quarta-feira, 29 de abril de 2015

O ecosocialismo: um projeto promissor face à crise ecológica mundial

Leonardo Boff
Adital

Uma das mais palavras mais difamadas na linguagem política neoliberal e capitalista é seguramente a de "socialismo”. Entende-se o porquê, pois ele comparece na história como um projeto alternativo à perversidade do capitalismo seja como modo de produção seja como cultura globalizada, hostil à vida e incapaz de trazer e generalizar felicidade.

Alega-se que o socialismo nunca deu certo em nenhum lugar do mundo. Talvez uma das razões de manter o boicote a Cuba socialista por tantos anos da parte dos EUA se deva à vontade de mostrar ao mundo que o socialismo realmente não presta e não deve ser buscado como forma de organização da sociedade. E Obama teve que reconhecer que nisso os EUA fracassaram. O capitalismo não é a única forma de organizar a produção e uma sociedade. Ademais houve a implosão do socialismo realmente existente na URSS, o que suscitou um entusiasmo quase infantil ao ideal capitalista como triunfador e a verdadeira solução final dos problemas sociais, o que revelou ilusório e falso.

Mas é forçoso reconhecer que aquele "socialismo” nunca foi o socialismo pensado por seus teóricos já há três séculos. Na verdade, era um capitalismo do Estado autoritário, pois somente este podia acumular e através dele e dos membros do partido construir o projeto socialista e não por todo um povo.

Mas se tomarmos como parâmetro critérios humanísticos, éticos e sociais mínimos, devemos reconhecer que o produtivismo em geral e o capitalismo como sua expressão maior, também não deram certo. Como pode dar certo um sistema que se propõe um mesquinho ideal de enriquecimento ilimitado, sem qualquer consideração? Subjugou a inteira classe operária na Europa e alhures aos interesses do capital, acirrando a luta de classes, conquistou e destruiu inteiros povos na África e, em parte, na América Latina, reduzindo-os até hoje à miséria e à marginalidade. Devastou e continua devastando inteiros ecossistemas, desflorestando grande parte da área verde do mundo, envenenando os solos, poluindo as águas, contaminando o ar, erodindo a biodiversidade na razão de cem mil espécies de seres vivos por ano, segundo dados do eminente biólogo Edward O. Wilson, destruindo a base físico-química que sustenta a vida e pondo em risco o futuro de nossa civilização, suscitando a imagem tétrica de uma Terra depredada e coberta de cadáveres e eventualmente sem nós, como espécie humana? Esse sistema, pelos cálculos feitos por economistas que assumem o dado ecológico, serve bem apenas a cerca de dois bilhões de pessoas que se afogam no consumo suntuoso e no desperdício atroz. Ocorre que somos já mais de sete bilhões de pessoas, das quais quase um bilhão vive na mais canina pobreza e miséria. Mais ainda, e os cálculos foram feitos: se este sistema quisesse universalizar o bem-estar dos países opulentos como os EUA e a Europa, precisaríamos de pelo menos três Terras iguais a esta.

Que sistema atenderá as necessidades fundamentais da humanidade carente? Não será o capitalismo que, lá onde chega, traz logo duas injustiças: a social com a riqueza de poucos e pobreza de muitos, à base da exploração, e a ecológica com a devastação maciça da natureza. Sobre ele, um dia que não saberemos quando, virá, severo, o juízo da história e se cobrará dele as milhões de vítimas produzidas nos séculos de sua vigência, cujos gritos sobem ao céu clamando por uma justiça mínima e pelo respeito à sua dignidade, sempre negada.

Deixando de lado os vários tipos de socialismo a começar pelo socialismo utópico (Saint Simon, Owen, Fourier), o socialismo científico (Marx e Engels), o socialismo autoritário-ditatorial (estalinismo) e o socialismo democrático (Schumpeter; não confundi-lo com a social democracia), restringimo-nos ao ecossocialismo contemporâneo. Surgido nos anos 1970 com Raymond Williams (Inglaterra), James O’Connor (USA), Manuel Sacristán (Espanha) e entre nós com Michael Löwy (O que é ecossocialimo, Cortez 2015), ele afasta-se dos socialismos anteriores e apresenta uma proposta radical que “almeja não só a transformação das relações de produção, do aparelho produtivo e do padrão de consumo dominante, mas sobretudo construir um novo tipo de civilização, em ruptura com os fundamentos da civilização capitalista/industrialista ocidental moderna” (Löwy, p. 9-10).

Os tópicos principais desta proposta foram expostos no Manifesto Ecossocialista Internacional (2001) que deu origem à Rede Ecossocialista Internacional (2007). Na Declaração Ecossocialista de Belém (2007) se diz claramente: “a humanidade enfrenta hoje um escolha extrema: ecossocialismo ou barbárie…visa-se parar e inverter o processo desastroso do aquecimento global em particular e do ecocídio capitalista em geral, e construir uma alternativa prática e radical ao sistema capitalista” (Löwy, pp. 114 e 119). Todos estes textos se encontram no livro de Michel Löwy.

Esta proposta se alinha ao que também propõe a Carta da Terra, fruto de uma vasta consulta na humanidade e longa maturação até ser aprovada e assumida pela UNESCO em 2003. Dentro de pouco seremos todos ecossocialistas não por opção ideológica, mas por razões matemáticas: dispomos apenas dos escassos bens naturais existentes com os quais devemos atender a todos os humanos e a toda comunidade de vida. Ou repartimos tais bens com um mínimo de equidade entre todos ou não haverá uma Arca de Noé que nos salvará. É vida ou morte.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Una aclaración con respecto al populismo

Slavoj Zizek
Público

Una entrevista que concedí hace poco, publicada primero en México y luego otra vez en la prensa latinoamericana y española, habría dado lugar a una idea por completo equivocada acerca de mi posición con respecto a la reciente tendencia populista de la política radical de izquierdas. Si bien es cierto que la revolución Bolivariana en Venezuela puede ser objeto de muchas críticas, algunas de ellas merecidas, no deberíamos olvidar que también ha sido víctima de una campaña contra-revolucionaria muy bien orquestada; en especial de una larga guerra económica.

No se trata de una táctica novedosa. Unos años atrás, durante los tempranos setenta, el entonces asesor de seguridad estadounidense Henry Kissinger aconsejó a la CIA sobre la mejor manera de desestabilizar el gobierno democrático del presidente Salvador Allende en Chile. Tras una reunión con Kissinger y el presidente Nixon el 15 de septiembre de 1970, el entonces director de la CIA Richard Helms escribió en sus notas la instrucción sucinta recibida de éstos: “¡Hagan que la economía chilena grite de dolor!”. Altos representantes del gobierno estadounidense han reconocido que el mismo procedimiento está siendo aplicado en Venezuela.

Hace apenas un par de años, el antiguo Secretario de Estado de los Estados Unidos, Lawrence Eagleburger, declaró ante el canal de noticias Fox que la relación entre el presidente Hugo Chávez y el pueblo venezolano “funcionará solamente si la población de Venezuela continúa percibiendo en su gobierno alguna capacidad para mejorar sus estándares de vida. Si en algún momento la economía comienza a ir mal, la popularidad de Chávez comenzaría a decrecer. Estas son las armas que tenemos contra él, y que deberíamos estar usando. Es decir, las herramientas económicas para hacer que la economía venezolana empeore, de manera que la influencia del chavismo en el país y la región se vaya a pique… Todo lo que podamos hacer para que la economía venezolana se encuentre en una situación difícil está bien hecho; pero hay que hacerlo de manera tal que no entremos en una confrontación directa contra Venezuela, si podemos evitarlo”.

Lo menos que se podría decir acerca de afirmaciones como esta es que dan credibilidad al argumento según el cual las dificultades económicas que enfrenta el gobierno bolivariano no son simplemente el resultado de su ineptitud en materia de política económica.

Este es el punto clave, políticamente hablando, que los liberales no pueden digerir: con toda claridad, no estamos tratando aquí con fuerzas de mercado ciegas o con reacciones naturales. Digamos por ejemplo, con los dueños de las tiendas y supermercados intentando obtener ganancias mayores mediante el acaparamiento, u ofreciendo sus productos en mercados más favorables. Antes bien, se trata de estrategias bien planificadas y muy sofisticadas. Si ello es así, ¿no se justifica entonces que el gobierno use la fuerza legítima –una suerte de terror, diríase – como medida defensiva? Por ejemplo, que la policía haga redadas en bodegas secretas, o detenga a los acaparadores y coordinadores de la guerra económica que causa escasez. Y cuando el 9 de marzo de este año el presidente Obama expidió una orden ejecutiva declarando a Venezuela una “amenaza contra la seguridad nacional” de los Estados Unidos, ¿no dio luz verde a quienes buscan “abreviar” el período del presidente Maduro, o llevar a cabo un golpe de estado? En un tono algo más moderado, más “civilizado”, es lo mismo que está ocurriendo con Grecia.

Nos enfrentamos hoy a la enorme presión de lo que deberíamos llamar sin ninguna vergüenza como “propaganda enemiga”. Según Alain Badiou, “el objetivo de la propaganda enemiga no es aniquilar a la fuerza adversaria existente (función que de manera usual le compete a la policía) sino, antes bien, aniquilar una posibilidad aún no realizada, ni siquiera percibida, en la situación actual”. Dicho de otra manera, están intentando asesinar la esperanza. El mensaje que este tipo de propaganda intenta propagar es la convicción resignada de acuerdo con la cual si éste no es el mejor de los mundos posibles por lo menos es el menos malo, así que cualquier intento de cambio radical tan sólo haría que las cosas fuesen mucho peores.

Es por ello que todas las formas de resistencia, desde Syriza en Grecia a Podemos en España, pasando por los “populismos” latinoamericanos, deben contar con nuestro más firme apoyo. Ello no quiere decir abstenernos de la más férrea crítica interna cuando ello sea del caso, pero debe tratarse estrictamente de una crítica interna, una crítica entre aliados. Como diría Mao Tse Tung, este tipo de crítica es propia de las “contradicciones al interior del pueblo” y no contradicciones entre el pueblo y sus enemigos.

La reacción del establishment europeo a la victoria de Syriza en Grecia está dando lugar, de manera gradual, a un ideal muy bien resumido en el título de una columna escrita por Gideon Rachman en el Financial Times en diciembre del 2014: “El eslabón más débil de Europa son los votantes”. Así que en un mundo ideal, Europa debería deshacerse de su “eslabón más débil” y dejar que los expertos asuman el poder para imponer de manera directa la política económica. Si acaso deban persistir las elecciones, su función sería tan sólo la de confirmar el consenso de los expertos.

La perspectiva de un resultado electoral “equivocado” provoca el pánico entre los miembros del establishment: tan pronto como esa posibilidad se asoma en el horizonte, nos pintan una imagen apocalíptica de caos social, pobreza y violencia. Y como resulta usual en tales casos, la prosopopeya ideológica hace su agosto: los mercados comienzan a hablar como si fuesen personas, expresando su “preocupación” acerca de lo que podría suceder si las elecciones no tienen como resultado un gobierno con mandato suficiente para continuar con los programas de austeridad fiscal y reforma estructural.

Recientemente, los medios alemanes caracterizaron al ministro de finanzas griego Yanis Varoufakis como un sicótico que vive en un mundo diferente al resto de nosotros. ¿Pero es él en verdad tan radical? Lo que les produce pánico no es tanto el radicalismo de Varoufakis sino su modestia pragmática y razonable. Por ello no es sorpresa que algunos sectores radicales de Syriza ya lo estén acusando de haber capitulado ante la Unión Europea. Pero si se observan con cuidado las propuestas de Varoufakis, resulta imposible pasar por alto que se trata de medidas que cuarenta años atrás habrían hecho parte de cualquier agenda social-demócrata. De hecho, el programa del gobierno sueco o el chileno en los sesenta y setenta era mucho más radical. Es un signo de la pobreza de nuestro tiempo el que hoy en día haya que pertenecer a la izquierda radical para abogar por medidas similares. Es un síntoma de la época oscurantista en que vivimos, pero también una oportunidad para que la izquierda pueda ocupar el lugar que en décadas anteriores ha venido ocupando la izquierda pacata y timorata de centro.

¿Qué sucedería si un gobierno como el de Syriza o la inspiración de Podemos fracasan? En ese caso sí sería cierto afirmar que las consecuencias serán catastróficas no solo para Grecia o España, sino para toda Europa: pues esa eventual derrota daría aún más peso a la opinión pesimista según la cual el trabajo paciente de las reformas está condenado a fracasar, y que el reformismo, antes que la revolución, constituye hoy la más inalcanzable de todas las utopías. En últimas, ello confirmaría que nos aproximamos a una era de lucha mucho más radical y violenta.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Fallece el escritor uruguayo Eduardo Galeano

Ericka Montaño
La Jornada

Los indignados de América Latina y el mundo han perdido a uno de sus guías: Eduardo Galeano se ha ido. El escritor, periodista, ensayista uruguayo, colaborador de La Jornada, falleció este lunes en Montevideo debido a un cáncer de pulmón, confirmó su casa editorial. Pero su biografía no termina con su muerte. Inició, sí, el 3 de septiembre de 1940 en Montevideo, pero entre su nacimiento y su muerte hay miles de palabras, escritas en numerosos libros, dichas en múltiples discursos, retomadas por cientos de miles de jóvenes y adultos, hombres y mujeres inconformes con los gobiernos a todo lo largo y ancho de este planeta, en todas las entrevistas concedidas, en todas esas frases que rondan Internet, en todos los artículos que publicó en La Jornada, su casa, y en todos los sueños que compartió para hacer de este un mundo menos peor.

Entre su nacimiento y su muerte están su primer libro Los días siguientes y Mujeres, una antología que acaba de publicar en España Siglo XXI Editores. Entre esos dos Las venas abiertas de América Latina, ese libro que el entonces presidente venezolano Hugo Chávez regaló al su homólogo estadunidense Barak Obama durante la V Cumbre de las Américas, en abril de 2009. Están Memoria del fuego (Los nacimientos, Las caras y las máscaras y El siglo del viento), El descubrimiento de América que todavía no fue y otros escritos, Nosotros decimos no, Palabras: antología personal y Espejos.

En 2012 visitó el país por última vez. Acababa de publicar Los hijos de los días (Siglo XXI Editores). En noviembre de ese año se presentó en la Sala Nezahualcóyotl ante miles de jóvenes que ansiaban verlo, escucharlo, conocerlo en persona, y en la clausura de la asamblea del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales. En ambos casos fueron decenas de personas las que tuvieron que conformarse con escucharlo fuera de la sala o el auditorio. Eso ocurría siempre.

Entre su nacimiento y su muerte están sus varios oficios: obrero, dibujante, recaudador, pintor, mensajero, cajero de banco, mecanógrafo, editor del semanario Marcha y el diario Época, y en medio de todos ellos su pasión por el futbol. Además de un gran escuchador, como él se definía, también fue un exiliado político. Salió de Uruguay después de haber sido encarcelado por la dictadura. Cruzó el Río de la Plata para vivir en Argentina, pero de nuevo tuvo que abandonar ese país ahora con destino a España porque su nombre estaba entre los condenados por la dictadura de Videla. Fue en Cataluña, donde además de escribir para periódicos, publicó Trilogía del fuego.

Las venas abiertas de América Latina publicado años antes, en 1971, fue prohibido por el régimen dictatorial tanto en Uruguay, como en Chile y Argentina. En 1985 regresó a su país, donde fundó el semanario Brecha, publicación que en 2010 creo el Premio Memoria del Fuego, el primero en recibirlo fue el cantante y compositor español Joan Manuel Serrat. Ese mismo año Eduardo Galeano obtuvo el premio Stig Dagerman, y a lo largo de su vida recibió varios doctorados Honoris Causa por parte de universidades en Cuba, El Salvador, México y Argentina, además del premio medalla 1808, entregado en febrero de 2011 en el Antiguo Palacio del Ayuntamiento.También en 2010 recibió el Premio Manuel Vázquez Montalbán en la categoría de Periodismo Deportivo.

Siempre habló de y para los jóvenes, de y para los indígenas, en contra de los narcoestados y el neoliberalismo, en favor de la ecología y la legalización de las drogas. Habló contra el olvido. Hace unos días presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, dio a conocer que había recibido la firma de Galeano contra el decreto por el que Obama calificó al país sudamericano como una amenaza. En México, uno de sus últimos textos publicado por La Jornada fue Leo y comparto, dedicado a los 43 estudiantes desaparecidos. “Los huérfanos de la tragedia de Ayotzinapa no están solos en la porfiada búsqueda de sus queridos perdidos en el caos de los basurales incendiados y las fosas cargadas de restos humanos. Los acompañan las voces solidarias y su cálida presencia en todo el mapa de México y más allá, incluyendo las canchas fútbol, donde hay jugadores que festejan sus goles dibujando con los dedos, en el aire, la cidra 43, que rinde homenaje a los desaparecidos”.

Siempre del lado de los pobres, de los indignados, su activismo social y compromiso con los desprotegidos lo llevó a Chiapas a conocer de cerca al Ejército Zapatista de Liberación Nacional, experiencia que vertió durante varios años en diversos artículos, por ejemplo, en Una marcha universal, publicada por este diario el 10 de marzo de 2001.

“Año 1914, año 2001: Emiliano Zapata era en el DF por segunda vez. Esta segunda vez viene desde La Realidad, para cambiar la realidad: desde la selva Lacandona llega para que se profundice el cambio de la realidad de todo México. Desde que emergieron a la luz pública, los zapatistas de Chiapas, están cambiando la realidad del país entero. Gracias a ellos y a la energía creadora que han desencadenado, ya ni lo que era es como era”.

“Los que hablan del problema indígena tendrán que empezar a reconocer la solución indígena. Al fin y al cabo, la respuesta zapatista a cinco siglos de enmascaramiento, el desafío de estas máscaras que desenmascaran, está despegando el espléndido arcoiris que México contiene y está devolviendo la esperanza a los condenados a espera perpetua. Los indígenas, está visto, sólo son un problema para quienes les niegan el derecho de ser lo que son, y así niegan la pluralidad nacional y niegan el derecho de los mexicanos a ser plenamente mexicanos sin las mutilaciones impuestas por la tradición racista, que enaniza el alma y corta las piernas”.

Eduardo Galeano es recuerdo de esas cosas que el poder -político y económico- quiere que se olviden. Galeano eres memoria.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O sal da Terra: Em busca do elo perdido

Nina Rahe
Revista da Cultura

Além das mudanças pelas quais o fotógrafo Sebastião Salgado passou em sua carreira, o longa ‘O sal da Terra’, dirigido por Juliano Salgado, traz uma narrativa de aproximação que vai muito além dos laços sanguíneos

Em meio a uma floresta em Papua, província da Indonésia na parte ocidental da Nova Guiné, o franco-brasileiro Juliano Salgado registrou o momento em que uma tribo construía uma armadilha para caça. Assim que a tarefa terminou, após um longo período, um homem se posicionou em frente à câmera e produziu fogo utilizando pedaços de madeira e plantas secas. Emocionado ao testemunhar um dos momentos mais marcantes da história da humanidade, o documentarista de 40 anos percebeu que não eram tantas as diferenças que o distanciavam do povo de Papua: após a jornada, os homens acenderam cigarros para conversar e descansar.

Nessa viagem, ele acompanhava o renomado fotógrafo Sebastião Salgado, seu pai, na realização do projeto Gênesis, que o levou, entre 2004 e 2012, a registrar locais de natureza intocada pelo homem. Foi ali que o cineasta notou algo que Sebastião já havia descoberto há tempos, durante o percurso de mais de quatro décadas dedicadas à fotografia: nenhum homem é tão diferente; semelhanças nos aproximam dos papuas, dos índios Zo’é e até mesmo dos nenetses. “Eles estavam fazendo exatamente a mesma coisa que eu costumo fazer em Paris após um dia de trabalho: fumando para relaxar. Foi quando o abismo que parecia existir desapareceu e a viagem se transformou”, conta Juliano, que acompanhou o fotógrafo mineiro em outras quatros viagens. O resultado dessa experiência pode ser visto em O sal da Terra, filme sobre Sebastião que estreia neste mês, no qual Juliano divide a direção com o cineasta alemão Wim Wenders.

Foi um ano antes de Juliano nascer, em 1973, que Sebastião resolveu abandonar uma promissora carreira como economista para se tornar um fotógrafo independente. Pouco depois, com o objetivo de documentar a fome que assolava os africanos, ele viajou a Níger com sua esposa Lélia – na época, ela estava grávida de Juliano. O menino cresceu ouvindo as histórias do pai e o acompanhando no processo de revelação de fotos no laboratório – o cheiro do revelador, o tique-taque do relógio que contava o tempo de exposição e a luz amarela do espaço são lembranças fortes.

Juliano se habituou a ver a face de admiração e espanto dos colegas e das professoras quando contava os lugares para os quais seu pai viajava. “Ele provocava esse tipo de reação nas pessoas. Havia algo de heroico no que ele fazia”, conta. E teve que aprender a lidar também com os longos períodos de ausência, nos quais Sebastião se embrenhava mundo afora para descrever através de sua câmera as desgraças e injustiças sociais: ainda que as imagens tivessem a imprensa como suporte e fossem veiculadas em jornais e revistas da época, o interesse de Sebastião era explorar os temas a fundo, suas pesquisas duravam anos. Para concluir a série Trabalhadores, por exemplo, ele levou seis anos, de 1986 a 1992. “Eu ficava fora de casa por longos meses, sentia uma saudade enorme da Lélia. Pensava muito nela e em nosso filho Juliano, que era bem pequeno. Quantas vezes eu não chorei sozinho”, disse Sebastião no livro Da minha terra à Terra.

Alguém de fora

Em 2009, o documentarista resolveu aceitar o convite do pai para uma viagem de três semanas ao Pará, onde ficariam em contato com os indígenas Zo’é. A aventura também fazia parte de Gênesis e marcou o início de um processo de reaproximação entre os dois, que durante anos mantiveram uma relação distante e permeada de conflitos. “Era muito tempo para permanecer em um lugar onde seríamos só nós entre poucas pessoas que falavam português, mas aceitei porque achei que era um daqueles convites que não se recusam”, explica.

Não foi a primeira vez que Juliano acompanhou Sebastião em suas jornadas de trabalho. Em 1991, época em que o documentarista estava com 17 anos, ele viajou junto ao pai para Ruanda. Ali, visitaram a região de Kivu e as famosas plantações de chá. Enquanto Sebastião reunia material para Trabalhadores, o filho usava o cenário como tema para uma apresentação da escola.

Já a vivência com os Zo’é foi um importante passo na construção do relacionamento deles, tornando sua relação mais fácil. Na tribo, que desconhece a violência, ignora tanto a mentira quanto as brigas, resolvendo mal-entendidos por meio da argumentação, Juliano começou a filmar os passos de seu pai. As cenas foram editadas em um curta de poucos minutos, que encheu de lágrimas os olhos de Sebastião. “As imagens dizem muito sobre quem filma e meu pai ficou muito tocado ao ver a maneira como eu o enxergava.” Foi a motivação necessária para a ideia de desenvolver um longa-metragem sobre aquele que poderia ser o último projeto grandioso de Sebastião Salgado, hoje com 71 anos. Juntos, eles viajaram também para o Pantanal, o Grand Canyon, nos Estados Unidos, e a ilha russa de Wrangel.

Nessa época, o cineasta alemão Wim Wenders, de quem Sebastião Salgado é amigo desde a década de 1990, vinha manifestando o interesse de realizar algum trabalho a respeito do fotógrafo. Ele e Juliano iniciaram uma conversa que culminou, em 2011, com a assinatura de um contrato para a realização conjunta de O sal da Terra. O projeto já contava com um material farto de Sebastião em campo, no qual Juliano descobriu um profissional extremamente focado, com uma concentração impecável e uma disposição enorme para compreender as pessoas. Ainda assim, havia pouca abertura para a câmera. Sebastião ditou, inclusive, algumas regras que deveriam ser seguidas durante o processo: a primeira, não haveria uma equipe de filmagem, deixou nas mãos de Juliano a captação tanto do som quanto da imagem. Ele também se negou a repetir qualquer ação para o vídeo e avisou que não iria esperar pela câmera quando estivesse em movimento – as imposições eram uma forma de proteger o seu desempenho como fotógrafo. “O problema era que a nossa relação não era boa o suficiente para que eu pudesse entrevistá-lo. Tinha medo que a gente começasse alguma briga no meio, pois eram coisas que vinham acontecendo. Eu precisava de alguém de fora”, conta Juliano.


Beleza do mundo

Grande parte das entrevistas que dão corpo ao filme ficou a cargo de Wim Wenders. O cineasta alemão optou por um método de poucas perguntas: utilizando um teleprompter, exibiu uma seleção de fotografias de autoria de Sebastião, pedindo para que ele comentasse os detalhes de cada uma. O depoimento contém uma força assustadora de um alguém que parece ter experimentado muitas vidas em uma trajetória de poucas décadas. O fotógrafo, que já declarou que o maior prazer de todas as viagens era pegar o táxi para o aeroporto de onde voltaria para a mulher e os filhos, dividiu sua jornada entre a saudade da família e o enorme prazer que possuía na busca de novas imagens. Ele registrou desde grupos de refugiados da sede, da fome e da guerra em países como Etiópia, Mali e Sudão a garimpeiros da Serra Pelada, no Pará. Nas suas andanças, testemunhou tragédias inenarráveis, que o deixaram incrédulo quanto às atrocidades das quais a humanidade é capaz.

Em 1994, Sebastião encontrou em Ruanda um cenário de violência e ódio – os mortos eram tantos que acabavam empilhados, formando montanhas de cadáveres de centenas de metros de comprimento. Os sobreviventes pareciam ter se tornado insensíveis e ele começou a sentir ali que o corpo e a mente começavam a abandoná-lo. A esperança conseguiu reencontrar na fazenda onde nasceu, em Minas Gerais, quando decidiu junto à esposa transformar uma terra infértil em um ecossistema com mais de 2 milhões de árvores. Foi essa experiência que acabou o colocando no projeto de Gênesis, com a ideia de contar uma história que mostrasse a beleza do mundo. É essa transformação de um homem que chegou a perder a fé na espécie humana e conseguiu se reinventar que Wim Wenders e Juliano Salgado escolheram abordar em O sal da Terra. Para além dela, o filme também retrata em suas entrelinhas uma história de reaproximação entre um pai e um filho, entre Sebastião e Juliano. “Tinha raiva dentro de mim por conta da ausência dele, não conseguia ver mais nada. Alguma coisa mudou quando assisti aos seus depoimentos para o filme. Antes, ele era apenas meu pai e não tinha ideia dele como alguém que pôde compreender tanto do mundo.”

sexta-feira, 20 de março de 2015

Brasil: Las paradojas de un país en crisis

Fernando de la Cuadra
ALAI

Hace algunos años el gran compositor Tom Jobim declaró que Brasil no es país para principiantes. Y parece que esta afirmación, en principio enigmática, tiene algo de verdadera. Para muchos políticos, intelectuales, periodistas o personas con opinión, se ha transformado en un lugar común decir que Brasil es un país de grandes contradicciones. Y ciertamente lo es.

Desde que asumió su segundo mandato, la presidenta Dilma Rousseff tuvo que enfrentar una enormidad de problemas. Muchos de los problemas de Brasil son relativamente nuevos: una economía en proceso de recesión, una tasa de inflación en ascenso, sumado con una caída de la actividad industrial y un concomitante aumento del desempleo. Pero un conjunto de otros problemas se vienen arrastrando desde hace bastante tiempo. Solamente por mencionar los más importantes: La crisis energética, la crisis hídrica, la falta de inversión en infraestructura productiva, la reprimarización de la economía, el deterioro de los servicios públicos, el soborno electoral, la corrupción endémica de políticos, empresarios y gestores públicos.

Con el propósito de enfrentar estas diversas crisis y “apaciguar a los mercados”, la presidenta Rousseff nominó como su Ministro de Hacienda a Joaquim Levy, un economista formado en la Universidad de Chicago, es decir, alguien que tiene en su ADN el recetario neoliberal difundido por Milton Friedman y la Escuela de Chicago para los cinco continentes. Siendo fiel a su formación, el Ministro Levy anunció un paquete de medidas que representan todo lo contrario de lo que la presidenta electa prometió en su programa de campaña. Ante el estupor de sus electores, el actual ministro comunicó la “nueva” política de ajuste fiscal que aplicaría el ejecutivo: aumento de impuestos, incluido el retorno de un tributo especial para los combustibles y del impuesto sobre las operaciones financieras (IOF), recorte de gastos en educación, salud y vivienda, mayores restricciones en beneficios como el seguro desempleo, el auxilio a enfermedades, la restricción de las pensiones por muerte o la reducción de los subsidios en los prestamos realizados por el Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDES).

Esta serie de políticas anunciadas por la autoridad económica tuvo entre sus primeras consecuencias el “merito” de provocar la unidad de fuerzas insospechadas en la historia reciente, la alianza entre los representantes del capital y del trabajo. En efecto, tanto los dirigentes de las industrias (FIESP) que se quejan por el aumento de los tributos, como los líderes de la clase trabajadora (CUT, Fuerza Sindical), que denuncian el fin de muchas conquistas laborales, ya señalaron públicamente su intención de aunar esfuerzos para combatir las medidas informadas por el Ministro Levy. El propósito de este frente común en que están embarcados empresarios y sindicalistas es presionar al Congreso para que no apruebe los ajustes e impugne las Medidas Provisorias (MP’s 664 y 665) propuestas por el Ejecutivo, que alteran las reglas del beneficio, abono salarial, auxilio desempleo, pensión por fallecimiento, auxilio enfermedad y auxilio reclusión.

En principio son inexplicables los motivos que tuvo la presidenta Rousseff para aceptar este conjunto de acciones que van a contrapelo de sus promesas de campaña y de las expectativas de sus electores, que implican una serie de cortes en los gastos sociales y la restricción de derechos laborales y previsionales de los trabajadores, aunque sus asesores y portavoces insisten en aclarar que estas medidas antipopulares eran inevitables para reconducir al país a un nuevo ciclo de crecimiento y equilibrio fiscal.

Contrariando también a los partidos y políticos que constituyen la base del gobierno - en un sistema llamado presidencialismo de coalición- la presidenta ha sufrido seguidos reveses en el Congreso Nacional que es presidido tanto en la Cámara de Diputados como en el Senado por dos miembros del Partido del Movimiento Democrático Brasileño (PMDB), el principal conglomerado de la base aliada, cuyos representantes han vetado relevantes proyectos enviados por el ejecutivo para su aprobación, como la eliminación de las trabas que permitirían un aumento de los impuestos o la disminución del techo del superávit primario de R$ 66,3 billones para este año.

Mientras tanto, el descontento y malestar casi generalizado con el alza de los impuestos, los aumentos de tarifas y los cortes de gastos ya se ha instalado en el país. Un levantamiento divulgado esta semana por el Instituto Datafolha muestra que la popularidad de la Presidenta Dilma ha bajado considerablemente. Los que juzgan su gestión como óptima o buena suman un escaso 13 por ciento. Este porcentaje implica una caída significativa con relación a fines de 2014, cuando la presidenta poseía un 42 por ciento de apoyo de la ciudadanía. Los que consideran su administración mala o pésima representan un 62 por ciento. Si a ellos se agrega el 24 por ciento que considera a su gobierno como regular, la cifra de insatisfacción asciende al 86 por ciento de los consultados. Además, en una encuesta anterior, el 77 de los entrevistados pensaba que la presidenta estaba en conocimiento de los fraudes sucedidos en la Petrobras y un 60 por ciento de ellos consideraba que Rousseff mintió durante la campaña electoral del año pasado.

Estimulados por la baja popularidad y por la acumulación de los problemas apuntados previamente, algunos grupos opositores han organizado panelaços y protestas en las principales ciudades, en los cuales ha surgido el slogan de “Fuera Dilma”, exigiendo que la mandataria sea objeto de un impeachment por parte del Congreso, tal como sucediera en septiembre del año 1992 con Fernando Collor de Mello. Como ha sido señalado por diversos juristas y cientistas políticos, las posibilidades de que una solicitud de inhabilitación tenga éxito en el Congreso son bastante remotas. Primero porque la presidenta no ha realizado ningún tipo de acto de corrupción fragrante que justifique su enjuiciamiento por parte del Congreso o por el Supremo Tribunal Federal (STF).

En segundo lugar, porque no existen las fuerzas políticas necesarias para promover dicha acción de derrocamiento institucional, como fue el caso de José Manuel Zelaya en Honduras o de Fernando Lugo en Paraguay. En tercer lugar, porque los movimientos sociales más importantes de Brasil continúan apoyando al gobierno, pese a todas las críticas que puedan hacer a su gestión, especialmente al nombramiento de un ministro cuya palabra de orden es “austeridad” y recorte de gastos.

Para cualquier observador desavisado la situación brasileña es confusa e incomprensible. Como muestra basta observar lo que ha sucedido en las últimas semanas. En efecto, empero no concordar con la política económica implementada desde comienzos de este año, sindicatos de trabajadores, movimientos y sectores sociales han llamado a manifestarse en favor del gobierno, de la estatal Petrobras y de la democracia. Contraria y paradojalmente, aquellos electores que votaron por Aécio Neves, cuya plataforma de gobierno incluía la aplicación de un programa de ajuste como el que está siendo implementado ahora, han salido a la calle a pedir la salida del gobierno, entre otros motivos, por la carestía de la vida y por la irritante corrupción revelada a cada momento.

Sin embargo, no solamente la Petrobras ha sido objeto de malversación de los recursos públicos, pues la corrupción y el tráfico de influencias es transversal a todos los partidos y, tal como advierten la mayoría de especialistas, ella es parte del gen institucional de Brasil desde la época de las capitanías hereditarias con su marca patrimonialista en la conformación del Estado. En definitiva, el patrimonialismo representa nada más que la superposición del interés privado en los asuntos públicos, es una modalidad casi que atávica de privatización de los bienes públicos y su correspondiente apropiación por individuos, grupos o corporaciones privadas.

El escándalo de la Petrobras ha alcanzado a prácticamente todos los partidos y la clase política en su conjunto, por eso se torna evidente y notoriamente oportunista acusar solo al Partido de los Trabajadores de ser parte de los arreglos con las empresas para recaudar los fondos destinados al financiamiento de las campañas de sus candidatos. No existe referente político que no realice este tipo de acuerdo con el capital privado. Este es uno de los temas principales que ha sido planteado como base de argumentación para efectuar urgentemente la reforma política: que sea el Estado aquel organismo que financie las campañas partidarias a partir de un fondo a ser distribuido proporcionalmente entre todos los partidos y coaliciones con mayor representación nacional.

Al contrario de lo recomendado por sus partidarios más fieles e incondicionales, el actual gobierno parece haber sido acometido por una crisis de pánico y no ha tomado ninguna iniciativa relevante para cambiar este cuadro negativo. Una que otra reforma ministerial de carácter cosmético no va a convencer ni a quienes están decepcionados del “viraje” hacia la derecha del gobierno ni a quienes adhieren resueltamente a las filas de la oposición, atribuyendo todos los males de Brasil a estos últimos 12 años de administración de la coalición liderada por el Partido de los Trabajadores. El gobierno se encuentra acorralado en medio a una sociedad que está dispuesta a movilizarse para defender sus conquistas históricas o sus privilegios, negocios y utilidades.

Ya han transcurrido prácticamente cinco siglos desde que Nicolás Maquiavelo nos advierte en el capítulo III de El Príncipe que un gobierno que no se preocupa del futuro está condenado al fracaso, pues reconociendo los males que caen sobre él, como cualquier persona o entidad prudente, es posible aliviar éstos. Pero si por falta de previdencia los dejan crecer al punto de tornarse visibles a los ojos de todos, dichos males no tendrán más remedio. Por la parálisis política que afecta al gobierno de Rousseff, el consejo del pensador florentino parece haber sido escrito en estos días. La pregunta que flota en el aire es como podrá sobrellevar y superar esta turbulencia un gobierno que está recién comenzado su segundo mandato. Con una política de conciliación y dialogo con la oposición o con una postura más agresiva que recoja el mandato que el pueblo le ha otorgado para retomar la política de protección social y de consolidación de los derechos laborales. Por el gabinete y la agenda que se viene diseñando, parece que la primera alternativa es más probable. En todo caso, quizás si la única certeza que existe en este mar de dilemas y contradicciones, es que se siguen avizorando oscuros nubarrones en el horizonte de este país inescrutable.

terça-feira, 17 de março de 2015

A ocupação da Cisjordânia é uma situação colonial de apartheid

François Clemenceau
Le Journal du Dimanche

O historiador e cientista político Zeev Sternhell, autor de Histoire et lumières: Changer le monde par la raison (História e Luz: Mudar o mundo pela razão), se diz desapontado com os trabalhistas israelenses. Ele analisa a campanha das eleições legislativas em Israel e aponta um olhar crítico sobre a colonização dos territórios da Cisjordânia.

Os trabalhistas de centro-esquerda ainda têm chances de ganhar as eleições de terça-feira?

Não é impossível, mas as chances são muito baixas, porque mesmo que cheguem em primeiro, terão enorme dificuldade de construir uma coalizão. E se a construírem, a coalizão será tão contraditória que os deixará de mãos atadas. Se a direita ganhar, será tentada a formar uma nova coalizão com a extrema direita, uma coalizão linha-dura, como a que temos agora. O cenário mais realista é que direita e esquerda formem um governo. Isso permitiria que Netanyahu desse o ministério das Relações Estrangeiras a Isaac Herzog e retomasse um processo de paz, mas como Netanyahu é hostil a este processo, a esquerda estará no Governo, mais uma vez, apenas para caucionar uma ocupação interminável dos territórios palestinos.

O que o sr. critica nos trabalhistas? Acha que traíram seus ideais?

Em 1977, entrei para o Partido Trabalhista pensando que poderia ser profundamente reformado de dentro. Mas o fracasso do Partido Trabalhista vem do fato de estarmos constantemente em campanha eleitoral, de sua recusa em se aliar à esquerda com o Meretz ou com as listas árabes, com a justificativa de que estes não seriam suficientemente patriotas. Hoje, está numa aliança com o pequeno partido de centro-esquerda de Tzipi Livni chamada União sionista. Mas o que isso significa? Eles são sionistas e os outros não? Todos somos sionistas, ou eu não estaria neste país, teria ficado na França ou nos Estados Unidos. Os trabalhistas não representam mais nem a possibilidade de uma nova relação com os palestinos nem uma nova política social.

Mas a sociedade também mudou, não?

Não me orgulho desta sociedade. Não é o que minha geração gostaria de ver quando envelhecesse. Nossa sociedade abandonou a vontade de dar fim à guerra com os árabes. Hoje, fala-se da necessidade de “administrar” o conflito. Tornamo-nos uma das sociedades mais desiguais do mundo. Quando se trata dos EUA, fico um pouco chocado, mas não acho que Israel merecia construíssemos esses fossos com nossas próprias mãos. Sim, a sociedade ficou mais conservadora e de direita, e faz 30 anos que os trabalhistas pensam que se aproximar da direita é uma boa estratégia.

Fala-se de um aumento da presença da religião em todos os setores da sociedade, especialmente no exército...

Quando saí da escola de oficiais, em 1956, havia na minha classe um ou dois religiosos. Hoje eles são, pelo menos, metade das classes de oficiais. Aos poucos, tomaram contra do exército, e têm um peso muito maior nas forças armadas do que na sociedade em geral. Isto acabará por causar problemas se um dia tivermos que enfrentar os colonos que não quiserem deixar os territórios palestinos. Haverá o risco de guerra civil. Deste ponto de vista, não é normal que o Estado continua passivo diante desta situação. Mas o sentimento geral é de que é melhor lutar contra os árabes do que contra os colonos. Precisaríamos de um de Gaulle. Mas não temos.

Os Estados Unidos ou a Europa deveriam se envolver mais diretamente no processo de paz para que este possa ser salvo?

Sim. Não conseguiremos nada sem intervenção externa. Enquanto os israelenses não forem pessoalmente afetados pelos efeitos nefastos da colonização, ela não será interrompida. Mas se tivermos que pagar um preço pela ocupação, será diferente. Se Barack Obama fosse mais duro com Netanyahu, se demorasse três dias para responder, se as peças de reposição dos bombardeiros F-15 demorassem mais a chegar, se os Estados Unidos sugerissem que o uso do direito de veto em favor de Israel não fosse incondicional, Netanyahu pensaria duas vezes.

O sr. parece não ter esperanças...

Nunca tive medo da guerra. Israel é o meu país. Estou infeliz em vê-lo escolher um caminho que poderia levar ao maior dos desastres, ou seja, ao fim do sionismo. A ocupação da Cisjordânia não pode durar para sempre, é uma situação colonial e de apartheid. A natureza do Estado de Israel deve permanecer democrática. De tal forma que me pergunto se devo ficar aqui, porque, moralmente, não posso ficar ligado a um país que nega seus valores fundamentais.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Vivir en estado de vigilancia permanente

Manuel Castells
La Vanguardia

La digitalización global de datos ubica a todos los ciudadanos en el papel de espiados tanto por los estados que dicen luchar contra el terrorismo como por quienes buscan más consumidores. El 97% de la información del planeta está digitalizada. Y la mayor parte de esta información la producimos nosotros, mediante Internet y redes de comunicación inalámbrica. Al comunicarnos transformamos buena parte de nuestras vidas en registro digital. Y por tanto comunicable y accesible mediante interconexión de archivos de redes. Con una identificación individual. Un código de barras. El DNI. Que conecta con nuestras tarjetas de crédito, nuestra tarjeta sanitaria, nuestra cuenta bancaria, nuestro historial personal y profesional –incluido domicilio–, nuestras computadoras –cada uno con su número de código–, nuestro correo electrónico –requerido por bancos y empresas de Internet–, nuestro permiso de conducir, la matrícula del coche, los viajes que hemos hecho, nuestros hábitos de consumo –detectados por las compras con tarjeta o por Internet–, nuestros hábitos de lectura y música –gentileza de las webs que frecuentamos–, nuestra presencia en los medios sociales –como Facebook, Instagram, YouTube, Flickr o Twitter y tantos otros–, nuestras búsquedas en Google o Yahoo y un largo etcétera digital. Y todo ello referido a una persona; usted, por ejemplo. Sin embargo se supone que las identidades individuales están protegidas legalmente y que los datos de cada uno son privados. Hasta que no lo son. Y esas excepciones, que de hecho son la regla, se refieren a la relación con las dos instituciones centrales en nuestra sociedad: el Estado y el Capital.

En ese mundo digitalizado y conectado, el Estado nos vigila y el Capital nos vende, o sea vende nuestra vida transformada en datos. Nos vigilan por nuestro bien, para protegernos de los malos. Y nos venden con nuestro acuerdo de aceptar cookies y de confiar en los bancos que nos permiten vivir a crédito (y, por tanto, tienen derecho a saber a quién le dan tarjeta). Los dos procesos, la vigilancia electrónica masiva y la venta de datos personales como modelo de negocio, se han ampliado exponencialmente en la última década por efecto de la paranoia de la seguridad, la búsqueda de formas para hacer Internet rentable y el desarrollo tecnológico de la comunicación digital y el tratamiento de datos.

Las revelaciones de Snowden sobre las prácticas de espionaje masivo del mundo entero (con escasa protección judicial o simplemente ilegales) han expuesto una sociedad en la que nadie puede escapar a la vigilancia del Gran Hermano, ni Merkel. No siempre ha sido así porque no estábamos digitalizados y no existían tecnologías suficientemente potentes para obtener, relacionar y procesar esa inmensa masa de información. La emergencia del llamado big data, gigantescas bases de datos en formatos comunicables y accesibles (como el inmenso archivo de la NSA en Bluffdale, Utah) ha resultado del reforzamiento de los servicios de inteligencia tras el bárbaro ataque a Nueva York así como de la cooperación entre grandes empresas tecnológicas y gobiernos, en particular con la Agencia de Seguridad Nacional de EE.UU. (que forma parte del Ministerio de Defensa, pero que goza de amplia autonomía).

El director de la NSA, Michael Hayden, declaró que para identificar una aguja en un pajar (el terrorista en la comunicación mundial) necesitaba controlar todo el pajar, y eso es lo que acabó consiguiendo, según su criterio, con una flexible cobertura legal. Aunque Estados Unidos es el centro del sistema de vigilancia, los documentos de Snowden muestran la activa cooperación con las agencias especializadas de vigilancia del Reino Unido, de Alemania, de Francia y de cualquier país, con la excepción parcial de Rusia y China, salvo en momentos de convergencia. En España, tras la escandalosa revelación de que la NSA había interceptado 60 millones de llamadas, Snowden apuntó que en realidad lo había hecho el CNI por cuenta de la NSA. Siguiendo la política de Aznar que dio a Bush permiso ilimitado para espiar en España a cambio de material avanzado de vigilancia. Y vigilaron a cualquiera que estuviera compartiendo información. Pero fueron las empresas tecnológicas las que desarrollaron las tecnologías de punta para el Pentágono. Y fueron empresas telefónicas y de Internet las que entregaron datos de sus clientes. Sólo se enfadaron cuando supieron que la NSA los espiaba sin su permiso. Facebook, Google y Apple protestaron y encriptaron parte de sus comunicaciones internas. Porque en realidad esa es una posible defensa de la privacidad: comunicación encriptada facilitada a los usuarios. Sin embargo, no se difunde porque contradice el modelo de negocio de las empresas de Internet: la recolección y venta de datos para la publicidad enfocada (que constituye el 91% de las ganancias de Google).

Aunque la vigilancia incontrolada del Estado es una amenaza para la democracia, la erosión de la privacidad proviene esencialmente de la práctica de las empresas de comunicación de obtener datos de sus clientes, agregarlos y venderlos. Nos venden como datos. Sin problema legal. Lea la política de privacidad que publica Google: el buscador se otorga el derecho de registrar el nombre del usuario, el correo electrónico, número de teléfono, tarjeta de crédito, hábitos de búsqueda, peticiones de búsqueda, identificación de computadoras y teléfonos, duración de llamadas, localización, usos y datos de las aplicaciones. Aparte de eso, se respeta la privacidad. Por eso Google dispone de casi un millón de servidores para procesamiento de datos.

¿Cómo evitar ser vigilado o vendido? Los criptoanarquistas confían en la tecnología. Vano empeño para la gente normal. Los abogados, en la justicia. Ardua y lenta batalla. Los políticos, encantados de saberlo todo, excepto lo suyo. ¿Y el individuo? Tal vez cambiar por su cuenta: no utilice tarjetas de crédito, comunique en cibercafés, llame desde teléfonos públicos, vaya al cine y a conciertos en lugar de descargarse películas o música. Y si esto es muy pesado, venda sus datos, como proponen pequeñas empresas que ahora proliferan en Silicon Valley.

quinta-feira, 12 de março de 2015

El único peligro para el pueblo de Estados Unidos está en Estados Unidos

Adolfo Pérez Esquivel
Socialismo y Democracia

La declaración de Venezuela como una amenaza para la Seguridad Nacional de Estados Unidos es un formalismo que siempre ha usado ese país para realizar embargos económicos y una posterior intervención militar en diversos países alrededor del mundo.

Han intentado invadir Cuba y fueron derrotados, han intentado vencerla con bloqueo económico y han sido derrotados. El mismo presidente Obama lo reconoció abriendo una nueva etapa de diálogos con la Isla. ¿Por qué ahora intentar hacer lo mismo con otro país latinoamericano? Nadie niega que hay serios conflictos y un incremento de la violencia en Venezuela pero ¿Acaso alguien puede creer que represente un peligro para el pueblo estadounidense o algún otro país del mundo? ¿Porqué EEUU se contradice deliberadamente en sus injerencias externas? ¿No hay acaso una clara crisis humanitaria en México que obvia mencionar?

Si se trata de violaciones a DDHH, los países latinoamericanos debemos declarar a EEUU, sus injerencias y sus bases militares una amenaza para todos los pueblos de la región. Pero Nuestra América es una región solidaria y de paz, no pretendemos invadir a nadie, sólo queremos respeto a nuestra soberanía y nuestra autodeterminación.

La situación de Venezuela debe resolverse en el marco de sus instituciones democráticas y con colaboración de nuestros organismos regionales. Así lo ha hecho, por ejemplo, la Unión de Naciones Suramericanas (UNASUR), con su reciente visita a Caracas, la cual fuera apoyada por el Secretario General de la ONU, Ban Ki-Moon. En su visita, la UNASUR ha reconocido intentos de desestabilización en Venezuela para interrumpir la cadena de legitimidad democrática lo que explica, entre otras cosas, las situaciones de desabastecimiento económico.

El único peligro para el pueblo de Estados Unidos está en Estados Unidos. Son los lobbys corporativos militares y financieros, que consideran que una región sin guerras y con recursos que no pueden controlar, es un peligro para sus intereses económicos y de poder profundamente antidemocráticos. Sectores que se sustentan en el ataque a otros pueblos, en la desinformación y utilización del pueblo norteamericano pudiente y de piel blanca, y del empobrecimiento, encarcelamiento y persecusión de los norteamericanos e inmigrantes de piel oscura.

Venezuela tiene la mayor reserva de petróleo del mundo, es el cuarto suplidor de crudo de EEUU, fortalece su economía real, sus políticas sociales y ha logrado una revolución democrática y bolivariana a fuerza de elecciones que han sido declaradas por el ex presidente norteamericano, James Carter, como una de las más transparentes del mundo. A lo que se debe agregar haber sido el primer país en la historia de los Estados Nación en crear un referéndum revocatorio y en aplicarlo. Esta declaración de Obama es la única forma de aislar políticamente a una Venezuela digna y solidaria, que a pesar de los ataques, desde el año 2007 envía petróleo para la calefacción gratuita de millones de personas de los sectores populares de 16 estados norteamericanos a través de su filial norteamericana CITGO.

Si el gobierno norteamericano quiere hablar de Paz para su pueblo, el Congreso debe derogar la Ley de sanciones a Venezuela 2014 y Obama debe anular la declaración de Venezuela como amenaza a la seguridad nacional.

Por su parte, la CELAC, la UNASUR y el MERCOSUR deben defender a Venezuela de estas agresiones norteamericanas. Maduro fue bien claro en su discurso ante todos los bloques parlamentarios “nadie podrá detener que este año 2015 haya elecciones parlamentarias, y si perdemos, perdemos, si ganamos, ganamos, pero son los venezolanos los que tomarán la decisión”.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Patrimonialismo renitente

José Antonio Segatto
Gramsci e o Brasil

Nos últimos meses, o problema do Estado patrimonialista voltou à baila após a presidente da República, em discurso no ato de sua diplomação, referir-se à confusão entre negócios públicos e interesses privados. A seguir o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em seu discurso de posse, retomou a questão e assegurou que uma de suas prioridades seria o combate ao patrimonialismo.

Problema antigo, o patrimonialismo de há muito vem sendo objeto de estudos e apreciações. Por meio de adaptações criativas dessa categoria weberiana, diversos autores abordaram a relação entre Estado e sociedade na história brasileira. Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil, de 1936, escreveu que o patrimonialismo seria um prolongamento do patriarcalismo no Estado, daí derivando o desapreço pela impessoalidade na gestão da coisa pública.

Raymundo Faoro, em Os Donos do Poder, de 1958, foi além. Numa operação analítica sequencial de larga duração histórica — do século 14 ao 20, de dom João I a Getúlio Vargas, numa “viagem redonda” de seis séculos — procurou reconstituir a história do capitalismo politicamente orientado pelo estamento burocrático. Gestado em Portugal e transplantado para o Brasil, o Estado burocrático-patrimonial teria engendrado, no século 19, uma monarquia tuteladora da Nação, na qual o Estado é tudo e a sociedade civil, nada. Controlado e dirigido pelo patronato político, o “governo tudo sabe, administra e provê. Ele faz a opinião, distribui a riqueza e qualifica os opulentos”. No pós-1930, o patrimonialismo teria sido revigorado, particularmente durante o Estado Novo.

Nessa compreensão, a herança ibérica e estatista ou patrimonial seria a chave para o entendimento da história do Brasil. Tal maldição, proveniente do “pecado original”, determinaria, inevitável e invariavelmente, o País ao atraso, condenando-o ao autoritarismo e ao infortúnio. Não obstante o caráter trans-histórico e fatalista da interpretação de Faoro, não se pode compreender a formação do Estado nacional prescindindo de sua análise.

Mas se o patrimonialismo é uma realidade inquestionável que impregna todas as relações sociais, a cultura política e os liames entre a sociedade civil e a política — ou está entranhado nelas —, ele não pode ser considerado como a chave determinante e a-histórica do Estado brasileiro. Tem de ser analisado como construção histórico-política da organização do Estado nacional, tendo em vista as configurações que assumiu nos diversos períodos e regimes, com todas as mediações possíveis. Ele não pode ser compreendido por si só — por exemplo, sempre esteve intimamente amalgamado às relações de favor e clientelistas e, no pós-1930, ao corporativismo.

Além dos intelectuais referidos, o conceito de patrimonialismo está também presente, direta ou indiretamente, nas análises de muitos outros estudiosos, permeando-as, embora com entendimentos diversos, como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, Simon Schwartzman e outros. Nos anos 1970 — na crítica e no combate ao regime ditatorial — converteu-se em moeda corrente e tornou-se mesmo ideia-força. Os fundamentos basilares das análises, derivados do conceito de patrimonialismo, na luta pela democracia confundiram-se com o combate ao Estado — que deveria ser reduzido e enfraquecido — e com o robustecimento da sociedade civil. Ou seja, a condição sine qua non para a democratização estaria no cerceamento do poder de intervenção do Estado e na depuração de suas anomalias, entraves para a economia de mercado e para a efetivação de direitos.

Não é exagero afirmar que essas concepções estiveram mesmo na gênese do PT e do PSDB, partidos tornados os novos donos do poder nas duas últimas décadas. Todavia, se foram concebidos contra o Estado patrimonial, como explicar que, em 20 anos no governo do País, não conseguiram expurgar do Estado os elementos e as relações que facultam a privatização de bens públicos e a apropriação indébita do Estado como algo exclusivo de indivíduos e grupos, corporações e confrarias para garantir e perpetuar privilégios e negócios?

No governo, o PSDB, que prometia desmantelar o “Estado varguista”, realizou algumas reformas, privatizando parte do aparato e do patrimônio estatal, mas sem publicizá-lo. Já os governos petistas não só se acomodaram às vantagens do patrimonialismo e do clientelismo — desfrutados pragmática e utilitariamente —, como potencializaram sua práxis e cultura política.

Por mais paradoxal que possa parecer, as declarações de intenção da presidente e do ministro de combate ao patrimonialismo no Estado não são incompatíveis com a política que tem guiado os governos petistas desde 2003. As concepções e orientações liberais ortodoxas de Joaquim Levy deverão ser conformadas ao condomínio de poder, segundo os desígnios do “presidencialismo de coalizão” — o papel (antipático) que lhe foi atribuído é, única e exclusivamente, o de realizar os ajustes econômicos necessários à governabilidade, à rentabilidade dos negócios e à estabilidade funcional do mercado. Como se fosse possível apartar economia e política. De resto, tudo deve continuar como dantes, com uma simples diferença: as práticas e/ou políticas patrimonialistas e clientelistas poderão ter algumas regras de contenção e regulação. O atual arranjo de forças políticas no poder não sobrevive sem tais práticas, dado que lhe são congênitas.

Nesse sentido, os dirigentes e representantes do PT, PMDB e demais partidos da base aliada podem dormir tranquilos — seus interesses e práxis serão muito pouco afetados. Pode-se dizer que a política do ministro Joaquim Levy de combate ao patrimonialismo não intenta, nem está autorizado a isso, publicizar o Estado. E sem Estado público a democracia continuará aviltada.

sábado, 7 de março de 2015

O Brasil pede mais democracia

Maria Inês Nassif
Carta Maior

Há exatos 30 anos, o Brasil deixava para trás uma sangrenta ditadura e inaugurava o maior período democrático que o país já teve. No dia 15 de março de 1985, tomava posse José Sarney, o primeiro presidente civil após 21 anos de governos militares. No ano seguinte seria iniciado um processo constituinte que, se não sanou as injustiças seculares do país, deu ao Brasil instrumentos para resgate da cidadania dos brasileiros. De lá para cá, o país ganhou uma nova Constituição, foi sete vezes às urnas para eleger presidentes da República e construiu o mais longo período de estabilidade democrática de sua história.

Nesse período, todavia, as mazelas do sistema político-eleitoral permaneceram intocadas. Os interesses consolidados de gerações de políticos que seguiram a trilha da política tradicional – e tiveram poucos problemas de convivência com o regime totalitário – foram impostos, na Constituinte, sobre os que vinham das lutas democráticas e populares. Os sistemas eleitoral e partidário não foram adequados à realidade democrática porque isso significava ameaçar o status quo dos políticos que dominavam a política na ditadura, e antes dela, e antes ainda.

Agravaram o quadro de inadequação de partidos e vulnerabilidade do sistema eleitoral às pressões do poder econômico uma mal-resolvida discussão sobre sistema de governo; pressões internas do aparelho de Estado; o jogo pesado dos grandes veículos de comunicação para manter um quase monopólio sobre a opinião pública; o enorme poder de controle dado ao Legislativo sobre um Executivo que saía hipertrofiado do período ditatorial; pressões diretas do Poder Judiciário, que saiu da Constituinte sem ter de se submeter a qualquer forma de controle externo; e um cálculo malfeito da quantidade de poder que se poderia dar a órgãos de controle externo do Executivo sem afetar a governabilidade de um poder que, a partir de então, afinal, seria ocupado por presidentes eleitos.

O resultado desse mistura-e-manda não poderia ser uma democracia sem defeitos. O mais longo período democrático do país sobrevive milagrosamente a uma realidade em que a política institucional é um palco de competição e disputa permanentes entre poderes.

A política eleitoral e partidária permaneceu intocada, reproduzindo a aliança histórica entre elites políticas e econômicas. A permissividade da lei eleitoral fez uma ligação quase direta entre ambos: as elites econômicas financiam fortemente os candidatos, mantêm políticos tradicionais no cenário político e cooptam novos quadros; as eleições parlamentares, mediadas pelo dinheiro privado, encurralam qualquer governo e tornam altíssimo o custo da governabilidade. O financiamento empresarial de campanha tornou o sistema político altamente vulnerável à corrupção. E quanto mais o poder econômico desmoraliza a política, e suprime dela o papel transformador que, por princípio, deve ter, mais a política se torna sua refém. Quanto mais a governabilidade fica comprometida pela soma da alta representação do poder econômico no Legislativo e das dificuldades de formação de maioria impostas pelo sistema político, mais aumenta o poder de barganha dos grandes interesses com o Executivo.

O monopólio dos meios de comunicação por poucas e conservadoras empresas garante o clima do horror à política e aos políticos, sem em nenhum momento discutir as verdadeiras limitações da democracia brasileira. É mais fácil jogar com o preconceito e consolidar sensos comuns – como a de que a “política é para corruptos”, “a democracia é cara” –, desqualificadores da política, do que discutir profundamente as raízes do problema. E, numa realidade onde as chances eleitorais dos setores conservadores na Presidência da República é fraca, a desqualificação da democracia anda junto com a desqualificação do eleitor. A ridicularização da escolha política, a “responsabilização” das parcelas mais pobres da população pelos problemas do país são tentativas de impor um senso comum reacionário, conservador: a qualidade da política, segundo essa visão, é dada não pela qualidade da democracia, mas pela qualidade do eleitor. Em nenhum momento se discute as candidaturas milionárias, bancadas por interesses econômicos, que distorcem completa e absolutamente o sentido da escolha popular.

Chegou a hora de vencer as escaramuças dos interesses sombrios e renovar a democracia brasileira. A crise que se aprofunda não é meramente econômica. Ela é, sobretudo, política. A democracia brasileira deve sobreviver a essa crise de crescimento porque nós, aqueles que batalharam no passado nas trincheiras contra a ditadura e continuaram a lutar por justiça social, saberemos vencer preconceitos e empreender a ação política transformadora.

Para que isso ocorra, as forças progressistas devem se unir em torno de uma proposta de reforma política, capaz de salvar a política do cativeiro a que foi jogada pelo poder econômico, e ganhar as ruas. A exemplo do fim da ditadura e das conquistas sociais conquistadas na Constituinte, esta batalha tem que mover cada democrata deste país, cada pessoa de bem, para que todo brasileiro tenha direito a voz, voto e justiça.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

El cambio climático ya llegó

Amy Goodman y Denis Moynihan
Democracy Now!


El presidente Barack Obama emitió su tercer veto en los más de seis años que lleva de mandato, en rechazo del Proyecto de Ley S.1 (Proyecto de Ley del Senado Número Uno), la “Ley de aprobación del oleoducto Keystone XL”. Este fue el primer proyecto de ley aprobado por el nuevo Congreso con mayoría republicana en lo que va del año, en un intento por forzar la construcción de un oleoducto diseñado para trasladar arenas alquitranadas de Canadá a puertos estadounidenses en Texas para su exportación. Hace ya varios años que una amplia coalición internacional lucha contra el proyecto. El científico climático James Hansen, ex director del Instituto Goddard de Estudios Espaciales de la NASA, escribió en The New York Times que si se construye el oleoducto, el clima tal como lo conocemos “será historia”.

Esta votación y este veto suceden al tiempo que gran parte de Estados Unidos se ve azotada por temperaturas extremadamente frías, con ciudades como Boston sacudidas por nevadas sin precedentes y estados sureños como Georgia experimentando la caída de nieve. Mientras tanto, la mayor parte de California se prepara para una sequía aún más fuerte. Los informativos de los canales de televisión corporativos invierten cada vez más tiempo en la cobertura del cada vez más caótico, costoso y, en ocasiones, letal clima. Pero fallan consistentemente en hacer la conexión entre las condiciones climáticas extremas y el cambio climático.

Los canales vuelcan millones de dólares en llamativos “Centros de monitoreo del clima” televisivos. Estos sets, con sus elegantes presentadores, están siendo convertidos en “Centros de monitoreo de fenómenos climáticos extremos”. Así como destacan de manera sensacionalista la expresión “condiciones climáticas extremas”, ¿por qué no destacan también los conceptos de “cambio climático” o “calentamiento global”? ¿Por qué no explican cómo el calentamiento global puede conducir a nevadas más fuertes o a temperaturas más bajas? La población depende sobre todo de la televisión para informarse, incluso en esta era de Internet. ¿De qué manera se pueden relacionar la sequía en California y el congelamiento de las Cataratas del Niágara, estando a miles de kilómetros de distancia? La gente no es tonta. La avalancha diaria de informes climáticos sensacionalistas debe incluir explicaciones de los cambios más profundos que ocurren en todo el planeta.

Basta con ver la publicidad que acompaña los informativos. A menudo vemos publicidades con gran producción, muy atrayentes, que describen lo limpia y maravillosa que es la industria de los combustibles fósiles. Pero ¿es así realmente? Veamos lo que pasó este mes mientras más de cien ciudades estadounidenses registraron temperaturas bajas récord: una explosión de una refinería de ExxonMobil al sur de Los Angeles sacudió los alrededores con el equivalente de un terremoto de magnitud 1,4. En Virginia Occidental, la “bomba” de un tren que transportaba petróleo se descarriló y explotó, encendiendo el cielo nocturno con enormes llamaradas y forzando la evacuación de dos ciudades. Dos días antes, otro tren se había descarrilado en Ontario, Canadá, y el incendio de sus vagones duró varios días.

Además de estas explosiones están las filtraciones, los derrames, la contaminación con aire tóxico que causa epidemias de asma en las comunidades afectadas. Y todas estas consecuencias de la industria de los combustibles fósiles son pequeñas cuando se las compara con la destrucción constante causada por el cambio climático, que sigue empeorando y podría llegar a ser irreversible.

El debate sobre el cambio climático ha terminado. El Grupo Intergubernamental de Expertos sobre el Cambio Climático de la ONU, ganador del premio Nobel, publicó un informe redactado por 800 científicos de 80 países, que resume los hallazgos de más de 30.000 ponencias científicas arbitradas y concluye:

“La influencia humana en el sistema climático es clara: cuanto más perturbemos nuestro clima, más nos arriesgamos a impactos graves, generalizados e irreversibles. Y tenemos los medios para limitar el cambio climático y construir un futuro más próspero y sustentable”. Comparemos esto con el puñado de científicos que niegan la realidad del cambio climático. Uno de sus paladines, Wei-Hock “Willie” Soon, del Centro de Investigaciones Astrofísicas Harvard-Smithsonian, recibió 1.200.000 dólares de la industria de combustibles fósiles, entre ellos del barón del petróleo Charles Koch, según una investigación realizada por Greenpeace y el Centro de Investigaciones Climáticas. El Dr. Soon no mencionó estas contribuciones y actualmente está siendo investigado por el Instituto Smithsoniano por posibles violaciones éticas.

Entre los que consideran que la ciencia es clara y que el debate está resuelto está nada menos que el Pentágono. Durante el gobierno de Obama, así como durante el del presidente anterior, George W. Bush, el Departamento de Defensa calificó al cambio climático como una importante amenaza a la seguridad nacional. Del mismo modo, las grandes compañías aseguradoras llevan cuidadosamente la cuenta de los desastres climáticos multimillonarios que suceden cada año, ya que estas catástrofes afectan su balance final.

Justo cuando la población necesita más información sobre estos temas, algunas de las mayores organizaciones de noticias están reduciendo el personal asignado a la cobertura del clima. El pasado mes de octubre, la NPR, la cadena de radios públicas de Estados Unidos, redujo su personal a cargo de la cobertura del ambiente y el cambio climático de cuatro personas a solamente una, que ahora trabaja a medio tiempo. En 2013, The New York Times desarticuló su equipo especializado en temas ambientales, que estaba integrado por nueve personas.

No hay eventos meteorológicos que sean por sí solos prueba del cambio climático, pero las tendencias son claras. Los meteorólogos, particularmente los de los noticieros televisivos, tienen el deber de declarar los hechos tal como son: el cambio climático es real; es una amenaza planetaria y se pueden hacer muchas cosas al respecto.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Política brasileña entra en círculo vicioso

Mario Osava
IPS

El enredo de aristas políticas en que se metió la presidenta Dilma Rousseff dificulta la ejecución de medidas para superar los problemas económicos de Brasil, y viceversa. Este círculo vicioso y debilitante estimula acciones y ambiciones en una oposición que poco amenazó el poder del Partido de los Trabajadores (PT) en sus 12 años de gobierno. Además fomenta divisiones en la amplia alianza gubernamental. “La combinación negativa de política y economía se retroalimenta y deja al mercado, los aliados (del gobierno) y la sociedad en general asustados, porque el gobierno no muestra capacidad de reaccionar a los hechos, todos malos”, evaluó André Pereira, cientista político y consultor independiente en Brasilia.

La coalición oficialista sufrió seguidas derrotas en la Cámara de Diputados, cuyo nuevo presidente, Eduardo Cunha, se destaca como adversario aunque sea miembro del Partido del Movimiento Democrático Brasileño, la principal fuerza de la llamada “base aliada”, que conforma con el PT la mayoría progubernamental en el Congreso legislativo. Las primeras decisiones de la legislatura iniciada el 1 de febrero fueron contrarias al Poder Ejecutivo. Una de ellas crea nuevamente una comisión parlamentaria de investigación sobre la corrupción que golpeó duramente a la corporación petrolera estatal Petrobras.

Otra favorece las enmiendas legislativas mediante las cuales los diputados pueden destinar recursos financieros para proyectos de su interés. Eso afecta la austeridad fiscal con que el gobierno busca equilibrar las cuentas públicas y quita al Ejecutivo la posibilidad de liberar esos fondos, negociando a cambio un apoyo parlamentario. Además, diputados del mismo PT sabotean el ajuste fiscal adoptado por la presidenta desde que comenzó su segundo mandato el primer día del año, al proponer cambios en las medidas de reducción de gastos, que restringe derechos laborales o previsionales, como plazos mayores para obtención del seguro-desempleo y pensiones de viudez.

Organizaciones sindicales y otros movimientos aliados del PT comenzaron a protestar contra recortes en derechos y beneficios al trabajador, poniendo fin al apoyo o la tolerancia con el gobierno que los sacó de la calle desde que en 2003 llegó a la Presidencia Luiz Inácio Lula da Silva. “La política está desgobernada”, con una coalición inestable de apoyo al gobierno y un núcleo cercano a la presidenta que “no responde a las demandas y preocupaciones de la sociedad”, sostuvo Pereira.

La demanda de la inhabilitación de la presidenta, solo un mes después de iniciar su segundo cuatrienio, se convirtió ya en una consigna de movimientos opositores. Es “golpismo”, asegura Rousseff, que sucedió a Lula en 2011. Pereira consideró que es poco probable que tal propuesta tenga éxito, al no contar con “el trípode que sostiene el impedimento”, es decir una razón jurídica basada en un hecho concreto, como un delito de corrupción, el factor político involucrando partidos decididos a esa acción extrema y la movilización social. Pero se trata de una bandera de movilización y radicalización opositora, ante decisiones de gobierno que contradicen el discurso electoral de la presidenta y una economía que tiende este año a la recesión, combinada con una tasa de inflación de más de siete por ciento, alta para esta potencia latinoamericana.

El hundimiento de la popularidad de Rousseff alienta las osadías. Solo 23 por ciento de los entrevistados valora positivamente a la presidenta, según un sondeo de comienzos de este mes del Instituto Datafolha. Representa su peor valoración histórica y una brusca caída respecto a fines de 2014, cuando 42 por ciento tenían una opinión favorable. Los que consideran su gestión mala o pésima subió de 24 a 44 por ciento en dos meses. Además, 77 por ciento de los entrevistados creen que la presidenta tenía conocimiento de la corrupción en Petrobras y 60 por ciento la acusan de haber mentido durante la campaña electoral del año pasado.

“Habrá gente en las calles, tensión y violencia, pero es difícil que eso se encauce hacia una polarización”, analiza para IPS otro cientista político, Fernando Lattman-Weltman, profesor de la Universidad Estadual de Rio de Janeiro. Una radicalización, con manifestaciones callejeras, sería un juego peligroso para la oposición, porque provocaría una reacción de los militantes del PT, quienes tienen mayor experiencia y capacidad de poner las masas en las calles, acotó.

Buena parte del rechazo al gobierno del PT obedece a la corrupción. La desviación de miles de millones de dólares de Petrobras durante la década pasada, mediante pactos ilícitos entre sus directores y empresas proveedoras, para entregar abultadas sumas a los partidos, se suma al escándalo de 2005 conocido como el “mensalão”. Varios dirigentes del PT fueron encarcelados como responsables de fraudes que creaban fondos para sobornar parlamentarios y asegurar su fidelidad al oficialismo. Se habló de pagos mensuales, de ahí el apodo de “mensalão”. El escándalo no impidió, pero complicó la reelección de Lula al año siguiente.

El ahora apodado “petrolão”, por centrarse en la empresa petrolera, va a sacudir el mundo político en los próximos meses, cuando se revelarán los parlamentarios y dirigentes políticos involucrados. Las investigaciones policiales se basan principalmente en delaciones de 13 acusados que canjean revelaciones por penas más cortas. Los políticos estaban preservados hasta ahora porque los que tienen cargos de elección popular cuentan con el llamado “foro privilegiado”, por el que solo pueden ser juzgados por el Supremo Tribunal Federal.

Por ello, la tensión política actual se alimenta mucho de la ansiedad y la incertidumbre. Se desconocen los efectos políticos del escándalo o cómo responderá el gobierno a la crisis, ante el silencio de Rousseff sobre la situación política. “La intranquilidad y la insatisfacción seguirán porque la economía no mejorará pronto, tampoco la crisis del agua y energía, y las investigaciones de corrupción se prolongarán. Quizás el gobierno pueda respirar dentro de seis meses”, anticipó Lattman-Weltman.

En su opinión, más que la corrupción es la economía la que amenaza a la presidenta. Y muchos factores de esa área no dependen del juego político, como la coyuntura internacional, la crisis energética que se agravaría si sigue la escasez de lluvias, destacó. Sí el programa de austeridad tiene éxito y se reduce la inflación y se retorna al crecimiento económico, mejoraría la situación política, sostuvo. En ese objetivo puede ayudar el negociar con el parlamento y mejorar las relaciones entre Ejecutivo y Legislativo, algo que depende de la capacidad de quien gobierna, señaló.

Pero una sombra preocupa al gobierno y a la oposición en este cuadro de deterioro político y económico. Las protestas callejeras que sacudieron Brasil en junio de 2013 pueden salir de la hibernación de casi dos años y romper el juego actual de confrontación política y disputas canalizadas por vía institucional. La campaña “Fuera Dilma” en reclamo de su inhabilitación y la amenaza de llevar a las calles las polarizadas disputas son apuestas con muchos riesgos, que la oposición deberá calibrar y moderar. Si lo hacen, se sabrá en poco tiempo en Brasil.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Brasil en la integración de América Latina

Fernando de la Cuadra
Revista Polis

En el marco de las transformaciones que están ocurriendo en escala global, Brasil se ha venido posicionando como una potencia a nivel regional. Este nuevo protagonismo que ha adquirido el “gigante del Sur” se debe en gran medida a la disminución de la presencia de Estados Unidos en la región, fenómeno se hizo evidente después del fracaso de su iniciativa para crear un Área de Libre Comercio para las Américas (ALCA), la cual fue definitivamente sepultada en la Cumbre de las Américas realizada en Mar del Plata en el año 2005.

De hecho, la disminución de la presencia de Estados Unidos en la región, ya venía siendo advertida por diversos analistas y desde diversas perspectivas de las relaciones internacionales. Este fenómeno viene acompañado de la crisis del hegemon que ellos representan. Para algunos autores - Hobsbawn, Wallerstein, Arrighi, Hopkins, Davis, Chomsky – dicha decadencia ya se produce lenta e inexorablemente desde los acontecimientos de mayo de 1968, la que además se habría acelerado a un ritmo vertiginoso en la última década, especialmente con posterioridad a los atentados del 11 septiembre de 2001. En América Latina, la decadencia del poder estadunidense se ha venido constatando desde antes del revés experimentado por dicha nación en la Cumbre del 2005. En efecto, la emergencia de un número significativo de coaliciones de izquierda o socialistas, moderadas o fundacionales1 ha marcado con diferentes grados e intensidades el distanciamiento de los gobiernos latinoamericanos regionales hacia las directrices y políticas emanadas desde el Departamento de Estado. A pesar de que Estados Unidos ha tratado de compensar este fracaso por medio de la firma de acuerdos bilaterales del tipo TLC, la percepción global es que Washington ha perdido un importante segmento de su influencia en el espacio regional.2

Por lo tanto, aprovechando este patente vacío del hegemon norteamericano, Brasil ha encontrado una excelente brecha para cautelar por sus intereses en el hemisferio. En este sentido, en el plano diplomático y comercial, Brasil ha sido una pieza fundamental en los esfuerzos para lograr una mayor integración regional desde su papel protagónico en la creación del MERCOSUR, inclusive con todo lo lento y complicado que ha sido el proceso de integración en esta sub-zona hemisférica.3 La formación de la Unión de Naciones Sudamericanas (UNASUR) significó la concreción de una virada estratégica en las relaciones bilaterales, apuntando ahora a un fortalecimiento de su posición en toda la región sur del continente. Según algunos analistas, la creación de UNASUR representó para Brasil la culminación exitosa de una concepción en que la integración regional sería funcional para su mejor desempeño como un player global, que le permitiría dividir los espacios de influencia geopolíticos y económicos con Estados Unidos. En dicho contexto, esta integración debía servirle además a Brasil en el objetivo de aumentar su poder y su autonomía en la estrategia más amplia de inserción en la economía global y de proyección en el sistema internacional.4

Un proyecto importante vinculado a UNASUR consiste precisamente en la Iniciativa para la Integración de la Infra-estructura Regional Sudamericana (IIRSA) que definió como prioritario la construcción de una red de carreteras y vías entre las diversas sub-regiones existentes en el hemisferio. El IIRSA es una propuesta que surgió con el auspicio del Banco Interamericano de Desarrollo y la Corporación Andina de Fomento (CAF) con el propósito de reordenar y reorganizar los territorios de América del Sur en corredores productivos que optimizarían los flujos de comercio y exportación. Para Brasil dicha inter-conectividad, tanto por recorridos fluviales como por carreteras, es de gran importancia, especialmente en lo que respecta a la disminución de los trayectos entre las regiones productivas y los puertos de embarque de mercaderías. Especialmente significativa para el país es la exportación de soja para el mercado Chino a través del Océano Pacifico, por eso el país ha apoyado calurosamente la creación de un corredor bioceánico que le permita tener salida hacia los puertos ubicados en el litoral occidental del continente, preferentemente en el puerto de Ilo en el sur del Perú y los de Arica e Iquique en el norte de Chile. Para ello, el gobierno de Brasil se comprometió a financiar la mayor parte de la construcción de una carretera uniría la región de Mato Grosso do Sul (principal productora de soja) con dichos puertos, atravesando el territorio boliviano y peruano. La carretera que atraviesa el territorio boliviano desde Puerto Suarez en la frontera con Mato Grosso do Sul (Corumbá) hasta la divisa con Chile, estaba siendo financiada en su mayor parte por el Estado brasileño a través del BNDES quien aportaría el 80 por ciento (US$ 332 millones) del valor total de la obra calculada en 420 millones de dólares. La empresa que se adjudicó la licitación para la construcción de la carretera era la brasileña OAS.5

En su trazado original la carretera se proponía integrar el departamento de Cochabamba en la parte central del país con la región oriental del Beni, cruzando en su recorrido el Territorio Indígena y Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), considerada un “área intangible” por la Constitución boliviana. Por este motivo, las comunidades indígenas que habitan el TIPNIS han realizado una serie de movilizaciones y marchas con la finalidad de alterar el trazado original que vulnera su hábitat e infringe explícitamente la Resolución 169 de la OIT que establece que ninguna actividad o proyecto productivo, extractivista o energético puede ser realizado en determinado territorio sin consultar antes a las comunidades que allí habitan. Los conflictos surgidos en torno a la construcción de la carretera llevaron al gobierno de Morales a reconsiderar el inicio de los trabajos de construcción y reconocer efectivamente al TIPNIS como una zona intangible según el precepto constitucional.

Junto con ello, el gobierno decidió realizar una consulta entre las 69 comunidades que habitan el territorio, cuyo resultado favorable a la construcción de la carretera ha sido contestado por organizaciones de la Iglesia y de derechos humanos.6 Aún más, en octubre de 2012 –antes de conocerse el resultado de dicha consulta- la Empresa Boliviana de Construcción (EBC) y la Asociación de Mantenimiento Vial (AMVI) habían iniciado los trabajos del tramo I del proyecto entre Villa Tunari e Isinuta en el Departamento de Cochabamba.7

Brasil también ha tenido un importante papel en la creación de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de las Américas (ALBA), la cual surgió con la finalidad de transformarse en una alternativa soberana al ALCA. En el contexto del ALBA, los países firmantes concibieron la posibilidad de fundar un banco que fuera una alternativa a los designios de las instituciones surgidas de Bretton Woods (Fondo Monetario Internacional y Banco Mundial), para lo cual se fundó el Banco del Sur, el cual tendría aportes significativos de Brasil junto con Venezuela. La posibilidad de tener un Banco de Fomento y Desarrollo en la región se ha frustrado, en parte por la crisis que atraviesa Venezuela y además porque Brasil ha privilegiado al Banco Nacional de Desarrollo Económico y Social (BNDES) como principal agente para el otorgamiento de préstamos a los gobiernos y empresas que actúan en la región.

Este enorme potencial genera entre determinados círculos políticos, diplomáticos y militares la convicción de que Brasil tiene que ocupar necesariamente, casi que por “destino manifiesto”, un papel trascendental en la escena internacional. De hecho, Brasil ha tenido en la última década una política exterior activa, impulsando o forjando diversas iniciativas en el plano latinoamericano y mundial, tales como creación junto con India, Alemania y Japón de un Grupo destinado a promover una reforma del Consejo de Seguridad de Naciones Unidas.8 En 2006 Brasil igualmente fue un actor fundamental en la convocatoria de un encuentro entre los países africanos y América del Sur.9 En 2010, Brasil estuvo al frente de la organización para la primera cumbre América Latina y Caribe sin la presencia de Estados Unidos, la cual permitió la creación de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC).

En el contexto internacional Brasil se destaca como la séptima economía mundial y se estima que en 2014 tendrá un PIB anual de 4,94 trillones de Reales (cerca de 2,2 trillones de dólares). Esta ubicación privilegiada en términos del producto se sustenta en el tamaño continental de su territorio el cual contiene una variedad y abundancia de recursos naturales (biodiversidad, agua, florestas, selvas, bosques, enormes planicies, pantanal, etc.), energéticos (hidrocarburos, agrocombustibles, hidroelectricidad, energía solar, parques eólicos, etc.), minerales (hierro, acero, uranio, metales preciosos, etc.). Por lo mismo, la incorporación de este país al grupo de los llamados países emergentes o BRICS10 no hace más que fortalecer la imagen de que Brasil será junto a los otros miembros de los “emergentes” la gran potencia que despuntará a mediano plazo en el ámbito global. Precisamente el que Brasil sea miembros de los BRICS no garantiza que la relación con sus vecinos latinoamericanos mejore, al contrario, ello puede significar –como apuntan muchos analistas- que Brasil asuma definitivamente su posición de nación con vocación imperialista, donde el resto de países latinoamericanos pase a constituirse en la periferia de la nueva potencia.

Indudablemente, la relación de Brasil con sus vecinos de América Latina es compleja y múltiple. En algunos casos se puede apreciar un acercamiento a países que poseerían la misma sensibilidad de izquierda o progresista. Ella es ejemplar en el caso de Cuba, país con el cual se han firmado una serie de convenios importantes tales como la contratación de 30 mil médicos cubanos para participar en el programa “Mais Médicos” del Gobierno Federal. Por su parte, el tratado firmado recientemente para invertir un billón de dólares en la modernización del Puerto de Mariel beneficiará al Estado cubano, pero asimismo a las empresas brasileñas.11 Es decir, aparte de las simpatías políticas, los trabajos de reconstrucción de este puerto se han transformado en una excelente oportunidad de negocios para las grandes empresas contratistas brasileñas (en este caso Odebrecht)12 y de igual forma para las empresas procesadoras -especialmente de productos de alta tecnología como biofármacos– se puedan instalar en esa zona económica privilegiada a escasos kilómetros de Miami y del mercado estadounidense. La proximidad con el nuevo Canal de Panamá es ciertamente un elemento a ser considerado, por la facilidad de acceder a los mercados ubicados en la región del Pacifico. En su discurso durante la inauguración de la primera fase del Convenio, la presidenta Dilma Rousseff declaró:

“Es un proceso gana-gana, Cuba gana y Brasil gana. Es un buen negocio (…) Nosotros continuaremos haciendo inversiones en el área portuaria en Brasil. Brasil es hoy un país líder en América Latina y tiene sus responsabilidades. Así como saludamos a los países desarrollados que, al hacer inversiones, financian el abastecimiento de sus empresas nacionales, Brasil también financió el Puerto de Mariel, que por ejemplo, ahora en el acuerdo, quien abastece los equipamientos, los bienes y servicios son empresas brasileñas. Más de 400 empresas brasileñas participan de este esfuerzo, generando empleo y renta”. (Blog do Planalto, 28/01/2014).

Con ese supuesto, Brasil ha tenido una política de “generosidad” con los países más pobres de la región, como es el caso del apoyo proporcionado por la Misión de Paz en Haití, donde Brasil tuvo un papel activo en la creación de la Misión de Estabilización de Naciones Unidas en Haití (MINUSTAH), que desde su inicio en 2004 se encuentra bajo el Comando Militar del ejército brasileño. La actuación de Brasil en el país caribeño responde de igual forma a una orientación de la política externa brasileña de tener un mayor protagonismo en los asuntos internacionales, buscando inclusive un asiento permanente en el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas. En realidad, Estados Unidos, Francia y Canadá dirigirían la inteligencia y la planificación estratégica de la MINUSTAH. La única novedad es que le traspasaron a Brasil el comando de las tropas que provienen en su mayoría de países de Sudamérica y de Centroamérica: Argentina, Uruguay, Brasil, Chile, Perú, Guatemala, Bolivia, Ecuador, Paraguay, El Salvador y Honduras.

¿Pero cuál ha sido el resultado concreto de estas acciones en Haití? Según entidades de derechos humanos, después de 10 años de ocupación, el país continúa con serios problemas sociales, políticos e institucionales, con una clara regresión democrática, represión violenta y sistemática de las manifestaciones populares y ataques a dirigentes de la oposición. La MINUSTAH incluso sustentaría una manipulación grosera de los procesos electorales e institucionales y la entrada libre de capitales transnacionales para controlar espacios estratégicos de la economía, incluyendo la mega-minería, el turismo de lujo, las empresas que exportan productos sin pagar impuestos y la agroindustria exportadora. En ese contexto, el senado de Haití solicitó en dos ocasiones la retirada de las tropas. Investigaciones recientes indican que 89% de la populación rechaza la presencia de la MINUSTAH y la secuencia de movilizaciones masivas, que siguen aumentando desde octubre de 2013, pidiendo la renuncia del presidente, reclama sistemáticamente por el fin da ocupación.

Aún más, estas acciones de cooperación, concesiones y a veces de “renuncia” por parte de Brasil, han quedado asimismo en evidencia en los casos de Bolivia, Paraguay y Ecuador, países en los cuales Brasil tenía importantes inversiones en los sectores de hidrocarburos y energético.13

Con relación a Bolivia, el gobierno de Evo Morales decidió el año 2006 proceder a la nacionalización de sus recursos de hidrocarburos, para lo cual llegó inclusive a movilizar su ejército para realizar las tareas de recuperación de las instalaciones de las empresas refinadoras existentes en el país, entre ellas Petrobras. Sin embargo, una llamada de Marco Aurelio García -consejero para asuntos internacionales del Palacio do Planalto- al vicepresidente boliviano Álvaro García Linera, consiguió que este último desautorizara una resolución del Ministro de Energía que pretendía aplicar el decreto de nacionalización de hidrocarburos, que precisamente incluía las refinerías controladas por Petrobras. Ante dicha situación el entonces Ministro se vio –según sus propias palabras- en la obligación moral de renunciar. Posteriormente el ex Ministro denunciará en un artículo que “el interés brasileño no solo por el presente, sino también por el futuro ocasiona la susceptibilidad de quienes recuerdan que los 38 años de ‘olvido’ del proyecto gas-químico está asociado con la promesa de instalar 24 termoeléctricas en territorio boliviano con parte del gas destinado a San Pablo, agravado por la exportación fraudulenta de gas, mediante asociación con Repsol y el no pago por el gas húmedo, durante los primeros ocho años de vigencia del contrato boliviano-brasileño. En la situación presente, Bolivia se asemeja a un enfermo muy grave que, en opinión de Lula y Marco Aurelio, podría sobrevivir con el suero por goteo que le suministraría Brasil, a condición de no desarrollarse por sí misma”.14

Esta situación solo vino a reforzar el malestar presente entre muchos bolivianos con respecto al despojo que han sufrido por parte de Brasil desde el siglo XVIII. Los orígenes de dicha expropiación histórica de la cual habría sido víctima Bolivia se remontan a fines de ese siglo, cuando Bolivia perdió, en un breve periodo de tiempo, un espacio geográfico gigantesco, de casi 300 mil km².15 Efectivamente, tal como lo expone claramente el ex presidente boliviano Carlos Mesa, desde el acuerdo que provocó la incorporación de Acre al territorio brasileño “la tesis del sub-imperialismo brasileño quedó fuertemente anclada en la interpretación boliviana de nuestras relaciones con el vecino del este”.16

En otro conflicto ampliamente difundido, el gobierno de Rafael Correa decidió en octubre de 2008 expulsar a la constructora Odebrecht bajo la acusación de no cumplir con los compromisos contractuales acordados con el estado ecuatoriano. El principal motivo de esta medida drástica fue que las turbinas de la represa San Francisco sufrieron fallas técnicas de consideración un año después de haber sido instaladas, situación que llevó a la paralización de la represa, comprometiendo, de esta manera, en un porcentaje significativo la generación y el suministro de energía necesario para las actividades de dicho país. Por su parte, la empresa brasileña que declaró “lamentar los inconvenientes causados al Estado ecuatoriano”, ejerció presiones sobre el gobierno de Brasil para que este intercediera ante el presidente Correa, el cual finalmente no reconsideró la medida tomada por su gobierno. En todo caso, la expulsión de la Odebrecht no liberó a Ecuador del pago de la deuda con el BNDES, lo cual significaba en concreto que este país asumió una deuda de 600 millones de dólares con el Estado brasileño para realizar un proyecto hidroeléctrico cuyos posteriores desperfectos lo transformaron en una obra inutilizable. No obstante, sintiéndose injuriado, el gobierno brasileño reaccionó con dureza frente a la decisión de Ecuador y llegó a suspender por un largo periodo todos los proyectos de cooperación e inversión destinados a ejecutar mejorías de la infraestructura que estaban siendo discutidos entre ambos países. A su vez, Ecuador amenazó con la posibilidad de nacionalizar todos los campos petroleros bajo operación de la Petrobras si dicha empresa no se adaptaba a la nueva política de hidrocarburos decretada por esa nación. En síntesis, una disputa entre el gobierno ecuatoriano y una empresa privada se transformó en un problema de estado para ambos países. En gran medida eso se debe al tipo de relación que mantiene el Estado brasileño con sus empresas y en este caso, reforzado por el estrecho vínculo existente entre la constructora Odebrecht y el Partido de los Trabajadores.17

Por cierto, algunas “concesiones” realizadas por el Estado brasileño representan solo una dimensión de esa compleja lógica integración/dominación/dependencia. Si bien, como señalábamos en líneas previas que Brasil tuvo un comportamiento tolerante ante el intento de ocupación y nacionalización de sus empresas por parte del gobierno boliviano o de la expulsión de una de sus empresas desde territorio ecuatoriano, por otra parte, el Estado brasileño no llegó en ninguna hipótesis a negociar la cesación de pagos, el fin de la cláusula indemnizatoria o la condonación de la deuda contraída por ambos gobiernos. Y desde el punto de vista de los países mencionados y del resto de los vecinos regionales, estos actos de “recuperación” se pueden ver como la culminación de un largo recorrido histórico de contención o de resistencia al expansionismo brasileño en el plano de este vínculo Estado-empresas. Precisamente, la relación estado-empresas en el contexto brasileño ha sido marcada por una especie de simbiosis entre el gobierno y las empresas, especialmente de aquellas vinculadas a la construcción civil. Dicha fusión se enmarca dentro de la perspectiva de internacionalización de las compañías brasileñas dentro de la propuesta denominada como novo desenvolvimentismo (neodesarrollismo), que representa la política de internacionalización en su segunda fase (la primera fase se inició en la década del setenta, durante la vigencia del llamado “milagro brasileño”)18. En la etapa actual, más que agentes económicos las empresas transnacionales brasileñas han ido construyendo un espacio de diplomacia en que las empresas desempeñan un papel fundamental en la relación con los gobiernos, (gobierno-empresa) agregando un nuevo vector de articulación a las ya consagradas relaciones diádicas entre gobiernos y entre las empresas.19

A partir de estos antecedentes, algunos autores señalan que ellos demostrarían fehacientemente la vocación imperial y el papel de Brasil en el contexto regional. En ese estado de espíritu se puede inserir la afirmación plasmada en el libro de Raúl Zibechi: “La vinculación de la burguesía nacional con las cúpulas del sindicalismo y, también, con la burguesía de los países aledaños ha permitido a las empresas brasileñas extender sus dominios territoriales, consolidándolas como transnacionales que funcionan a la par con las de los imperios de antaño (…) Es decir, Brasil Potencia es posible gracias a la alianza entre un sector decisivo del movimiento sindical y del aparato estatal federal, con la burguesía brasileña y con las fuerzas armadas”.20

Resulta interesante constatar que este sentimiento “anti-imperialista” presente entre muchos políticos e intelectuales de países vecinos, no ha sido percibido por el empresariado y las elites gobernantes de Brasil. Al contrario, tiende a prevalecer la idea de que Brasil es demasiado generoso y concesivo con sus vecinos menores, invocándose para ello los altos volúmenes de recursos que destina este país para financiar la construcción de grandes obras de infraestructura en prácticamente todos los países del hemisferio.

Hace algunos años atrás Ruy Mauro Marini expuso con bastante consistencia esta fuerte alianza existente a partir de los años cuarenta -desde el llamado Estado Novo- entre fracciones del capital industrial y de empresas agro-exportadoras, cuando la expansión del proceso de industrialización necesitaba mantener una política de cambio desvalorizado con el objetivo de compensar el todavía insuficiente papel de los exportadores en la generación de las divisas necesarias para financiar las exigencias de importaciones de bienes de producción para la naciente industria brasileña. Esta alianza se consolido después del golpe militar de 1964 y se constituyó en una pieza relevante en la dinámica sub-imperialista emprendida por Brasil hasta mediados de los años ochenta.21

Durante el presente siglo, esta búsqueda de expansión en los mercados externos se consolida, aunque ahora con mayor énfasis en la exportación de capitales, principalmente a través de inversiones directas. Es en ese contexto en el cual surgen las políticas públicas orientas a incentivar la internacionalización de las actividades de préstamos y créditos concedidos por el BNDES hacia el resto de los países del hemisferio, inclusivo instalando filiales en varios de ellos. Pero no solo eso, la banca privada brasileña se encuentra igualmente en una acelerada fase de expansión en los países de la región y la presencia de entidades financieras como Bradesco, Itaú Unibanco, BTG Pactual, ya son parte del paisaje de muchas ciudades latinoamericanas.22

En síntesis, nos enfrentamos a un escenario contradictorio en que por una parte Brasil aparece como un gran socio dispuesto a crear y fortalecer los lazos y la integración entre todas las naciones del continente. Diferentemente, Brasil se presenta como una fuerza geopolítica tan grande con relación a sus vecinos, que “les rompe las costillas aun cuando quiere abrazarlos amistosamente”.23 O incluso Brasil puede ser visualizado como una potencia con vocación imperialista que orienta toda su política exterior con la finalidad de transformarse en una fuerza avasalladora e incontrarrestable en esta zona del mundo. Se pueden encontrar argumentos para defender diversas tesis en esta relación compleja y multidimensional que se establece entre el país-continente y sus vecinos de América Latina.

Notas

1 Afirmamos esto, sin entrar en el mérito de la discusión con respecto a lo que significa ser en la actualidad socialista, de izquierda o progresista en el mundo y en América latina, lo cual daría asunto para otro trabajo de mayor envergadura.
2 Ver, por ejemplo, Rodrigo Lara Serrano, Estados Unidos pierde influencia en América Latina, AméricaEconomía, 31/10/2008; Janette Habel, ¿Washington perdió a América Latina?, Le Monde Diplomatique, 16/12/2007; Immanuel Wallerstein, La irresistible decadencia del Imperio americano, en el sitio La Haine, 24/09/2007.
3 De hecho, Mercosur ha mostrado ser un acuerdo plagado de dificultades que lo comprometen como un efectivo espacio de integración. Por ejemplo, hasta ahoraha sido difícil y demorado el proceso para unificar la moneda pues ello implica tener una política de convergencia monetaria, la cual precisa de una inflación similar y controlada por los gobiernos. De lo contrario, no es posible siquiera pensar en una moneda común. A pesar de estos y otros obstáculos a la integración sub-regional, la decidida voluntad de fortalecer Mercosur ha significado que Brasil aumentará sus intercambios comerciales con los países socios en más del 200 por ciento en los últimos años.
4 Bernardo Sorj y Sergio Fausto, “El papel de Brasil en América del Sur: estrategias y percepciones mutuas”, en Sorj y Fausto (comp.). Brasil y América del Sur: Miradas cruzadas, Buenos Aires: Catálogos/Plataforma Democrática, 2011.
5 El contrato conla constructora brasileña OAS fue anulado en abril de 2012 luego que el gobierno boliviano postergara la decisión de construir la vía hasta después de conocerse los resultados de la consulta que se realizaría durante el curso de ese año y que serían difundidos a mediados de diciembre.
6 Existe un informe elaborado en conjunto por Caritas Boliviana y la Asamblea Permanente de Derechos Humanos de ese país en el que se concluye que “la consulta del Gobierno fue precedida y acompañada por regalos, prebendas y promesas de desarrollo y servicios que condicionaron los criterios de libre y buena fe”.
7 El llamado caso TIPNIS representa un caso emblemático de las contradicciones existentes entre gobiernos que dicen respetar el medioambiente y las comunidades, pero que a la hora de atender a los intereses de las empresas y los productores, acaban por abdicar de su discurso ambientalista para privilegiar una pretendida vocación desarrollista que favorecería al conjunto de la población y no solamente a un segmento minoritario, como lo son los pueblos originarios y comunidades que se encuentran asentadas en los territorios en disputa.
8 En todo caso, la diplomacia brasileña hasta ahora no ha conseguido el ansiado asiento permanente en dicho organismo.
9 La voluntad de establecer una política de mayor acercamiento con América Latina y los países africanos de lengua portuguesa (Angola, Mozambique, Cabo Verde, Guinea Bissau, San Tomé y Príncipe y Timor-Este, se encuentra claramente retratada en la creación, durante el gobierno Lula, de dos universidades orientadas a alumnos provenientes de la región latinoamericana y de los países africanos lusófonos. Son ellas la Universidad Federal de la Integración Latino-Americana (UNILA) y la Universidad de Integración Internacional de la Lusofonía Afro-Brasilera (UNILAB).
10 Los BRICS son: Brasil, Rusia, India, China y Sudáfrica. Algunos economistas han sugerido además la incorporación al grupo de Corea del Sur.
11 Las obras del puerto están siendo financiadas por el BNDES, siendo que del presupuesto inicial de US$ 957 millones, el equivalente a unos US$ 800 millones se han destinado a la contratación de servicios y equipamientos producidos en Brasil, lo cual ha generado cerca de 150 mil empleos en este país. El puerto responde por la mayor cantidad del presupuesto invertido por Brasil en Cuba, que en total alcanza la suma de 1,6 billones de dólares.
12 Para realizar estas grandes obras, muchos gobiernos han aceptado el apoyo de Brasil, que por medio del BNDES ha efectuado préstamos anuales por un monto de 80 mil millones de dólares. En general la condición impuesta a los países financiados, es que las empresas constructoras sean brasileñas. Junto a la mencionada Odebrecht, se destacan en la construcción civil empresas tales como OAS, Andrade Gutiérrez, Mendes Júnior, Queiroz Galvão o Camargo Corrêa.
13 La ocupación de una refinaría de la Petrobras en Bolivia por parte del gobierno de ese país, fue considerada una afrenta por muchos políticos y especialistas en relaciones internacionales, quienes presionaron al gobierno a tomar medidas vehementes para recuperar lo que consideraban un patrimonio de toda la nación brasileña.
14 Andrés Soliz Rada, Arremetida brasileña, en sitio Rebelión, 26/04/2010.
15 Bolivia cedió más de 100 mil km² en la región del río Madera en el Tratado que se firmó en 1867 entre el Presidente Mariano Melgarejo de Bolivia y el Emperador Pedro II de Brasil. Posteriormente, ante la inminencia de un conflicto bélico total por la posesión del territorio de Acre, Bolivia aceptó ceder prácticamente todo ese territorio de 190 mil km² a cambio de una compensación pecuniario. Ambos acuerdos le restaron a Bolivia el equivalente a más del 25% de su actual territorio.
16 Carlos Mesa, “Bolivia y Brasil: los meandros del camino”, en Sorj y Fausto (comp.). Brasil y América del Sur: Miradas cruzadas, Buenos Aires: Catálogos/Plataforma Democrática, 2011.
17 Analistas calculan que los aportes y donaciones de campaña que beneficiaron al PT y sus candidatos en las elecciones de 2010, tanto por parte de la Odebrecht como de otras empresas constructoras, alcanzó la cifra de 15 millones de dólares. Ver Raúl Zibechi, Brasil Potencia, México: Bajo Tierra Ediciones, 2012, p. 48.
18 Como lo destaca una especialista: “la internacionalización se hace necesaria y la diplomacia responde a las demandas del desarrollo nacional no solamente desde la óptica de sus agentes de Estado, sino que también, en la actuación de sus agentes de mercado, nacional e internacionalmente. La integración de la infraestructura y del mercado regional es una condición indispensable para el alcance de los objetivos del nuevo desarrollismo”. Patrícia Vasconcellos, O papel das empresas transnacionais brasileiras de engenharia e construção na integração sul-americana. En: Brasil e América Latina. Percursos e Dilemas de uma Integração, Fortaleza: Ediciones UFC, 2014, pp. 77-113.
19 “En la diplomacia Estado-empresa, las empresas son capaces de influenciar en las negociaciones y tomas de decisiones en aquellos asuntos que antes eran vistos como un campo específico de las relaciones entre Estados. La relación Estado-empresa se transforma, para ambos lados, en una estrategia política para el desarrollo económico global”.Vasconcellos, op. cit., p. 105.
20 Zibechi, op. cit., pp. 10-12.
21 Ruy Mauro Marini, América Latina: integración e dependencia, São Paulo: Brasil Urgente, 1992.
22 El Banco do Brasil que posee una importante actuación en el hemisferio, es una institución estatal, aunque constituida como una sociedad de economía mixta.
23 Andrés Soliz Rada, Geopolítica brasileña, en sitio Rebelión, 27/09/2011