indefensas

Sin embargo, no es la resistencia en Helmand lo que más les preocupa a los estadounidenses. "Al fin y al cabo, si se quedan y luchan, los matamos y punto", comentaba un oficial norteamericano que ha luchado regularmente con los talibanes en los últimos meses. "El problema es que se vayan a luchar a algún sitio donde tengamos menos fuerzas". Ese escenario es la pesadilla que amenaza ahora a regiones del oeste del país, donde están basadas las tropas españolas. "Esto es como una tarta que aplastas con las manos. Cada vez que nuestros chicos presionan la tarta del sur, la crema se escapa por los costados. Y aquí en el oeste vamos a ver mucho de eso en los próximos meses", comenta a este periódico el coronel John Bessler, el norteamericano que comanda a los equipos que entrenan a la policía y al Ejército afganos. Bessler tenía bajo su mando a los dos soldados españoles fallecidos en noviembre.

De hecho, ya está sucediendo. La operación en Helmand cuenta con más de 4.000 marines, pero en la provincia de Farah, a unos pocos kilómetros, apenas hay unos pocos cientos de efectivos internacionales. Los talibanes solo tienen que cruzar una frontera que solo existe en la mente de los planificadores militares para volver a operar en la impunidad. Ocurre en lugares como Shiwan, donde en 2007 murieron dos paracaidistas españoles. Allí, talibanes llegados de Helmand, con la ayuda de unos 400 militantes extranjeros y varios cientos de reclutas locales, hostigan sin parar a las fuerzas internacionales sin que estas puedan realizar una operación al estilo de la de Helmand, para sacarlos de la zona. No hay soldados suficientes y los que hay, como los italianos, no tienen el mandato para combatirlos. Solo les queda esperar a que les ataquen, responder, salir de allí y volver a empezar el día siguiente, sin demasiadas esperanzas de mejora.

Los servicios de inteligencia occidentales temen que las repercusiones de la operación en Helmand puedan llegar incluso hasta zonas mucho más lejanas y más importantes para el contingente español, como la provincia de Badghis, bajo responsabilidad del contingente español. Allí, en bastiones talibanes como Bala Murghab, la situación es ya crítica para las fuerzas internacionales. "Mis hombres sólo pueden alejarse de la base unos dos kilómetros. Más allá saben que los talibanes les atacan seguro. Y los talibanes allí no salen corriendo. Se quedan y luchan, pero no tenemos los recursos que hay en el sur para combatirlos", dice el coronel Bessler.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Agricultura tem queda alarmente dos investimentos

Sanjay Suri
IPS

Os líderes do Grupo dos Oito países mais poderosos deverão analisar em sua próxima reunião, este mês, a crise causada pela queda dos investimentos mundiais na agricultura, informou a organização Oxfam. Mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo sofrem fome, e os preços dos alimentos começaram a aumentar novamente, ameaçando muitos pobres, alerta o informe dessa organização. “Os investimentos globais totais, em assistência bilateral e multilateral, diminuíram 75% desde a década de 80”, explicou à IPS Emily Alpert, autora do informe, em uma entrevista desde Hong Kong.

O subfinanciamento ao longo das décadas aumentou a vulnerabilidade de muitos às sacudidas climáticas e do mercado, disse Alpert, cobrando uma ação imediata. “Os investimentos em agricultura trazem pouco lucro (no curto prazo). Suas recompensas podem demorar muito. Os investimentos de hoje não trarão os resultados desejados de imediato”, reconheceu. O informe intitulado “Investir em agricultores pobres recompensa: repensando o investimento na agricultura”, divulgado no dia 30/06, diz que dois terços dos pobres rurais do mundo são afetados pelos escassos recursos destinados ao setor.

A Oxfam exortou os líderes do G-8, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia, a aumentarem a ajuda agrícola a, pelo menos, os níveis de 1980, de US$ 20 bilhões ao ano, contra os atuais US$ 5 bilhões anuais. “Os investimentos nacionais seguiram a tendência de baixa, menos em países ricos e em um punhado de nações em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia”, disse Alpert à IPS. Entre os ricos, o informe diz que, somente em 2007, os investimentos agrícolas da um foram de US$ 130 bilhões, e os dos Estados Unidos somaram US$ 41 bilhões.

É necessário “um substancial aumento dos investimentos agrícolas, em comparação com os atuais investimentos nas nações ricas ou dos bilhões de dólares gastos mundialmente este ano em resgate financeiro”, acrescentou Alpert em uma declaração. “Fortalecer os setores agrícolas dos países em desenvolvimento é uma parte fundamental de uma solução de longo prazo para as crises alimentar, financeira e climática do mundo”, afirmou. O informe da Oxfam exorta doadores, governos nacionais e investidores privados a destinarem mais fundos, e mais sabiamente, na agricultura do Sul, dirigindo-os às pessoas, particularmente às mulheres, para estimular e apoiar o capital social e do conhecimento, e com a finalidade de que adotem métodos de cultivo ambientalmente sustentáveis.

“As mulheres são fundamentais para a segurança alimentar”, disse Alpert. “Investir equitativamente nas necessidades das mulheres e construir sua capacidade para envolver-se produtivamente na agricultura deve estar à frente de qualquer solução para melhorar o crescimento agrícola e reduzir a pobreza”. A Oxfam assinalou que o financiamento dos doadores deve ser transparente e unido, e que a ajuda tem de adequar-se às condições especificas dos lugares, permitindo a participação dos setores envolvidos e atendendo suas demandas.

Deve-se dar especial atenção a agricultores e pecuaristas em terras marginalizadas, que, em geral, trabalham em ambientes difíceis e isolados com acesso inadequado aos mercados, aos serviços, a créditos e insumos, diz o informe. “Esses agricultores e pecuaristas levam a carga de conservar a biodiversidade de cultivos e de administrar alguns dos solos mais frágeis do mundo, e podem ser aliados-chave na luta contra a mudança climática”, acrescenta. Alpert disse que, apesar dos baixos ganhos do investimento em áreas marginalizadas, o principal beneficio é reduzir a pobreza.

“Um setor agrícola atua como multiplicador nas economias locais, permitindo, finalmente, que haja maiores salários e vibrantes mercados rurais, onde os agricultores e trabalhadores gastam seu lucro”, disse Alpert. “Já estamos vendo o impacto nos pobres do aumento de preços dos alimentos, o que em parte se deve à falta de investimentos na agricultura. Quanto mais aumenta a produtividade, mais alimento há para as pessoas, que gastem entre 50% e 80% de sua renda em comida”, acrescentou.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

OEA: Ultimátum de 72 horas para restituir a Zelaya


Agencias

La Asamblea General de la OEA exigió hoy al nuevo Gobierno hondureño la restitución del depuesto Presidente Manuel Zelaya en un plazo de 72 horas, y advirtió de que si no lo hace Honduras se arriesga a la expulsión del organismo regional.

La Asamblea aprobó una resolución de cinco puntos, por aclamación y ante la presencia de Zelaya, tras una intensa y prolongada jornada de negociaciones entre los cancilleres y embajadores que participaron en el 37º periodo extraordinario de sesiones de la Asamblea General de la Organización de Estados Americanos (OEA).

El documento condena el golpe militar del domingo pasado, exige la restitución de Zelaya y el restablecimiento del orden democrático y rechaza al Gobierno del nuevo Presidente, Roberto Micheletti, producto de la "ruptura inconstitucional".

También insta al secretario general de la OEA, José Miguel Insulza, a que realice junto con representantes de otros países las gestiones para restaurar la democracia y lograr la restitución "inmediata, segura e incondicional" de Zelaya. La resolución reitera la postura del organismo regional de que Zelaya es "el Presidente constitucional de Honduras".

Zelaya defendió la encuesta no vinculante que pretendía llevar a cabo en su país sobre un referendo para una reforma constitucional que le hubiese permitido la reelección y que presumiblemente motivó el golpe. "Todo es parte de una conspiración y de un complot", dijo Zelaya, al detallar las condiciones en las que fue sacado, a punta de pistola, de su casa el domingo por militares fuertemente armados.

Zelaya anunció, ante esta determinación de la OEA, que decidió postergar el retorno a su país, que había previsto para el jueves. "Esperaremos esas 72 horas", dijo Zelaya en conferencia de prensa por la madrugada en Washington, tras más de diez horas de debate de los cancilleres de la OEA. Zelaya había planeado regresar el jueves, acompañado por Insulza y por la Presidenta de Argentina, Cristina Fernández, y el de Ecuador, Rafael Correa.

Consultado sobre cuándo viajará a Honduras, Insulza respondió: "Vamos a ver a lo largo de los próximos tres días". Insulza señaló que durante los muy prolongados debates entre los cancilleres y demás funcionarios, hubo "una cantidad muy importante de países que querían suspender ahora" a Honduras de la OEA, pero se decidió darle 72 horas de plazo.

La resolución incluye el rechazo a los representantes que el gobierno de facto hondureño pretende enviar a la OEA para defender su postura. Esos delegados no serán recibidos.

La sesión de la OEA había sido abierta a las 17:30 de ayer, con el canciller argentino Jorge Taiana nombrado para presidirla por unanimidad. Tras procedimientos protocolares, se pasó a cuarto intermedio para esperar a Zelaya, quien viajaba desde Nueva York, donde habló ante la Asamblea General de la ONU, que también repudió el golpe y lo reconoció como Presidente constitucional.

Después de más de diez horas de debate, durante las cuales una parte de los esfuerzos estuvieron destinados a convencer a Zelaya a que postergara su regreso a Tegucigalpa, se aprobó una resolución de cinco puntos, que contiene el ultimátum.

Honduras: Regreso a la caverna

Sergio Ramírez
Tribuna

El golpe militar consumado contra el presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya Rosales, ha representado para América Latina el regreso a la era de las cavernas, cuando era signo común que los ejércitos actuaran como árbitros finales del poder político. Los regímenes surgidos de los golpes militares fueron un mal propio de Centroamérica por décadas, lo que ganó a estos países el triste título de repúblicas bananeras, denominador común que se extendió hacia todos aquellos otros donde hubiera un ejército dispuesto a ejercer sus prerrogativas de gorilato.

Las imágenes de las calles de Tegucigalpa que vimos en la televisión, con los tanques de guerra y los carros blindados en agresivo despliegue, y las patrullas de soldados en atuendo de combate, volvieron a poner el reloj en la hora más negra de un pasado que parecía sepultado para siempre. Y un presidente levantado a la fuerza de su cama en la madrugada por un pelotón de militares encapuchados que invade su casa, subido en pijama a un avión, y llevado a otro país, son también imágenes de una vieja película que creíamos no volveríamos a ver jamás. Pero están allí, ante nuestros ojos, y corresponden a las realidades del siglo veintiuno.

Las justificaciones legales de toda la trama son torpes. He oído al diputado Roberto Micheletti, nombrado presidente de la república por el Congreso Nacional después del golpe para suceder a Zelaya, que la acción se debió a la orden de un juez, impartida a los mandos militares. Imaginen el tamaño de la artimaña. Un juez que da un mandamiento a quien no debe, porque el ejército no tiene funciones de policía más que bajo un régimen ocupación, y menos puede ordenar a los militares que saquen de su cama a un presidente debidamente electo, que goza de inmunidad, y que lo extrañen del país, desde luego que el destierro no existe ni como medida preventiva, ni como pena, bajo la ley. Sólo usar esta coartada es ya una vergüenza.

La magnitud de la agresión que ha sufrido el orden democrático en Honduras, deja atrás cualquier debate acerca de la precaria situación en que el presidente Zelaya se había puesto en los días anteriores al golpe militar. Parado en el filo de la navaja, no supo hacer una lectura sensata del balance político de fuerzas, cuando todo se acumulaba en su contra. Horas antes de ser sacado violentamente de su casa y del país, había perdido el respaldo de la Asamblea Nacional, que luego votó de manera unánime su sustitución; de su propio partido, el Partido Liberal, cuyos diputados votaron todos por la sustitución, junto con los de los otros partidos; de la Corte Suprema de Justicia, del Consejo Electoral, y de la Fiscalía; de buen número de los medios de comunicación con los que había entrado en una áspera pugna, de las cúpulas de empresarios, y de la jerarquía de la Iglesia Católica. Se hallaba solo, y no parecía reparar en ello.

El presidente Zelaya se olvidó, Dios sabe por qué, del terreno que estaba pisando, al insistir en llevar adelante una consulta popular, organizada por él mismo, y que debió realizarse el propio domingo de su derrocamiento, cuando los otros poderes del Estado se lo habían prohibido bajo argumentos de inconstitucionalidad. Conforme esta consulta, pretendía obtener respaldo para hacer que en las elecciones generales de noviembre próximo se instalara una cuarta urna en la que los ciudadanos debían votar si quería un cambio de Constitución Política, algo que el Consejo Electoral le había ya negado, con el respaldo de la Corte Suprema de Justicia.

Siguió actuando con atolondramiento cuando ordenó al Ejército desembarcar el material electoral de la consulta, llegado desde Venezuela, y repartirlo en los centros de votación; y cuando el jefe del ejército se negó, hizo destituirlo, para que de inmediato sus adversarios en los otros poderes del Estado respaldaran al destituido, previa renuncia de todo el estado mayor en solidaridad con su jefe. Para provocar una crisis de este tamaño, el presidente debió sentir que tenía alguna clase de respaldo sustancial. ¿Pero dónde estaba ese respaldo? ¿En qué instituciones? ¿En qué organizaciones populares, en qué sindicatos, en qué partidos políticos, en qué corporaciones? ¿Contaba acaso con la mayoría de la opinión pública?

Siento que el presidente Zelaya se vio en otro país que no era Honduras, y subestimó el poder de los estamentos conservadores, que miraron con antipatía y desconfianza su alineamiento con la izquierda que representan Chávez y Ortega, y su amistad con Fidel Castro, una legítima escogencia personal suya, de todas maneras. Es, al menos, uno de los argumentos que de manera solapada utiliza Micheletti para justificar el golpe: ha dicho que Zelaya, su correligionario liberal, cambió de ideología en el camino, y "se volvió de izquierda", lo que al fin y al cabo le cobraron con el golpe militar.

Los errores de apreciación política del presidente Zelaya, que no advirtió el terreno que estaba pisando, y sus enfrentamientos con el orden legal para promover un cambio constitucional que le permitiera la reelección, como es ahora el impulso de los líderes en el gobierno en no pocos países de América Latina, se vuelven anecdóticos. Fue depuesto de manera ilegal y brutal, y eso es lo que cuenta.

La prueba de fuego es ahora para la Organización de Estados Americanos (OEA), que debe demostrar si es capaz de hacer valer su Carta Democrática. No puede haber trasgresores del orden constitucional, ni los golpes militares pueden quedar en la impunidad.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Grupo Río condena el golpe y exige restitución democrática

Agencias

El Grupo de Río, integrado por los 17 presidentes de los países representados y cuya secretaría se encuentra temporalmente en manos del Jefe del Ejecutivo mexicano, Felipe Calderón, condenaron la expulsión militar del mandatario de Honduras, Manuel Zelaya, y exigieron su "restitución democrática", así como el respeto a los derechos humanos de funcionarios y pueblo hondureño.

A la sesión convocada de emergencia acudieron los mandatarios mexicano Felipe Calderón, el venezolano Hugo Chávez, el nicaraguense Daniel Ortega, el cubano Raúl Castro, el costarricense Oscar Arias, el salvadoreño Maurucio Funes y el recién depuesto en Honduras Manuel Zelaya, entre otros. Además participan los representantes de Cristina Kirchner de Argentina, y de Luis Inacio Lula Da Silva, de Brasil.

El mandatario mexicano Felipe Calderón declaró abierta una reunión convocada extraordinariamente por el Grupo de Río, también en Managua para decidir las medidas que tomará ese bloque tras lo acontecido en Honduras. "Es absolutamente inaceptable la utilización de la fuerza para derrocar a un gobierno legalmente constituido e inadmisible la forma en que el presidente Zelaya fue detenido y obligado a salir de su país", señaló Calderón en su discurso, como secretario en turno del Grupo de Río.

En esta cumbre que agrupó a los miembros del Sistema de Integración Centroamericano (SICA), de la Alianza Bolivariana para Nuestros Pueblos de Latinoamérica (ALBA) y el Grupo de Río, el mandatario mexicano exigió el respeto a la constitucionalidad en Honduras y demandó a quienes ostentan el poder en estos momentos que se abstengan de más detenciones y se restituyan los derechos en ese país.

Zelaya regresará a Honduras el jueves junto a Insulza

Con el respaldo de mandatarios del Grupo de Río en la parte final de una intensa jornada diplomática celebrada en Nicaragua, el presidente Manuel Zelaya de Honduras, depuesto por un golpe militar el domingo, anunció que regresará a su país el próximo jueves.

"Les guste o no les guste a los golpistas, regresaré el jueves", insistió Zelaya, tras aceptar una oferta del secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), el chileno José Miguel Insulza, para acompañarle en su intento de recuperar el poder.

La reunión del grupo de Río, presidida por el mandatario mexicano, Felipe Calderón y que contó con la presencia de una docena de presidentes y otras delegaciones de los países miembros de esa instancia latinoamericana y caribeña, culminó con una declaración de total respaldo a Zelaya.

En su comunicado final aprobado por aclamación, el Grupo enfatizó el desconocimiento al gobierno de facto instalado en Tegucigalpa. Asimismo instó a la OEA en su asamblea general este martes en Washington a tomar "medidas drásticas", entre las que fue mencionada la posibilidad de dar un ultimátum a los golpistas de Honduras para que restituyan a Zelaya en su cargo de "manera inmediata e incondicional".

Argentina: Una nueva derecha al estilo Berlusconi

José Natanson
Página 12

El surgimiento de una nueva derecha no es un fenómeno limitado a la Argentina, sino una tendencia más general que tiene un origen geopolítico. Entre mediados de los ’80 y principios de los ’90, Estados Unidos decidió que había llegado el momento de dejar que la democracia volviera a América latina. Los brotes guerrilleros y los movimientos populares que en el pasado espantaban a Washington estaban o aplastados o domesticados, y desde 1989 la caída del Muro de Berlín había desactivado el riesgo de que la región siguiera el ejemplo de Cuba y se alineara con la Unión Soviética.

A este Washington más tolerante y democrático se sumó la creciente conciencia internacional acerca de las violaciones a los derechos humanos por parte de las dictaduras, sobre todo en Argentina, Chile y Centroamérica. Y también la imprevisibilidad de los gobiernos autoritarios: al fin y al cabo, fue un militar y no un líder izquierdista quien decidió invadir las Malvinas y declararle la guerra nada menos que a Gran Bretaña.

En el nuevo mundo unipolar, hasta el último rincón del planeta quedó expuesto a la influencia estadounidense, pero era una influencia distinta, más difusa, menos directa. Tras el 11 de septiembre, Washington cerró el círculo de su nueva doctrina de seguridad (el enemigo ya no era el comunismo sino el terrorismo) y desvió su atención a lugares más remotos y urgentes. Esto explica el giro a la izquierda en América latina y el tranquilo ascenso de líderes y partidos que en el pasado seguramente hubieran sido bloqueados por Estados Unidos mediante la desestabilización o el golpe de Estado. Y esto explica también que esté surgiendo, más lenta y dificultosamente, una nueva derecha.

Es nueva porque es democrática: aunque la tentación de la desestabilización y el golpe están presentes, sobre todo en los países institucionalmente más frágiles y económicamente más concentrados, como Bolivia, insistamos en que el componente democrático tiene un sentido más profundo y estructural: es una derecha que defiende electoralmente los intereses (empresariales, económicos) y valores (estabilidad, orden en las calles, propiedad privada) que en el pasado se imponían por las armas. Esa es la novedad.

Entrepeneurs

El progreso individual y el ascenso como fruto del esfuerzo son desde siempre valores importantes para la derecha, que no sólo no reniega del individualismo, sino que incluso lo considera un motor clave para el progreso de la sociedad (lo cual explica, según la famosa tesis de Norberto Bobbio, que la derecha acepte las diferencias sociales, es decir la desigualdad, lo cual produce a su vez una visión definida del balance Estado-mercado y del rol de este último en la economía y en la sociedad). Así, frente a una izquierda que tradicionalmente ha buscado a sus líderes en los movimientos colectivos (sindicatos, partidos, asambleas), hoy existe una derecha que ha hecho del mundo empresarial la cantera de la que salen sus dirigentes más taquilleros.

Un rápido recorrido por América latina ayuda a comprobar esta intuición. El próximo miércoles asumirá la presidencia de Panamá Ricardo Martinelli, millonario propietario de la cadena de supermercados Super 99 y –dato a tener en cuenta– el primer presidente desde la recuperación de la democracia que no proviene de los partidos tradicionales. Hace poco menos de un mes dejó la presidencia de El Salvador Elías Saca, un empresario perteneciente al derechista Arena. En Chile, todas las encuestas señalan como el favorito a Sebastián Piñera, el propietario de LAN y poseedor de una fortuna de 1200 millones de dólares (y el único líder importante de derecha que votó por el No a Pinochet en el plebiscito de 1988). Durante seis años gobernó México Vicente Fox, que ingresó a Coca-Cola como supervisor de reparto y fue ascendiendo hasta convertirse en gerente de la división latinoamericana de la empresa. Y ahí está también el pintoresco magnate ecuatoriano Alvaro Noboa, el rey de los exportadores de banano y camarón, que había salido segundo en tres elecciones presidenciales y quedó tercero en las últimas.

Populismo de derecha

La nueva derecha de Mauricio Macri y Francisco de Narváez, que ayer consolidó su primacía en la Capital y ganó la elección en la provincia, es parte de esta tendencia latinoamericana más amplia. Y como el origen de nuestra política hay que buscarlo siempre en Europa, la comparación transatlántica ayuda a explorar algunas claves de este nuevo fenómeno, aunque el paralelismo más pertinente no sea la reaccionaria y dogmática derecha del PP español, ni la sobria centroderecha socialcristiana alemana ni el tradicional partido conservador británico, sino la nueva derecha italiana que desde hace un par de décadas lidera Silvio Berlusconi. En ambos casos, en Argentina y en Italia, el origen se remonta a un colapso político y el estallido de una crisis de representación, por imperio de las cacerolas (acá) o de la investigación judicial de la Tangetopoli (allá).

Como los líderes de Unión-PRO, Berlusconi es un símbolo de la alianza entre negocios (aunque hay que reconocerle al Duce que él sí hizo su propia fortuna), medios de comunicación (Berlusconi fue el primer empresario televisivo en romper el monopolio de la RAI) y deporte (es el dueño del club Milan). Pero no es sólo el origen empresarial ni la capacidad de expresar la poderosa fusión entre espectáculo, política y deporte lo que emparienta al líder italiano con los jefes del peronismo disidente, sino también una manera particular de entender la política. Desde un carisma muy mediático pero no por eso menos real, los tres han logrado construir una relación directa con el electorado (Berlusconi, pese a todas sus boutades o debido a ellas, es el dirigente más querido de Italia) y afirmar una popularidad que traspasa las fronteras de clase, lo que da forma a una especie de populismo de derecha.

Hay en ellos un fondo común ultrapragmático que les permite moldear su discurso de acuerdo con la necesidad del momento. De Alsogaray o Cavallo podía pensarse cualquier cosa, menos que alguno de ellos propondría, en la misma campaña, eliminar las retenciones, quitar el IVA a los alimentos y extender masivamente los planes sociales –es decir, desfinanciar totalmente al Estado–, como hizo De Narváez en los últimos meses. Y también hay en Macri y en De Narváez, como en Berlusconi, una tensa combinación de conservadurismo y liberalismo, que si por un lado implica una relación cercana con la Iglesia (Berlusconi acompañó a los obispos italianos en su resistencia a la despenalización de la eutanasia y se opone a la legalización del aborto), por otro se traduce en una libertad muy moderna –y en el caso del italiano muy vistosa– de la vida privada.

Estos vacíos y estas tensiones requieren necesariamente un cemento que los unifique más allá de la popularidad de los líderes. Berlusconi lo encontró en el terror a la inmigración norafricana y su campaña para endurecer las leyes, que la semana pasada quedó crudamente comprobada con la violenta expulsión de los gitanos de Nápoles. ¿Ocupará la inseguridad el lugar en el proyecto nacional de Macri y De Narváez que ocupó la inmigración a la candidatura de Berlusconi en 2007? Podría ser, pero sólo podría. Aunque el tema fue uno de los ejes de la campaña y en buena medida explica el ascenso del peronismo disidente en la provincia de Buenos Aires, la experiencia enseña que las elecciones presidenciales suelen estar dominadas por otras cuestiones, de la economía a la política, y que la inseguridad resulta decisiva básicamente en los comicios distritales. Hasta ahora.

Algo más que jabón en polvo

Macri y De Narváez son empresarios y no economistas ultraideologizados, como sus antecesores Alvaro Alsogaray, Domingo Cavallo o Ricardo López Murphy. Quizás por eso, porque provienen del flexible y pragmático mundo de los negocios y no de las consultoras o las cátedras de economía (en sus propias palabras, del mundo de la acción y los hechos y no del mundo de los discursos), ambos han comprendido una verdad esencial que sus antepasados nunca lograron entender: para ganar una elección y gobernar es necesario contar con el apoyo de al menos un sector de los votos y del aparato del peronismo. Y si Menem consiguió en su momento reconvertirse a la derecha luego de una larga y muy tradicional carrera en el PJ (fue gobernador, estuvo detenido por los militares y acompañó a Cafiero en la renovación peronista), los jefes de Unión-PRO avanzan por un camino inverso: su plan es llegar al peronismo desde la derecha y no a la derecha del peronismo. Menemismo por otros medios.

Por eso, el peor error que se podría cometer en la lectura de los resultados de ayer es pensar que la consolidación electoral del macrismo y el ascenso rutilante de De Narváez se explican simplemente por la astucia de la publicidad, el poder de sus millones o la influencia de los medios de comunicación. Desde que en 1952 Dwight Eisenhower se convirtió en el primer candidato presidencial en apelar a los servicios de una agencia de publicidad, el marketing político ha ido ocupando cada vez más espacio en las campañas. Y aunque las primeras teorías hablaban de vender a un candidato como si se tratara de jabón en polvo, desde hace al menos dos décadas sabemos que esto no es posible, que la publicidad y el dinero y la televisión no alcanzan para ganar una elección (aunque sí para otras cosas, por ejemplo para hacer conocido –instalar– a un postulante). Hay miles de ejemplos de brillantes campañas publicitarias y millones de dólares convertidos en unos pocos votos, el último de los cuales fue el patético ensayo presidencial de Jorge Sobisch.

Del mismo modo, si por un lado es cierto que algunos medios de comunicación contribuyeron al ascenso de De Narváez, el consenso mediático tampoco alcanza por sí mismo para ganar una elección como la de ayer. También hay miles de ejemplos de candidatos que, pese a la oposición de buena parte de los medios, ganaron las elecciones (la reelección de Chávez, por ejemplo, o la victoria de Ricardo Lagos en Chile en el 2000).

Con esto se pretende señalar algo evidente, pero que, a la luz de algunos comentarios de los últimos días, vale la pena subrayar: el ascenso de la nueva derecha no se explica por los consejos de Durán Barba ni por la campaña de Agulla, y ni siquiera por las fortunas de sus candidatos, sino por un contexto geopolítico nuevo y, en la Argentina, por la muy política estrategia de sus líderes de morder un sector del peronismo en el conurbano, construir a una candidata imbatible en la Capital y, sobre todo, ganar la disputa con el panradicalismo por el voto anti K. En suma, un fenómeno que no es ni publicitario ni mediático, sino estrictamente político. Por supuesto, explicarlo en términos de marketing quizás resulte tranquilizador para las conciencias progresistas que se niegan a aceptar que la derecha puede ser popular incluso en los sectores más pobres, pero ayuda muy poco a entender las cosas.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Cuestión de perspectiva


Condena mundial a Golpe de Estado en Honduras

Agencias

Latinoamérica y el resto del mundo se alzaron en una sola voz para exigir la restitución inmediata del Jefe de Estado hondureño. La OEA golpeó la mesa y advirtió que debe restablecerse el orden democrático en el país caribeño, Estados Unidos se unió a las críticas regionales y la ALBA se reunió anoche de forma extraordinaria.

En muy contadas ocasiones organismos, foros y bloques regionales e internacionales se han unido, sin importar el color político de los gobiernos de turno, para condenar tan unánimemente un quiebre institucional o democrático. Eso fue justamente lo que sucedió ayer tras el golpe de Estado perpetrado por la Fuerzas Armadas hondureñas en contra del gobierno del Presidente democráticamente elegido, Manuel Zelaya.

Apenas se supo lo acontecido en Honduras, el Consejo Permanente de la Organización de Estados Americanos (OEA), se reunió extraordinariamente cerca del mediodía de Washington para analizar la situación. "Esto ha sido un golpe militar ( ) y tenemos que señalar que se debe restablecer el orden constitucional", exigió el secretario general del organismo, el chileno José Miguel Insulza.

El escenario político hondureño fue descrito por Insulza como "una situación extremadamente grave". El titular de la OEA reiteró que con lo sucedido en Honduras se había "roto una grata tradición en América Latina".

A juzgar por las declaraciones de los 34 embajadores presentes en la sesión, que incluyeron advertencias para no repetir los golpes militares del pasado aún latentes en la memoria colectiva de los latinoamericanos, los diplomáticos se inclinaron por una resolución condenatoria de siete puntos que exige el retorno "inmediato, seguro e incondicional" de Zelaya al poder y convoca a una sesión extraordinaria de la Asamblea General.

El embajador hondureño ante la OEA, Carlos Sosa, manifestó ayer que la meta de su país es recuperar la democracia "a través de fines pacíficos y sin el uso de la fuerza". En ese sentido el diplomático aclaró que Zelaya "no está pidieron asistencia militar".

Retroceso Democrático

A la condena de la OEA se sumó en horas de la tarde la de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), pese a que Honduras no es uno de sus miembros. En su calidad de Jefa de Estado de Chile y presidenta pro témpore del bloque, Michelle Bachelet manifestó que Unasur no apoya "ninguna ruptura al orden institucional (ni) del Estado de derecho que comprometa la estabilidad de la República de Honduras. (...) Lo ocurrido representa un gravísimo retroceso en prácticas que en la región habíamos logrado desterrar".

"La solución de esta crisis debe darse en el marco de las instituciones democráticas y la comunidad internacional desea facilitar ese resultado. Por esta razón también apoyamos fuertemente las gestiones que ha iniciado el secretario general de la OEA", agregó.

El apoyo de Unasur fue transmitido directamente al Presidente Zelaya por Bachelet vía telefónica, quien de la misma forma se contactó con sus homólogos sudamericanos y con el Mandatario mexicano, Felipe Calderón, quien ostenta la presidencia pro témpore del Grupo de Río.

Total e inusual coincidencia

Uno de los primeros en condenar el alzamiento fue el Presidente venezolano Hugo Chávez, quien advirtió que al golpe de Estado "troglodita (...) lo vamos a quebrar", anunciando una "batalla continental" a favor de la restitución de Zelaya. Destacó como una "posición importante" la asumida por Estados Unidos que ayer se desvinculó y condenó lo sucedido en Honduras.

Mientras el Presidente de EEUU Barack Obama llamaba a resolver la situación sin "interferencia del extranjero", su secretaria de Estado, Hillary Clinton, enfatizaba que el golpe de Estado y la detención de Zelaya "violan los preceptos democráticos" de la carta fundacional de la OEA.

En la misma línea se manifestaron el Sistema de Integración Centroamericana (SICA), la Unión Europea (UE), así como el secretario general de Naciones Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

Asimismo los presidentes de la Alternativa Bolivariana para las América (ALBA) se reunieron anoche en una cumbre extraordinaria en Nicaragua a donde viajó el Presidente Zelaya desde Costa Rica. Se adelantó que ese bloque (formado por Bolivia, Cuba, Dominica, Ecuador, Honduras, Nicaragua, San Vicente y las Granadinas y Venezuela) no reconocerá a ningún gobierno hondureño no elegido democráticamente.

Golpe de Estado en Honduras

Agencias

El nuevo Gobierno de Honduras, encabezado por Roberto Micheletti, ha decretado el toque de queda en todo el país durante los próximos dos días para garantizar el orden público después del triunfo del golpe de Estado que este domingo ha terminado con la presidencia de Manuel Zelaya. El toque de queda entrará en vigor a las nueve de la noche (hora local) y se prolongará hasta las seis de la mañana. Mientras, en la calle, grupos de partidarios de Zelaya han comenzado a levantar barricadas y ha entorpecer los accesos al palacio presidencial. La mayoría de los manifestantes llevan cubiertos sus rostros por máscaras y van armados con palos.

En una reunión de urgencia convocada horas después de la expulsión del país del presidente Zelaya, el Congreso de Honduras ha nombrado a Roberto Micheletti, hasta ahora presidente de la cámara, presidente interino del país, en sustitución de Zelaya, secuestrado y deportado a Costa Rica por los militares que se hiceron rápidamente con el control de Tegucigalpa, la capital de Honduras.

Micheletti ocuparía el cargo hasta 2010 para cumplir con el mandato de cuatro años por el que fue elegido Zelaya. "Prometo cumplir la Constitución y las leyes", ha proclamado Micheletti, del gobernante Partido Liberal al prestar juramento. Micheletti ha prometido que "el 29 de noviembre habrá elecciones", tal y como fueron convocadas hace un mes por el Tribunal Supremo Electoral (TSE) para elegir presidente, diputados y alcaldes.

Además, los miembros del Congreso han aceptado una supuesta carta de renuncia firmada por Zelaya, algo que éste ha negado en una conversación telefónica con el presidente de El Salvador, Mauricio Funes, según ha revelado el propio Funes.

Consulta frustrada

El presidente Manuel Zelaya fue detenido por los militares entre las cinco y las seis de la mañana en su domicilio, en la colonia de Tres Caminos, justo cuando creía que ya se había conjurado el peligro de golpe de Estado. En una entrevista concedida a un medio informativo pocas horas antes de su detención, Zelaya Rosales presumía de que el apoyo expreso que había recibido de Estados Unidos había resultado fundamental para que el general insurrecto Romeo Vásquez no se hubiera atrevido a consumar un golpe que ya intentó el jueves sacando a los militares a la calle. La confianza llevó al presidente a abandonar anoche la Casa Presidencial por primera vez desde que estalló el conflicto, provocado por su intención de convocar, para ayer domingo, una consulta popular que abriese el camino de su reelección.

Sin embargo, la intervención militar, con la cobertura del Tribunal Supremo, ha impedido la consulta. Las emisoras de radio y televisión han sido cortadas este domingo, así como la electricidad, y se ha suspendido el transporte público. Tanquetas y camiones llenos de soldados han tomado los puntos estratégicos de la ciudad y varios helicópteros del Ejército no dejan de sobrevolar la Casa Presidencial y el Parlamento.

Zelaya: "Secuestro brutal"

El gobierno costarricense ha confirmado a media tarde la llegada de Zelaya al país. En declaraciones a la cadena multiestatal Telesur, y ya desde San José de Costa Rica, Zelaya ha asegurado que ha sido víctima de un "secuestro brutal" por parte de un "grupo de militares". "Entraron a balazos en el palacio presidencial y mis guardaepaldas aguantaron 20 minutos. Me sacaron en pijama (...) aquí estoy, en Costa Rica, en pijama todavía, y sin calcetines", ha añadido Zelaya en las que han sido sus primeras declaraciones tras el golpe.

El madatario hondureño, ha llamado a la "desobediencia civil pacífica" contra el "Golpe de Estado" y ha asegurado que sus guardaespaldas han peleado durante 30 minutos con los militares antes de que estos lo hayan apresado.

El Tribunal Supremo del país ha informado posteriormente en un comunicado de que ordenó al Ejército detener al presidente Manuel Zelaya por su intento de efectuar el referéndum sobre la Constitución. La primera dama, Xiomara de Zelaya, ha asegurado que se encuentra escondida "en una montaña" del oriente del país, según informa EFE.

Secuestro de embajadores y ministros

El embajador de Venezuela en la Organización de Estados Americanos (OEA) ha denunciado ante este organismo que el embajador de su país en Honduras, así como los embajadores de Cuba y Nicaragua, y la canciller (ministra de Exteriores) de Honduras, Patricia Rodas, también han sido secuestrados "por militares encapuchados". Minutos después, el embajador venezonalo en Tegucigalpa ha confirmado su liberación, así como la de los otros dos diplomáticos.

"Fuimos secuestrados, golpeados por un grupo de integrantes encapuchados de las Fuerzas Armadas cuando visitábamos a Patricia Rodas", ha declarado Laguna a la cadena Telesur. El presidente venezolano y aliado político de Zelaya, Hugo Chávez, ha declarado que el Ejército de su país está "en alerta" y que actuará si su embajador o su embajada son atacados Venezuela responderá con "la guerra".

Según el relato de Laguna, Rodas ha sido "obligada por la fuerza a embarcarse en una furgoneta" y posteriomente ha sido "trasladada a una base aérea. El secretario personal de Zelaya, Eduardo Enrique Reina, ha asegurado que la responsable de Exteriores sigue detenida y que también pesa una orden de arresto sobre el resto de ministros. Medios locales aseguran que al menos ocho ministros han sido ya detenidos, además del propio Reina.

Columnas de humo

La mayoría de medios está haciendo llamamientos a la población a que permanezcan en sus casas y esperen una comunicación oficial. En la capital hondureña se aprecian algunas columnas de humo en distintos puntos y el ejército ha sacado los tanques a la calle. La Policía hondureña ha disparado gases lacrimógenos contra grupos progubernamentales en el centro de la ciudad, informa Reuters.

"Con mucha preocupación la Guardia de Honor nos ha informado de que el presidente fue sustraído por los militares y llevado a la Fuerza Aérea", ha señalado el secretario privado de Zelaya en declaraciones a medios locales. El secretario de Zelaya ha asegurado que "el hecho ya ha sido denunciado ante la comunidad internacional" y ha hecho un llamamiento al pueblo hondureño y a los políticos a que se "manifiesten para defender la democracia".

Esta semana, el presidente hondureño anunció la destitución del jefe del Estado Mayor, el general Romeo Vásquez, lo que provocó protestas enérgicas en el país, muy dividido ante la consulta convocada para este domingo por la que Zelaya pretendía reformar la Constitución para prolongar su mandato cuatro años más.

domingo, 28 de junho de 2009

Una recuperación muy difícil

Alejandro Nadal
La Jornada

Desde hace varias semanas se intensifica una ofensiva publicitaria con un llamativo mensaje: la recuperación está a la vista, lo peor de la crisis ya pasó. Detrás de esta campaña están los grandes representantes del sistema financiero, con Goldman Sachs al frente. La premisa central de esta narrativa es que estamos frente a una recesión como todas las demás. Lo que hace falta es recuperarnos y regresar a donde estábamos, es decir, en el festín de la especulación financiera.

Son dos los principales indicadores que se presentan como clara señal de que la recuperación ya está en marcha. El primero es el repunte del mercado bursátil enEstados Unidos a partir de mayo. Pero es bien sabido que aún si la bolsa de valores comienza a redimirse, eso no necesariamente anuncia una recuperación económica. La historia de las recesiones estadunidenses de los últimos 20 años debería servir de lección. En algunos casos (por ejemplo, en 2001), la recesión ya se había terminado y el mercado bursátil marchaba a la zaga. Los humores de la bolsa de valores no son un buen indicador del final de la crisis.

La segunda señal positiva es que la contracción de la economía de Estados Unidos es ahora más lenta que en la segunda mitad de 2008 o que en el primer trimestre de 2009. Es cierto, la caída ya no es tan feroz y parece que la rápida y decidida intervención del gobierno estadunidense (y de otros países, como China) pudo evitar la deflación desenfrenada y una desvalorización todavía más dramática en activos financieros, una peor caída en las inversiones y mayor desempleo con el desplome de la demanda, etc. Se dice que se pudo evitar caer en el precipicio de la depresión.

Pero eso no significa que la contracción terminó. Puede ser más lenta, pero no ha regresado el crecimiento. Eso explica que el desempleo siga aumentando en las economías industrializadas (superará en algunos casos tasas de 11 por ciento), lo que significa no sólo una insuficiente demanda efectiva, sino menor capacidad de los hogares para resolver su situación de endeudamiento excesivo. Esto es particularmente grave en Estados Unidos, donde la relación entre endeudamiento e ingreso disponible creció hasta hacerse insostenible.

Por eso las familias buscan reducir sus deudas en tarjetas de crédito y otros instrumentos, más que mantener su nivel de consumo. Así, una buena parte del estímulo fiscal se destinó al ahorro y pago de deudas, más que al consumo. Aún así, no se ha podido frenar el incremento de la cartera vencida. Como los hogares van a seguir presionados para rehacer sus ahorros y salir del círculo vicioso del endeudamiento, el consumo no repuntará fácilmente. Una buena parte del consumo privado en Estados Unidos estuvo apuntalado por crédito contra el valor de los activos residenciales. Al desplomarse el valor de las casas, el consumo contra ese valor ha llegado a cero. Y no hay que olvidar que el precio de las casas sigue cayendo (y probablemente se reducirá otro 15 por ciento en los próximos meses).

Por el lado de las empresas, la crisis también estalla en el contexto de una sobreinversión colosal en muchísimas ramas de la industria. Y si a eso añadimos la contracción en la demanda, se observa que la capacidad de las empresas para manipular precios y aumentar sus ganancias se verá reducida. Por eso las inversiones productivas tenderán a mantenerse estancadas porque la rentabilidad va a seguir muy deprimida.

Las perspectivas de lento crecimiento de la economía estadunidense son normales: una crisis en la que se ha visto envuelto todo el sistema financiero y crediticio del país no se resuelve en unos 10 o 12 meses, aún con la inyección masiva de liquidez que ha realizado la Reserva Federal. La intoxicación del sistema financiero sigue siendo colosal y cuando el crédito regrese lo hará a cuentagotas. Es evidente que cuando la economía estadunidense vuelva a crecer lo hará a un ritmo muy por debajo de su promedio histórico, con tasas inferiores a uno por ciento. Con ese ritmo de crecimiento los altos niveles de desocupación van a mantenerse durante muchos meses en Estados Unidos.

En México la idea de que ya pasó lo peor de la crisis ha sido transmitida por viejos funcionarios como José Ángel Gurría. El objetivo es proteger el absurdo modelo neoliberal, justificar la inacción del gobierno y fomentar la generación de expectativas favorables. Como si se pudieran crear expectativas positivas, cuando todos los aspectos fundamentales de la economía mexicana están fracturados.

En el mejor de los casos, una recuperación robusta de la economía estadunidense apenas le permitiría a México retornar a las mediocres tasas de semiestancamiento de 2.5 por ciento anual, con todos los problemas que se acumulan día con día. Una recuperación letárgica del país norteño intensificará todas las contradicciones que ya pesan peligrosamente sobre la economía mexicana, hasta hacerlas estallar. El único camino es un viraje estratégico y un cambio de modelo económico.

sábado, 27 de junho de 2009

Italia: la mafia en el poder

La Jornada

Hace unos días, el primer ministro italiano, Silvio Berlusconi, pidió a una agrupación de jóvenes empresarios que impusieran un boicot publicitario contra el periódico La Repubblica, al que acusó de “subversivo”. En respuesta, el grupo editorial de ese rotativo, prácticamente el único en Italia que no ha sucumbido al poderío empresarial y político del gobernante, anunció una demanda contra éste. La medida no prosperará en tanto Berlusconi siga detentando la primera magistratura por una razón simple: la coalición legislativa mayoritaria, sometida al jefe de gobierno, impuso una ley que le concede una inmunidad que parece, en su caso, impunidad absoluta.

Por supuesto, La Repubblica no alienta la subversión, sino que se limita a cumplir su función informativa, y parte de ella está relacionada con la abrumadora corrupción y la exasperante descomposición moral que caracterizan al entorno de Berlusconi, sobre quien pesan numerosas acusaciones por toda suerte de delitos, y si a alguien cabe atribuir la condición de subversivo es, en todo caso, a él, pues mediante los poderes fácticos de su grupo –en el que las empresas mediáticas desempeñan una importancia estratégica– tomó por asalto las instituciones italianas y las puso al servicio de sus propios intereses económicos y de los de sus socios. Un dato adicional a tomar en cuenta es que, para el potentado y político milanés, La Repubblica no sólo representa el último bastión del periodismo independiente y crítico sino también un formidable competidor comercial.

Al leer lo dicho por Berlusconi a los empresarios acerca de La Repubblica –“sería masoquismo dar publicidad a medios que hablan siempre de crisis”– resulta inevitable recordar la frase tristemente célebre del ex presidente José López Portillo cuando anunció el embargo de publicidad estatal a la revista Proceso, a principios de la década antepasada –“no pago para que me peguen”–, y los atropellos cometidos desde instancias del poder público de diversas naciones –la nuestra, entre ellas– mediante la asignación o la negación discrecional de la publicidad oficial, como si ésta se pagara con recursos privados de los gobernantes y no con dinero público y sujeto, por lo tanto, a escrutinio, rendición de cuentas y criterios justos y equilibrados de distribución.

Al mismo tiempo que se empeña en amordazar al diario referido, Berlusconi debe hacer frente al escándalo desatado por la revelación de las actividades que tienen lugar en su lujosa mansión de Modugno, en donde el primer ministro y sus socios suelen o solían llevar a cabo fiestas sexuales con muchachas, menores de edad algunas de ellas, específicamente contratadas, al parecer, para proporcionar servicios sexuales a los invitados. En el contexto de este escándalo, delincuentes desconocidos incendiaron en la madrugada de ayer el automóvil de Barbara Montereale, una de las jóvenes que acudieron a las farras en la residencia de Berlusconi y que ahora es una testigo clave en la investigación judicial correspondiente. La agresión tiene toda la apariencia de un mensaje mafioso, enviado a Montereale por el entorno del primer ministro.

La descomposición institucional en Italia ha sido llevada a extremos gravísimos: hoy en día, en ese país europeo, el poder político, los poderes mediáticos y empresariales privados y los intereses mafiosos se concentran en una sola persona –Silvio Berlusconi– y el hecho constituye una regresión civilizatoria que no tiene precedentes en Europa desde el fin de la Segunda Guerra Mundial. Este escenario desolador podría repetirse en otros países –México, entre ellos– si no se establece una división legal clara, tajante y terminante a la incursión de los poderes fácticos empresariales –legales, o no– en la vida política.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Gramsci no seu tempo

Giuseppe Vacca
Gramsci e o Brasil

Desde 1957, a cada dez anos, o aniversário da morte de Gramsci é a ocasião de seminários de estudos nacionais e internacionais, quase sempre promovidos pelo Instituto que traz seu nome e preparados com muito cuidado. Poder-se-ia dizer que constituem uma “tradição”, caracterizada tanto por constantes quanto por variações. Entre as primeiras, pode-se sublinhar o método histórico, vale dizer, o esforço de relacionar o pensamento de Gramsci com o contexto histórico; o debate entre estudiosos das mais diferentes inspirações culturais e campos de investigação, influenciados pela leitura de Gramsci, mas não necessariamente especialistas do seu pensamento e frequentemente “antigramscianos”; o objetivo de fazer um balanço da difusão dos seus escritos e de promovê-la; o envolvimento de figuras eminentes de estudiosos estrangeiros influenciados, de modo variado, pelo pensamento de Gramsci. Entre as segundas, podemo-nos limitar a indicar o objetivo de formular uma interpretação deste pensamento e de promover um diálogo entre os estudiosos de Gramsci italianos e estrangeiros.

Os elementos indicados repetem-se em todos os seminários a cada dez anos, diferentemente combinados entre si. A incidência maior ou menor de um ou de outro elemento pode ser referida principalmente aos seguintes fatores: a relação do Instituto Gramsci com o PCI; a situação política e cultural do período; os desdobramentos dos estudos gramscianos e o debate, até mesmo acalorado, entre as diferentes interpretações.

A relação do Instituto Gramsci com o PCI deve ser especificada. Até 1982, o Instituto era uma seção de trabalho do comitê central do partido. Mas só o primeiro seminário, inspirado por Togliatti e intitulado “Estudos gramscianos” (Roma, janeiro de 1958), pode ser considerado uma projeção direta da política cultural do PCI. Na sua realização, os elementos indicados apresentavam um notável equilíbrio, mas prevalecia a intenção de inaugurar uma nova interpretação de Gramsci atribuída principalmente ao texto de Togliatti e coerente com a inovação política que ele tentava promover (a via italiana para o socialismo). Além disso, dava-se grande impulso à historicização do pensamento de Gramsci e ao debate entre os intérpretes italianos e estrangeiros.

No entanto, o segundo seminário, “Gramsci e a cultura contemporânea” (Cagliari, abril de 1967), foi promovido por um grupo de professores das universidades de Cagliari e de Sassari. Não se pode dizer que não estivesse em sintonia com a política cultural do partido, que, de resto, compartilhava a iniciativa, mas o seminário se caracterizou principalmente por um balanço e uma promoção da presença de Gramsci na cultura acadêmica, repetindo suas divisões disciplinares e distanciando profundamente o Gramsci “pensador” e “homem de cultura” do político.

O terceiro seminário, “Política e histórica em Gramsci” (Florença, dezembro de 1977), foi promovido e preparado cuidadosamente pelo Instituto Gramsci, mas não se pode dizer que fosse inspirado pela direção do partido. Na sua estruturação prevaleceu a marca do grupo de intelectuais mais diretamente empenhados nas atividades do Instituto. Eram ao mesmo tempo estudiosos e dirigentes de partido claramente críticos em relação à formulação do seminário de Cagliari, e, valendo-se sobretudo da edição crítica dos Cadernos publicada no ano anterior, deslocaram a ênfase para a unidade da figura de Gramsci como pensador e homem de ação, e sobretudo como teórico da transição ao socialismo. Não é fácil dizer em que medida a iniciativa fosse compartilhada pela, ou imposta à, direção do partido; o certo é que, entre o volume que recolhe os textos preparatórios e que foi publicado com notável antecipação em relação ao seminário, e o volume que recolhe os textos do próprio seminário, aparecem consideráveis assimetrias, provavelmente originadas pela exigência de diluir o impacto da formulação inicial do seminário sobre a orientação política do PCI, que naquele período estava empenhado nas difíceis vicissitudes dos governos de solidariedade nacional.

Também o quarto seminário foi idealizado e promovido pelo Instituto Gramsci, neste meio-tempo transformado em Fundação, e tinha uma conotação predominantemente interpretativa. O tema “Moral e política em Gramsci” (Roma, junho de 1987) e a estruturação do seminário, cujos textos não foram publicados, ressentiam-se das incertezas e do ecletismo da orientação do partido, no qual a própria noção de “política cultural” já estava em desuso.

Entre os anos setenta e oitenta, graças à edição crítica dos Cadernos e sua crescente fortuna internacional, Gramsci já era geralmente considerado um clássico do pensamento político do século XX e, no entanto, sua influência na cultura italiana decaíra drasticamente. Paradoxalmente, foi 1989 o que favoreceu a retomada de interesse, depois da longa agonia do PCI que acompanhara o eclipse e a marginalização do seu pensamento. A iniciativa mais relevante do Instituto foi a proposta de uma Edição Nacional dos escritos de Gramsci, que, entre outras coisas, confirma seu reconhecimento como clássico. A proposta teve uma gestação atribulada, e o projeto só começou em 1998. Mas seu lento amadurecimento já influenciara o modo de estruturar as celebrações decenais.

O seminário de 1997, “Gramsci e o século XX” (Cagliari, abril de 1997), propunha-se mais uma vez “interrogar” o pensamento gramsciano “a partir do presente”, mas o fazia de modo diferente do passado. Já a escolha do tema sugeria a intenção de uma historicização mais ponderada. Em segundo lugar, os temas das intervenções originavam-se das novas pesquisas estimuladas pelo seminário de 1977, que enfatizara os conceitos de “revolução passiva” e “crise orgânica”, deslocando o foco para a interpretação gramsciana do moderno, do americanismo e do fascismo, e inovara o conceito de hegemonia. Portanto, o seminário de 1997 permitia propor aos intérpretes, tanto italianos quanto estrangeiros, sondagens de amplo espectro sobre nós cruciais da história do século XX, empregando como reagentes as categorias fundamentais dos Cadernos. Repropor a leitura de Gramsci focalizando a relação entre seu pensamento e o século XX era um modo de relançar o método histórico como sua chave interpretativa, mantendo distância, no entanto, das disputas ideológicas e das leituras voltadas para a política contingente de uma facção ou de outra.

Nesta trilha trabalhamos no seminário de 2007, cujo título manifesta a intenção de uma historicização integral. Parece-nos útil um esclarecimento de tal propósito. A escolha de promover uma Edição Nacional dos escritos de Gramsci pretendeu corresponder a uma redefinição das tarefas fundamentais da Fundação. Entre os primeiros a reconhecer a Gramsci o status de clássico, o mais respeitado foi Valentino Gerratana, que não casualmente propôs este conceito justamente no momento em que publicava a edição crítica dos Cadernos. Em seguida, Gerratana voltou a esta definição e, em 1991, especificou-a do modo seguinte: “clássico é um autor que vale a pena reler e reinterpretar à luz de novas exigências e de novos problemas”. É uma das definições possíveis, certamente legítima para o “filósofo individual”, mas seria válida para uma fundação cultural que traz o nome de Gramsci? Seria válida depois dos progressos realizados pela crítica gramsciana em setenta anos? Gramsci é um autor póstumo que não deixou “obras”, mas uma imensa quantidade de escritos jornalísticos, de intervenções políticas, de cartas e apontamentos inéditos que constituem o calhamaço de manuscritos do cárcere. É, pois, um “clássico” inteiramente particular, cujos escritos tornam-se “obras” através do atento trabalho dos editores e cujo pensamento vive e muda segundo os progressos e as diferenças das suas edições (não há edição de um “clássico” que dele não proponha também uma ou mais interpretações, e isso é verdade sobretudo para um autor como o nosso).

A Fundação Instituto Gramsci iniciou o projeto da nova edição crítica de todos os escritos de Gramsci porque os desenvolvimentos da documentação e da pesquisa demonstravam a necessidade e sugeriam os critérios para superar as edições anteriores: dos escritos jornalísticos e políticos, que requeriam uma verificação das atribuições e um aparato crítico que permitisse sua melhor contextualização; do epistolário, que não podia mais ser limitado às cartas escritas por Gramsci entre 1908 e 1937, mas devia também compreender as cartas dos seus correspondentes e as “correspondências paralelas”: em particular, entre Piero Sraffa e Tania Schucht, e entre Tania e seus familiares, ambas essenciais para a biografia do prisioneiro; e, enfim, dos Cadernos, porquanto a exclusão dos cadernos de tradução da edição Gerratana revelava-se cada vez mais manifestamente injustificada e critérios mais precisos de datação dos parágrafos foram elaborados neste meio-tempo. Por outro lado, o crescente desenvolvimento das traduções das Cartas e dos Cadernos, a difusão dos estudos gramscianos no mundo, sua diferenciação disciplinar, política e cultural faziam-nos perceber como uma responsabilidade da cultura italiana preparar uma edição crítica integral dos escritos de Gramsci, a mais cuidadosa que o progresso das pesquisas e da documentação pudesse permitir: uma tarefa que só a “cultura nacional” que tinha dado origem ao seu pensamento podia realizar e que a Fundação Instituto Gramsci devia assumir, tornando-a seu principal desafio.

Nesta escolha talvez haja um modo diverso de conceber o caráter “clássico” de Gramsci. Poder-se-ia dizer assim: “clássico” é um pensador com cujo pensamento todo aquele que, depois dele, enfrentar os grandes problemas em torno dos quais se atormentou sua reflexão não pode — ou pelo menos não deve — deixar de debater. Não é uma definição inconciliável com aquela proposta por Gerratana. Certamente, “clássico é um autor que vale a pena reler e reinterpretar à luz de novas exigências e de novos problemas”, mas fornecer os instrumentos que permitam relê-lo em bases filológicas e críticas mais sólidas é uma garantia para respeitar seu “ritmo de pensamento em desenvolvimento” e imunizar o intérprete contra a tentação de “forçar os textos”. Isso é ainda mais verdade quando são novas exigências e novos pensamentos que nos fazem voltar às páginas iluminadoras de um clássico da filosofia da práxis. Historicizar não é relativizar e muito menos neutralizar. Quanto mais se historiciza, tanto mais se multiplicam e se enriquecem, mas também se redefinem e encontram fundamento as perspectivas de leitura dos textos, e o intérprete pode verificar a pertinência e a validade das “novas exigências” e dos “novos pensamentos” que o levam a reinterrogar o autor.

O trabalho de mais do que uma década para a Edição Nacional está na base do seminário de 2007. A nova investigação biográfica começada em 1990, a aquisição de novos documentos relativos à vida de Gramsci, à história do PCI e do comunismo internacional, os progressos dos estudos gramscianos na Itália e no exterior, o refinamento dos instrumentos filológicos marcaram as pesquisas de um número significativo de estudiosos jovens e não tão jovens. A dispersão dos documentos nos arquivos italianos e estrangeiros, bem como a complexidade do trabalho dos organizadores dos volumes não nos permitiram proceder mais celeremente, mas isto será possível agora que as pesquisas estão substancialmente ultimadas. Através da preparação da Edição Nacional formaram-se novos estudiosos e novas investigações.

O conjunto da experiência acumulada nos permite tentar uma historicização geral da obra de Gramsci que não se poderia arriscar nos seminários anteriores. Portanto, em conclusão, convém dizer algo sobre os critérios seguidos na estruturação do seminário e do modo pelo qual se apresentam seus resultados. Em 2007 ocorreram dezenas de seminários dedicados a Gramsci na Itália e no mundo, para cuja realização a Fundação contribuiu e de muitos dos quais participou. Da sua parte, não se limitou a promover, em colaboração com a Fundação Gramsci da Puglia, o encontro de Bari-Turi, mas também dedicou um denso seminário internacional à influência de Gramsci sobre os Cultural Studies, Subaltern Studies e Postcolonial Studies, promovido com a International Gramsci Society-Itália (Roma, abril de 2007).

“Gramsci no seu tempo”, em vez disso, foi reservado aos pesquisadores italianos com o objetivo de verificar o amadurecimento dos estudos gramscianos diante da tarefa de reconstruir os contextos do seu pensamento, a rede das suas interações e, sobretudo, a relação entre teoria e biografia. Quisemos assim pôr à prova nossa capacidade de contribuir para aquela tarefa da cultura italiana de que falamos a propósito da Edição Nacional, e não é um acaso que muitos dos estudiosos que dela participam apareçam entre os relatores do seminário. Naturalmente, reconstruir os contextos do pensamento e da ação de Gramsci requer a cooperação de estudiosos de várias disciplinas humanistas que interagem com sua obra mesmo quando não se trate de “especialistas” desta mesma obra. O limite dos nossos conhecimentos e do espectro dos investigadores de que podíamos dispor não nos permitiu cobrir todos os lados de uma figura tão poliédrica como a de Gramsci. No entanto, parece-nos que realizamos um significativo passo adiante para lançar as bases de uma biografia gramsciana de que a cultura italiana e a comunidade científica internacional ainda não dispõem.

O seminário requereu uma longa preparação e um trabalho intenso de coordenação das pesquisas e dos dias em que elas foram apresentadas. A ordem em que foram recolhidas nos parece melhor do que aquela seguida durante os trabalhos do seminário. Além disso, as intervenções foram reelaboradas pelos autores, tendo em conta o debate ocorrido no seminário e realizando um elogiável esforço para conter o próprio texto nos limites permitidos pelo volume, ainda que alentado, dos anais.

Não nos cabe avaliar os resultados alcançados; de todo modo, não podemos deixar de sublinhar que o conjunto dos textos constitui uma proposta de biografia política e intelectual de Gramsci muito mais rica e articulada — quanto aos temas e à periodização — do que aquilo de que se dispõe até agora. Muitas investigações realizadas para o seminário apresentam novidades de leitura particularmente significativas. No conjunto, parece-nos que o enquadramento histórico mais preciso do pensamento de Gramsci produz inovações teóricas múltiplas que não se referem só à interpretação do autor, mas são ricas de sugestões para a investigação histórica, filosófica e crítica em geral. Portanto, vale o critério segundo o qual quanto mais se historiciza o pensamento de um clássico, tanto mais se regenera sua validade, abrindo sua obra para inovações heurísticas plurais, como é justo que seja. Por isso, são muito sentidos os agradecimentos aos estudiosos que contribuíram para o seminário, aos colaboradores da equipe técnica da Fundação Instituto Gramsci e da Fundação Instituto Gramsci da Puglia, bem como à Região da Puglia, que, graças à sensibilidade do presidente Nichi Vendola e da secretária de Cultura e de Mediterrâneo, Silvia Godelli — aliás, valorosos intelectuais de formação gramsciana, além de políticos —, nos permitiram realizá-lo. O agradecimento que a eles dirigimos é ainda mais sentido na medida em que nos permitiram realizar o seminário inclusive na cidadezinha [Turi] em que Gramsci, recluso, concebeu e escreveu a maior parte dos cadernos e das cartas do cárcere.

Entre aqueles que aderiram com entusiasmo à iniciativa estava Giorgio Sola, finíssimo estudioso de ciência política, que deveria apresentar um texto sobre as relações de Gramsci com o elitismo, mas veio a falecer poucos meses antes do seminário. Era um interlocutor sensível dos nossos estudos gramscianos e um dos poucos politólogos italianos a carregar Gramsci na própria bagagem teórica e cultural. Além disso, era um amigo, sóbrio e reservado, mas intensamente participante da comum paixão ético-civil. Recordamo-lo brevemente na abertura do seminário e o recordamos mais uma vez, dedicando-lhe a publicação dos anais.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Jaques Rancière: "El odio a la democracia"


Luis Roca
Rebelión

Jacques Rancière pertenece a la fructífera generación de filósofos franceses nacidos en los años 40 que fueron discípulos de Althusser, ajustaron cuentas con su maestro y acabaron superándolo con un elaborado trabajo crítico en la tradición de la izquierda radical ( como Balibar, Laclau, Badiou ...). Rancière llega a la conclusión, después de mayo del 68, que Althusser, con su dicotomía ciencia/ideología y su teoría del partido como vanguardia del movimiento obrero lo que está haciendo es formular una ideología del orden.

El libro que nos ocupa es un breve pero extraordinario libro de filosofía política, entendiendo este término como crítica de la opinión, de la ideología ; crítica por tanto del tópico entendido como un lugar común claramente establecido para despojar un término de su sentido crítico y convertirlo en una pura retórica vacía. Hoy, ya lo sabemos, “todo el mundo hoy es democrático”, desde Arnaldo Otegui hasta Josep Anglada, pasando por Mariano Rajoy o José Luis Rodríguez Zapatero.

Lo que nos propone Rancière es una densa e interesante reflexión que gira en torno a tres ideas claves : 1) La democracia tiene un significado revolucionario claro y preciso al que es necesario volver ; 2) Las sociedades autoproclamadas democráticas son en realidad oligarquías con forma representativa; 3) El odio a la democracia tiene hoy un sentido nuevo y paradójico que hay que entender correctamente para combatir.

La primera idea es muy radical porque lo que formula es que política y democracia son lo mismo. Si no hay democracia no hay política, solo hay la lógica policial del Estado de distribuir las jerarquías y los espacios sociales. La democracia es un espacio común que se apropia de lo que el Estado quiere acaparar en exclusiva, que es lo público, Por esto la democracia es siempre un escándalo para las diversas élites , ya que lo que propone es que puede gobernar cualquiera. El Estado impone siempre la lógica de la despolitización y la democracia es la lucha, por tanto, contra esta tendencia a la privatización de lo público.

La democracia no es una forma de gobierno y aunque la república sería la forma más favorable, la relación entre ambas es paradójica, ya que toda institución lucha por suprimir este exceso democrático que es dar la palabra, el poder a cualquiera. Lo cual no quiere decir que la democracia va siempre contra el Estado, ya que está en permanente tensión con las instituciones que lo configuran. Democracia no es lo mismo que gobierno representativo aunque este la pueda favorecer. La democracia nace en Grecia como la ley de la suerte, la del azar, que es la que funcionaba en Atenas para elegir a los gobernantes. Y el buen gobierno es el de los que no desean gobernar. El peor es el de los que aman el poder y son hábiles para adueñarse de él.

Esto nos lleva a la segunda idea, que plantea que lo que domina en las llamadas democracias es un sistema representativo de carácter oligárquico. Un gobierno representativo democrático supone mandatos electorales cortos, no acumulables, no renovables e incompatibilidad con otros cargos públicos o con intereses privados. Lo contrario lleva a un gobierno elegido, por tanto representativo, pero oligárquico, que acapara la cosa pública a través de una alianza con la oligarquía económica.

Esta oligarquía estatal considera que el axioma básico e incuestionable es que el movimiento capitalista globalizador responde a la necesidad histórica de la modernización y que cualquier duda al respecto es una postura arcaica. Lo que este sistema implica es que la sociedad no es democrática y por tanto el pueblo queda excluido de la política, lo cual produce un malestar que tiene diferentes síntomas que van desde el apoyo a los grupos populistas de extrema derecha hasta los integrismos religiosos, pasando por los movimientos nacionalistas...

Ahora bien, Rancière tampoco está de acuerdo en caracterizar estas supuestas democracias como un estado de excepción, como un campo de concentración encubierto, en el sentido formulado por Giorgio Agamben. Hay que reconocer que este gobierno representativo al ser elegido y renovable marca unos límites a las élites dominantes y a la corrupción administrativa. También la existencia de libertades individuales y políticas son una ventaja para la democracia.

Finalmente la tercera idea es que el odio a la democracia adquiere hoy nuevas formas. Las formas tradicionales de este odio venían o bien de la derecha (que sólo un grupo puede gobernar, esté determinado por la propiedad, la filiación o la competencia) o bien de la izquierda (la democracia es una forma de gobierno burguesa). Ahora es la derecha liberal la que por una parte denuncia los excesos democráticos y al mismo tiempo utiliza la democracia como justificación de sus ataques imperialistas (Irak). Es decir, que la democracia es al mismo tiempo una defensa contra los peligros externos para la civilización y al mismo tiempo un peligro interno para ella misma. ¿Como resuelve esta contradicción ? Pues defendiendo las instituciones y criticando las costumbres democráticas. La democracia, dicen, ha creado un reino de individuos consumidores sin límites que no tienen sentido del bien común y solo defiende sus intereses particulares.

Lo que olvidan estos ideólogos, formados en el marxismo y resentidos contra sus expectativas pasadas, es que la causa de lo que critican es el capitalismo y no la democracia. Todos los movimientos reivindicativos son tachados de corporativos y egoístas porque defiende intereses particulares contra el interés general.

Como punto final Rancière plantea la necesidad de dar a estos movimientos defensivos, de resistencia frente al Estado y el Capital un carácter universal a sus demandas específicas. Solo así serán política, es decir, el suplemento que pone el pueblo a lo institucional, que no es otra cosa que lo policial.

Un libro escueto, denso y claro. Imprescindible porque da que pensar y lo hace desde una perspectiva de izquierda que nos permite recuperar el término democracia para una tradición de la que no puede ni debe separarse.