quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Indignados da Espanha preparam-se para "ocupar" o Congresso

Guilherme Kolling
Carta Maior

Ativistas pretendem levar milhares ao centro de Madri, no dia 25 de setembro, para tomar as ruas no entorno do Parlamento e rodeá-lo de gente. Ato “Ocupa o Congresso” pretende chamar a população para o “resgate da cidadania” e reforçar as críticas ao modelo atual de democracia. Protesto vai além da contestação aos políticos e propõe a abertura de um processo constituinte.

Dia 1º de setembro, sábado ensolarado e ameno em Madri. Cerca de 100 pessoas se reúnem em um círculo formado em um recanto do Parque do Retiro. Passam um megafone de mão em mão, debatem, anotam. A conversa tem início as 11h e só termina por volta das 20h. No domingo, o evento se repete, no mesmo local e horário.

O mês começou com reuniões diárias dos Indignados da Espanha. As assembleias prosseguirão até o dia 25, quando um coletivo de grupos da sociedade civil fará um grande ato chamado “Ocupa o Congresso”. A ideia é levar milhares para as ruas, rodear o Parlamento de gente em nome de um “resgate” do Legislativo e da cidadania. “Os mercados sequestraram o Congresso e a política foi roubada dos cidadãos”, argumentaram ativistas em um dos encontros no parque.

A expressão “resgate” faz referência indireta ao repasse de 100 bilhões de euros da União Europeia para salvar o sistema bancário espanhol. O recurso chegará à custa de muito sacrifício da população, afetada pelos cortes drásticos no orçamento - 65 bilhões de uma tacada -, que atingem os serviços de saúde e educação, além dos rendimentos de funcionários públicos, aposentados e desempregados (um quarto da população economicamente ativa).

O pacote anunciado pela gestão do Partido Popular de Mariano Rajoy para diminuir o endividamento do país ibérico inclui ainda uma subida da carga tributária. Primeiro foi o imposto de renda, no início do ano, e agora entrou em vigor o aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que abrange quase todos os setores da economia, alterando desde o preço do metrô (que já havia sido reajustado em maio) até produtos de alimentação.

As medidas não estavam previstas no plano de governo do PP. O povo saiu às ruas ao longo de todo o primeiro semestre para protestar. Ninguém parece estar de acordo com o duro ajuste fiscal. O próprio Rajoy admite que é contrário a essas ações impopulares, mas justifica que não há outra saída nesse momento.

Ou seja, as decisões não são mais tomadas em Madri, mas em Bruxelas, onde fica a Comissão Europeia, e em Berlim, capital da Alemanha, principal economia do bloco. Para os Indignados, mais uma prova da falência do atual sistema democrático na Espanha - “Le llaman democracia esto no es!” é uma das palavras de ordem do grupo. Falta força ao governo para defender a soberania nacional e sobra contrariedade na população, que protesta contra suas medidas.

No Congresso, emblema do sistema democrático espanhol, houve poucos debates quando Rajoy anunciou os cortes - a maioria dos parlamentares é governista. Além disso, o local está patrulhado ostensivamente por policiais há quase dois meses. Nos dias mais tensos, furgões, grades e homens armados controlam duas quadras da rua Cedaceros, onde está o prédio em que os deputados federais dão expediente. Tudo para evitar protestos no local.

A norma deve ser desafiada no dia 25 de setembro, o 25-S, como dizem os espanhóis. Antes disso, no dia 15, os principais sindicatos do país pretendem fazer um megaprotesto contra os cortes, propondo um referendo popular para avaliar as medidas do governo. O outono será quente nas ruas de Madri.

Evolução no discurso e resultados concretos

Há um ano e meio, em 15 de maio de 2011, os olhos do mundo estavam voltados para a Puerta del Sol, no centro de Madri, onde um grupo de jovens saiu às ruas para protestar contra o sistema político do país. Conhecidos como Os Indignados, o coletivo pedia “democracia real já” e dizia que os políticos não os representavam. “Que no, que no, que nos representan!”

Apresentando-se como os 99% da população que estavam insatisfeitos com a política que beneficia o 1% que está ao lado do capital financeiro internacional, o 15-M (referência à data 15 de maio) sustentava que a crise financeira não deveria ser paga com sacrifícios do povo, mas sim pelos banqueiros. “Esa crise no la pagamos!”

A mobilização inicial durou três meses, em toda a Espanha, e, segundo pesquisas, cerca de 4 milhões de espanhóis participaram de algum ato do 15-M em todo o país. Contrários a todos os partidos e até mesmo aos sindicatos, o movimento recebeu algumas críticas pelo seu niilismo, que não viria acompanhado de propostas.

Entretanto, os Indignados fomentaram a criação de assembleias de bairros e apoiaram grupos que trabalham, por exemplo, a questão da moradia, uma tema que ganhou mais importância devido ao aumento exponencial de casos de despejo de pessoas que não conseguiram mais pagar sua hipoteca após a crise. E, em um ano, o 15-M catalogou 14.700 propostas para mudar o sistema. Nessa linha evolutiva, do protesto às propostas, fica claro nas discussões das assembleias preparatórias ao Ocupa o Congresso a preocupação em não apenas criticar o sistema, mas dar um passo adiante, buscar soluções.

“De que adianta derrubar um governo que é ilegítimo se logo entra outro que fará a mesma coisa? Por isso é importante discutir o sistema, queremos mudar o modelo que está aí”, disse um dos ativistas durante a assembleia de sábado no Parque do Retiro. Seus companheiros levantaram os braços e chacoalharam as mãos, sinal utilizado pelos Indignados para dizer que estão de acordo. “Em diversas discussões, percebo que já não se fala mais dos problemas do PP ou do PSOE (principais partidos na Espanha). Muita gente já se deu conta de que é preciso mudar o regime, isso é que se está sendo discutido”, comemorava outro integrante dos Indignados.

O consenso nas reuniões é de que o ato de 25 de setembro não acabe na ação simbólica do dia, deve ser o marco para o início de um processo constituinte participativo e contínuo, uma transição democrática até se chegar a um novo modelo em que o cidadão seja mais ouvido.

A coordenação do 25-S já explicita a proposta em sua página na internet, em que fala da “injusta situação atual de perda de direitos em saúde, educação, serviços sociais, emprego e moradia” e propõe o início de um processo que leve a Espanha “a um novo modelo social, baseado na soberania popular participativa”. O ambiente é propício para isso. Diversos setores da sociedade, inclusive partidos políticos, defendem mudanças constitucionais, fala-se em uma nova lei eleitoral e, nas ruas, a crise e a ineficiência do atual sistema são temas recorrentes nas conversas do cidadãos, seja em paradas de ônibus, bares ou no metrô.

Para completar o quadro, segundo pesquisas divulgadas em agosto, os políticos estão entre as categorias com maior rejeição da opinião pública, rivalizando com os banqueiros na disputa pela última colocação das instituições-setores pior avaliadas pela sociedade espanhola.

Ativistas de Barcelona alertam para guerra midiática

No dia 3 de setembro, ativistas de Barcelona foram a Madri para expor aos organizadores do ato Ocupa o Congresso a experiência que tiveram em uma ação parecida no entorno do Parlamento da Catalunha, realizada em junho de 2011.

Na época, os Indignados catalães queriam evitar a votação de um orçamento para sua província com cortes que já haviam sido definidos pela União Europeia e que não estavam previstos nas plataformas eleitorais de nenhum partido.

Depois de uma vigília noturna em frente ao Legislativo na véspera da votação, os manifestantes passaram o dia seguinte no local, com propostas como a de um orçamento participativo. Milhares de pessoas ficaram lá de forma pacífica. Mas houve atos de hostilidade na chegada de alguns parlamentares e confrontos pontuais com a polícia.

Nos meios de comunicação, a única mensagem exposta foi a de que houve violência em Barcelona. “Por isso é muito importante estar preparado para a guerra midiática. Ainda mais aqui em Madri, onde já há ataques ao movimento antes de ele ocorrer”, observou um ativista de Barcelona, em referência às críticas de representantes do governo de Madri e de jornais como o conservador La Razón ao Ocupa o Congresso.

Um das principais preocupações da organização do 25-S é que não haja enfrentamento com a polícia. É consenso que será uma ato de não violência, mas o desafio é evitar distúrbios numa massa de dezenas de milhares de pessoas e num ambiente que será de tensão, tendo em vista que haverá sessão no Congresso e um grande contingente de policiais será mobilizado.

Também já foi definido que não se pretende evitar a passagem dos parlamentares e muito menos a sessão do dia. Nessas três semanas que antecedem o ato, os ativistas pretendem deixar muito claro nas redes sociais e nos meios de comunicação o caráter pacífico da ação.

O objetivo é garantir que o momento seja de difusão da mensagem de que o sistema político tem problemas e que a sociedade espanhola precisa discutir mudanças, sem perder espaço para ataques ou rótulos que já estão sendo ventilados, como o de “violência de grupos anti-sistema” ou “golpe de estado, num ataque ao Congresso”.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

El pueblo del abismo: el Londres que denunció Jack London

Ramón Pedregal Casanova
Crónica Popular

Jack London (1876-1916) además de los conocidos “Colmillo blanco”, “La llamada de la selva” y “Martín Edén”, escribió libros con carácter marcadamente social: “El talón de hierro”, “Guerra de clases”, “La revolución y otros ensayos”, y “El pueblo del abismo”. Éste último lo hizo en 1902 tras su paso por East End, barrio londinense de la clase obrera, y se editó por primera vez en 1903.

El East End era un gueto al que la burguesía echaba a las familias de la clase obrera para así tenerlas retiradas de su vista. Jack London decidió conocer esa parte de la ciudad estando a la espera de la documentación que el periódico para el que escribía debía hacerle llegar con el fin de que continuase su viaje como corresponsal a la Guerra de los Bóers, en Sudáfrica. Y durante un par de meses vivió en esa zona de la ciudad que hoy se vende como la ciudad olímpica de lo occidental, moderna y atractiva para el turismo, más allá de ser uno de los puntos neurálgicos donde los poderosos toman decisiones que ensombrecen el mundo.

Jack London comunicó a un amigo su intención de traslado, algo que el otro intentó quitarle de la cabeza advirtiéndole de todo tipo de peligros. Sin embargo dejó su dinero excepto alguna moneda para usar en caso de una situación extrema, y se adentró en aquel barrio. Compró a un ropavejero la ropa desechada por un marinero, buscó una habitación que era más una cueva inmunda, y, a partir de ese momento, vivió con el hambre, los castigos y demás calamidades que ocasionaban a la clase obrera los patronos capitalistas, su policía y los guardianes de los comedores para pobres; quería saber de primera mano.

“El pueblo del abismo” es un reportaje de investigación impresionante, y además tan conectado con el momento que vivimos que nos hace pensar que 1902 no está tan lejos como parece; multitudes sin empleo, casas míseras, alimentos de la basura, explotación degradante, sin derechos, sin descanso, persecución policial a los más pobres por motivos que nos devuelven a nuestra vida diaria… Hace tan solo unos días se denunció el caso de los niños que pasan hambre en Inglaterra y en concreto en Londres.

Jack London sabe las circunstancias en las que viven las víctimas del sistema y cuales son los resultados de su imposible escapatoria: “Desde el instante mismo de su nacimiento todo cuanto le rodeaba contribuyó a hacerle insensible, más que a endurecerlo”. Escribe lo que ve a su alrededor, lo que le cuentan, lo que lee en periódicos, y saca a la luz lo más oculto haciendo que lo que pasa por normal adquiera relevancia; se rebela contra el embrutecimiento en el que están sumidos los 450.000 habitantes del East End, “Ni siquiera sueñan con pedirle algo más a la vida”. A pesar de que el hambre mata, pudre, consume a la multitud, la familia obrera, por más que todos sus miembros empleen las 24 horas del día en cualquier trabajo, no encuentra el camino de las aspiraciones de clase.

En ese verter constante a los cuadernos los acontecimientos vividos cuenta cómo, tras varios días sin comer, después de acudir con otros dos parados a un albergue y ser rechazados, decide usar la moneda que había guardado como último recurso e invitarles a comer en una taberna: “Ya no tuve más remedio que contarles que no era un mendigo, sino un investigador, un estudioso social que intentaba saber cómo vivía la otra mitad de la población, la más desfavorecida. Entonces se cerraron como si tuvieran las valvas de las almejas. No era yo uno de ellos, luego nada tenían que decirme; había cambiado mi manera de expresarme, hasta mi tono de voz era diferente; era, en suma, un individuo superior, ante el que ellos no podían por menos que demostrar su gran conciencia de clase”.

En el libro, además de los acontecimientos que recoge, deposita sus reflexiones y las advertencias y las llamadas a quien puede leer y lee: “… mis queridas gentes de vida muelle, si algún día visitáis Londres y os topáis en vuestro paseo con estas personas miserables que duermen en los bancos y sobre la hierba de los parques, no creáis que son vagos que se tumban ahí para no trabajar. Sabed que, por el contrario, los poderosos, los que mandan, les han obligado a caminar de un lado a otro durante toda la noche, y que de día no tienen otro sitio donde echarse a dormir”.

Por allí mismo, poco más allá, pasa la Guardia Real, es el desfile de la Coronación del reinante mantenedor de la miseria y la explotación. La Guardia Real, hombres de gran estatura con corazas de combatge y espada de acero, “dispuesta a defender a los poderosos”, y la multitud a distancia tras varias filas de policías y otros en formación, hombres altísimos y con pinta de estar bien alimentados, con buenos músculos… y con las armas prestas por si había necesidad de usarlas. … mucha fuerza. Una fuerza aplastante. Millares de hombres espléndidos, fortísimos, lo mejor del pueblo, sin otra misión en esta vida que la de cumplir ciegamente las órdenes que se les dieran. Matar y destruir”.

Jack London continua explicando el desequilibrio en el reparto de los bienes sociales, de cómo un porcentaje minúsculo, un grupito social, se adueña de todo lo producido, de la implicación eclesiástica y de los distintos poderes en el mantenimiento de semejante organización social recorrida por el hambre y el miedo. Aunque, a veces se encontraba con alguien rico en esfuerzo por saber y luchar capaz de, tras jornadas de trabajo durísimo y a lo largo de años, sacar de las horas de la noche el conocimiento hasta hacerse un destacado luchador por los derechos de la clase obrera.

Por las páginas de “El pueblo del abismo” pasa la persecución a los vagabundos, la negación de la comida a quienes no tienen nada y la persecución a quienes les dan (en estos días se ha sabido que en EEUU han sacado una ley por la que se persigue a quien ayude a las gentes que viven en la calle, y hay 50 millones de pobres) , nos cuenta la burla que hacen los jueces de quienes se suicidan por pura desesperación por los desahucios, el hambre y las enfermedades, las condenas que dictan sobre quien no encontrando trabajo coge algo para dar de comer a sus hijos (en España 1 de cada 4 niños pasa hambre) que se encuentran desamparados, cuya nobleza y risa se empañan y desaparecen en la selva del capitalismo que les ataca sin piedad. Cadáveres vivos y cubiertos con harapos, mujeres, chicas, hombres, niños, que, a pesar de todo, dan lo que tienen para la caja de resistencia de sus compañeros.

¿Por qué es tan poco conocido este libro de investigación periodística de Jack London? En su momento causó un escándalo de tal calibre que en Inglaterra los sectores dominantes emprendieron contra London una virulenta campaña de condenas e insultos. Sin embargo, a Jack London al escribir lo que iba conociendo, se le encogía el corazón y se le llenaban los ojos de lágrimas. Su profundización en lo que le rodea, sus reflexiones, su llamada desde el abismo, son para leer a gritos, para saber, asumir, llamar a la puerta de la clase obrera y sentir el mayor respeto.

sábado, 1 de setembro de 2012

Conflictos por el agua asoman en el horizonte

Thalif Deen
IPS

Frente a la probable escasez de agua en las próximas décadas, la comunidad de inteligencia de Estados Unidos ya pronosticó un gris escenario futuro: conflictos étnicos, tensiones regionales, inestabilidad política e incluso matanzas. En los próximos 10 años, "muchos países importantes para Estados Unidos seguramente experimentarán problemas de agua, como escasez, mala calidad o inundaciones, que alimentarán riesgos de inestabilidad y de fracasos en (el funcionamiento de) los estados, incrementando las tensiones regionales", alertó la Evaluación Nacional de Inteligencia, publicada en marzo.

En julio, el presidente del Consejo Nacional de Inteligencia de Estados Unidos, Chris Kojm, predijo que, para 2030, cerca de la mitad de la población mundial (actualmente más de 7.000 millones de personas) vivirá en áreas con severos problemas de agua, incrementando la probabilidad de asesinatos en masa. En tanto, el periódico estadounidense The New York Times citó a Timothy Snyder, profesor de historia en la Universidad de Yale, afirmando en un simposio que "el pánico ecológico llevará a matanzas en las próximas décadas".

Pero el director del Centro del Agua de la Universidad de Columbia, Upmanu Lall, fue más cauto. "No estoy seguro de que pueda pronosticar asesinatos masivos como resultado" de la falta de agua. El experto señaló que no vaticinaba guerras o conflictos internacionales por recursos hídricos. "Pero sí creo que la competencia dentro de algunos de los países más grandes, como India, podría llevar a una lucha interna y al aumento del terrorismo y de los conflictos sectarios". Sin embargo, "evitar este futuro es posible si trabajamos en ello hoy", añadió.

Este es uno de los temas analizados en la conferencia internacional celebrada en Estocolmo en el marco de la Semana Mundial del Agua, que concluyó este viernes. Lall consideró realista la proyección de que, si todo sigue igual, casi la mitad de la población mundial vivirá en "fuerte tensión por el agua" para 2030. "Es un desafío urgente, en especial sin consideramos la posibilidad de grandes sequías, por ejemplo la de este año en Estados Unidos y en India".

Los impactos serán mucho severos y duraderos, alertó. Sin embargo, "si podemos traducir esta preocupación en acción, especialmente sobre cómo mejorar el uso del agua en la agricultura, (sector) que es por lejos el consumidor más ineficiente, entonces podemos evitar este desastre", sostuvo. Por ahora hay conversaciones en esa dirección, pero no existen mandatos ni metas internacionales. "Es importante que esto sea asumido en los más altos niveles para evitar una considerable angustia en la población y en las economías del mundo", añadió Lall.

Gary White, jefe ejecutivo y cofundador de la organización Water.Org, sí cree que el acceso a los recursos hídricos podría ser motivo de conflictos en los próximos años. "Esto será particularmente así en áreas presionadas por la falta de agua y en las que hay grandes concentraciones de población pobre. Sin embargo, también creo que la mayoría de los gobiernos a la postre actuarán y adoptarán las políticas, las regulaciones y los acuerdos transitorios correctos y necesarios para impedir grandes conflictos", sostuvo.

Advirtió que podrían desatarse casos de escasez aguda que tendrían como consecuencia grandes pérdidas humanas y económicas, pero dijo creer que "un conflicto declarado sería algo excepcional". En general, las crisis regionales del agua se generan en forma relativamente lenta en comparación con la mayoría de los desastres naturales, y por tanto se pueden aprender las lecciones para evitar impactos similares en otros lugares, indicó. Pero esas crisis y conflictos tendrán un impacto mucho mayor en los pobres, porque las poblaciones más acomodadas siempre tienen opciones de desplegar tecnología para tratar los recursos hídricos locales (como la desalinización) o para trasladar el agua a través de sistemas de cañerías a lo largo de grandes distancias.

"Siempre he dicho que el derecho básico debe ser que todos puedan pagar para obtener agua potable", dijo, en referencia a la decisión de la Asamblea General de la Organización de las Naciones Unidas en 2010 de declarar el agua y el saneamiento un derecho humano. Hoy los pobres pagan más por el agua que los ricos, sea en dinero o en trabajo invertido para adquirirla. Tampoco los primeros tienen asegurada una calidad decente del recurso. "Aquí cuando digo pobres me refiero a los desfavorecidos económicamente en una sociedad particular, y también a las naciones que no son tan acomodadas".

A menos que se extiendan servicios a esas personas, estas sufrirán, alertó. Pero para hacerlo se necesitan inversiones para desarrollarlos y mantenerlos. "Sí, todos deberían pagar un precio por el agua, pero de acuerdo con sus medios, y así fortalecerían su derecho a acceder a una oferta confiable y de calidad", sostuvo Lall. Esa debería ser la gran meta, y no solo la declaración del agua como un derecho humano.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

El socialismo del siglo XXI sólo puede ser plural

Ángel Ferrero
El Viejo Topo

El 15 de julio llegó a las librerías El fin del capitalismo tal y como lo conocemos. Su autor, Elmar Altvater (Kamen, 1938), es uno de los más respetados politólogos alemanes. Profesor emérito de la Universidad Libre de Berlín y miembro del consejo científico de Attac-Alemania, en su último libro analiza la última crisis del capitalismo tardío y sus alternativas. En él Altvater planta cara a Fukuyama: el fin del capitalismo, asegura, no es el fin de la historia, sino que hay historia más allá del capitalismo.

Hasta hace unos años “capitalismo” era una palabra tabú. Profesor Altvater, ¿cómo definiría el término capitalismo?

No es sólo un término, se trata de una forma social muy dinámica, pero también muy proclive a las crisis. El capitalismo se funda en la propiedad privada de los medios de producción y, debido a ésta, en el derecho a la apropiación de la plusvalía producida por la fuerza de trabajo. Se regula por las leyes del mercado y el dinero. El capitalismo es por lo tanto a un mismo tiempo una sociedad del trabajo (Arbeitsgesells chaft) y una sociedad del dinero (Geldsgesellschaft).

En España acaba de aparecer El fin del capitalismo tal y como lo conocemos. ¿La crisis económica es el principio del fin del capitalismo o más bien el fin del principio del capitalismo, que entraría en una fase superior?

Es arriesgado realizar un pronóstico sobre el futuro del capitalismo. En cualquier caso podría decirse que el capitalismo impulsado por los mercados financieros que ha existido durante décadas desde se pusiera fin al sistema Bretton Woods en el año 1973 ha llegado a un límite. Sólo tiene futuro si se transforma. Si reunirá con este fin a las fuerzas sociales y políticas necesarias, depende también de quiénes se opongan a su transformación. Es decir, de una parte, las fuerzas conservadoras que se aferran a sus privilegios heredados, y de la otra, las fuerzas de progreso, que quieren superar el capitalismo tal y como lo conocemos en una u otra forma.

Si el capitalismo llega a su fin de una manera u otra, ¿qué lo sustituirá? ¿En qué consiste la sociedad solar y solidaria que propone en su libro?

En principio se trata de una forma de capitalismo modificada en el campo de lo posible. En Europa el capitalismo adopta hoy formas autoritarias para asegurar un reparto de la riqueza en detrimento de la población asalariada. La austeridad y el pacto fiscal, pero también el pacto de estabilidad y crecimiento, así como muchas medidas nacionales sirven, ante todo, a la estabilización de los beneficios y ganancias y obligan a efectuar recortes presupuestarios. Contra esta redistribución de los salarios, la riqueza y el poder represiva y regresiva se discute en el libro la posibilidad, como alternativa, de la “economía solidaria”. Se trata en principio de un término general para muchas de las iniciativas de economía alternativa que están teniendo lugar en varias regiones del mundo, desde Europa hasta América Latina. La economía solidaria comprende las cooperativas, que en los últimos años han experimentado un auge; el “buen vivir” de los indígenas latinoamericanos; la defensa de los bienes comunes o “commons” en todo el mundo; la lucha sindical por la democracia industrial en las grandes empresas de los países industrializados; y la defensa del estado del bienestar y de los derechos sociales tanto de los individuos como de los colectivos que constituyen el estado social. La economía solidaria es, pues, extraordinariamente diversa y no sigue un modelo único.

No puede ser de otro modo, porque tanto las bases energéticas como las materias primas que permiten la acumulación de capital están agotándose. La capacidad de los ecosistemas para almacenar residuos contaminantes es igualmente limitada y está llegando a sus límites. Los científicos ya han llamado la atención sobre estos límites planetarios. Es por lo tanto necesaria una gran transformación de la economía, la sociedad y la política. De basarse en la energía solar ha de organizarse de manera descentralizada, y entonces no hay sólo un modelo de alternativa social al capitalismo, sino muchos.

Uno de los aspectos clave en su libro es el fin del petróleo. Sin embargo, la transición a las energías renovables parece haber sufrido un retroceso. El gobierno español y alemán han retirado sus subvenciones al sector. ¿Qué consecuencias podría tener esta falta de preparación ante el fin de la era de la energía fósil?

En ninguno de los casos la política gubernamental es consistente. El señor Rajoy o la señora Merkel también saben que la transición a las energías renovables es inevitable. Las grandes empresas energéticas invirtieron sin embargo mucho capital en las producción de energía fósil y atómica, energías que requieren grandes inversiones en tecnología y centralización. También la red de suministro está orientada actualmente a las centrales de los grandes proveedores energéticos y, a partir de éstas, a la red de distribución descentralizada. La producción energética y el consumo energético no guardan ningún vínculo entre sí. El capital invertido y fijado en las instalaciones debe ser explotado y no debe perder su valor. En consecuencia, las empresas lo intentan todo para salvarlas. Eso explica el conservadurismo en materia de política energética y las veleidades gubernamentales, porque no cabe ninguna duda de que, en cualquier caso, el futuro pertenece a las energías renovables.

Este 2012 se celebra el aniversario del informe del Club de Roma sobre los límites del crecimiento. Sin embargo, hoy sigue hablándose del crecimiento como solución y es el punto principal de los socialdemócratas en Europa. ¿Qué opina de la teoría del decrecimiento?

“El crecimiento no lo es todo, pero sin el crecimiento todo es nada”, ha dicho recientemente Angela Merkel. Muchos socialdemócratas, y también algunos verdes, suscribirían esta afirmación. También en la Conferencia Río+20 en junio de 2012 que tuvo lugar en Rio de Janeiro fue ésta la línea oficiosa y los “límites del crecimiento” fueron reinterpretados. Ahora se habla de que “los límites crezcan”. De agotarse por ejemplo el petróleo convencional, entonces podría extraerse petróleo no convencional de las arenas bituminosas de Canadá, el existente a grandes profundidades submarinas en el Golfo de México o frente a la costa brasileña o en las regiones polares. Podría dedicarse el suelo agrícola al cultivo de soja, palma, trigo, caña de azúcar para la producción de biodiésel y etanol. Los límites entonces “crecerían”. Pero al mismo tiempo se alcanzarían nuevos límites, posiblemente más restrictivos que los antiguos límites a los que se dejó “crecer”. No hay ninguna escapatoria del dilema de los límites del crecimiento, del dilema entre el imperativo capitalista de acumular y los límites que nos fija la naturaleza. A largo plazo es inevitable una reducción del crecimiento y, por lo tanto, una economía de decrecimiento. Sin embargo me inclino a dudar de que algo así pueda suceder en el seno del modo de producción capitalista, ya que de-crecer significa también des-acumular capital. Y esto no es claro en muchos de los representantes de la teoría del decrecimiento.

En su libro respalda el socialismo del siglo XXI latinoamericano, pero se muestra crítico con los zapatistas. ¿Cuáles son las diferencias?

Un socialismo sin crítica ni autocrítica sería un régimen autoritario y ningún socialismo. Del socialismo del siglo XX aprendimos al menos esto. Tengo en gran consideración al movimiento zapatista, pero no podría juzgar si éste es socialista o se entiende como tal. Posiblemente tampoco sea algo que a la hora de la verdad importe. De lo que se trata, como el movimiento mismo se encarga ya de explicar, es de transformar la vida de las personas de un modo solidario y social, acaso también socialista. Uno de los grandes problemas de todos los movimientos alternativos es la relación con el poder político y el estado. Los zapatistas quieren cambiar el mundo sin tomar el poder, como ha escrito John Holloway. Yo dudo de que eso sea posible. El socialismo del siglo XXI sólo puede ser plural y, como tal, incluir a los movimientos sociales y las iniciativas regionales y locales, pero también la redistribución mediante la intervención del estado.

En España es cada vez más popular la idea de la salida del euro. ¿Es el retorno a la moneda nacional una solución?

No sería ninguna solución y, al menos a corto plazo, agravaría la crisis. No se conseguirían ventajas competitivas en la economía real, que se vería devorada por el encarecimiento de las importaciones. Si la importación de crudo se encareciese debido a la devaluación de la moneda, todas las ventajas de las exportaciones se perderían muy rápidamente. Además, con la devaluación aumentaría la deuda, mantenida en euros, y en consecuencia, la deuda del estado, pero también el endeudamiento privado que se mantuviera en aquella divisa. No puede salirse de la crisis monetaria y financiera cambiando simplemente a otra divisa. El retorno a la peseta tendría que venir acompañado de una reforma monetaria y de una restructuración de la deuda. Pero entonces dejaría de tratarse de una cuestión de divisas, sino una cuestión política, una cuestión de poder y de lucha de clases.

En Europa (y parcialmente en Estados Unidos) el marxismo es cada vez mas popular. ¿Un espectro recorre Europa?

Sí, el espectro del comunismo. Pero éste será solamente un factor de poder real cuando no se coquetee simplemente con él, como ocurre ahora en muchos lugares donde es moda intelectual. En la Europa actual de la crisis financiera y económica han de decidirse duros conflictos de intereses. Hablamos de distribución y redistribución, de cambiar el curso de los acontecimientos con miras al futuro. Para influir en él se requieren esfuerzos heroicos. Y aunque el espectro recorre toda Europa, sus cazadores le van a la zaga para arruinar las alternativas ideológica y políticamente, pero también sirviéndose de la represión.

Alemania acarrea una responsabilidad especial en la crisis en Europa, al punto que se ha convertido en el sur de Europa en la imagen con que se identifica al enemigo. ¿Cuál es la situación en Alemania? ¿Está emergiendo la oposición parlamentaria en La Izquierda (Die Linke) así como la extraparlamentaria (Occupy-Frankfurt y otros)?

Como sucede también en otros países, los movimientos sociales han crecido en su lucha contra la crisis. Pero también ha habido muchos retrocesos. El poder del estado reprimió duramente al movimiento Occupy y bloqueó las protestas en Frankfurt el pasado mes de mayo. El partido de La Izquierda ha perdido en el último año mucho terreno como consecuencia de conflictos intrapartidarios. No hay ninguna defensa fácil contra la crisis y sus efectos. Los movimientos sociales y los partidos deben aprender siempre en los conflictos y ajustar sus estrategias a las condiciones existentes. Además de esto, mejor sería si las luchas contra las múltiples crisis, de la economía y las finanzas, la transición energética y el cambio climático, la crisis alimentaria y la política, fueran descentralizadas y plurales, pero también se librasen conectadas en red. En toda Europa.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Humanidade já está vivendo de "crédito ecológico"

Eduardo Febbro
Carta Maior

Desde o dia 22 de agosto, a humanidade está vivendo de crédito. Nos primeiros oito meses do ano, os seres humanos esgotaram a totalidade dos recursos que a Terra é capaz de produzir ao longo do ano. Em 22 de agosto, alcançamos o que a ONG Global Footprint Network (GFN) chama de "Global Overshoot Day", ou seja, « o dia do excesso global ». Desde 2003, esta ONG mede todos os anos a pegada ecológica do planeta, o acúmulo de recursos e a forma como os consumimos. Em cada informe, constata como os recursos se esgotam com maior rapidez. A capacidade de regeneração anual do planeta é limitada. Frente a isso, a capacidade de consumo do ser humano parece ilimitada e o planeta não é suficiente para cumprir com as exigências da humanidade.

Desde a década de 70, os seres humanos estão vivendo muito acima de seus meios. O informe da GFN mostra uma aceleração constante do esgotamento dos recursos. Em 2012, o "Global Overshoot Day" foi alcançado 36 dias antes do que ocorreu em 2011. A curva para baixo é constante. Os cálculos desta ONG se baseiam em dados científicos que se articulam em torno de uma medida, o hag, o hectare global, mediante o qual se compara a biocapacidade do planeta com o consumo de cada país. O resultado dos estudos é catastrófico : para manter o nível de vida atual seria preciso um meio planeta suplementar.

Os quatro meses que restam no ano serão vividos então no crédito. Os recursos que serão utilizados daqui até o final do ano correspondem a estoques que não se renovam. A hora do balanço chegou, diz a Global Footprint Network em seu informe. Este ano, a ONG ampliou seus cálculos até os últimos 50 anos. Entre os anos 60 e hoje os recursos planetários se dividiram por dois, enquanto as necessidades aumentaram em níveis extraordinários, ao ponto de consumirmos hoje cerca de 50% do que a Terra é capaz de produzir. A pressão exercida por sete bilhões de seres humanos não se tornou desproporcional. Os principais responsáveis pelo déficit são as emanações de dióxido de carbono e a exploração dos recursos naturais.

"A mudança climática como consequência dos gases de efeito estufa emitidos mais rapidamente do que podem ser absorvidos por matas e oceanos é a consequência mais tangível e urgente", aponta a ONG. Mas o problema não para aí. A isso se agregam "a diminuição das florestas e matas, a perda de espécies, o colapso da pesca, o aumento dos preços dos produtos básicos e os distúrbios civis". O quadro termina com uma conclusão : "as crises ambientais e a crise financeira que estamos enfrentando são os sintomas de uma catástrofe iminente. A humanidade está simplesmente usando mais do que o planeta pode prover".

Nem todos os países têm a mesma responsabilidade no desastre. Segundo a Global Footprint Network, os Estados Unidos e o Brasil alcançaram antes dos demais países o dia do excesso, em 26 de março e 6 de julho respectivamente. Se todo o planeta necessitar dos recursos consumidos pelos Estados Unidos e pelo Brasil seria necessário mais 4,16 e 1,9 planetas para satisfazer a demanda. A exigência sobe a mais de seis planetas se vivermos como o Qatar. Por outro lado, se todos os seres humanos viverem como a Índia, 49% dos recursos naturais do planeta seriam suficientes.

Em 2008, a pegada ecológica da humanidade correspondia a 2,7 hag por habitante para uma capacidade real de 1,8 hag. Dos 149 países estudados, 60 são responsáveis pela dívida ecológica. O Ocidente tem uma influência decisiva na deterioração planetária. Em um país como a França as necessidades ultrapassam 70% dos recursos naturais. O informe 2012 revela que entre 1970 e 2008 a biodiversidade planetária caiu cerca de 30%. Segundo a GFN, a cada ano desaparecem 0,01% das espécies. O fundador da ONG, Mathis Wackernagel, recorda que "o déficit ecológico vem crescendo de maneira exponencial há 50 anos". Por paradoxal que seja, há uma solução que não é um milgare, mas sim o próprio desastre. O responsável pela ONG ressalta que, "no longo prazo, a recuperação só poderá ter êxito se for acompanhada de reduções sistemáticas de nossa demanda de recursos e serviços ao ecossistema". Se isso não ocorrer, o desastre se encarregará de fazê-lo.

Mathis Wackernagel estima que a tendência para o megaconsumo dos recursos "mudará um dia de direção, seja por causa de decisões, seja pelo desastre". A questão do uso excessivo dos recursos tem, além disso, impactos econômicos potentes. A Global Footprint Network lembra que "dado que o déficit de recursos se torna maior e que os preços desses recursos são altos, o custo para as nações será insuportável". Boa parte da humanidade está vivendo na base de crédito financeiro. Agora, entramos em outra etapa: o crédito ecológico.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Guerras climáticas. Por qué mataremos (y nos matarán) en el siglo XXI

Harald Welzer es uno de los administradores principales del Programa de Investigación sobre el Clima y Cultura del Instituto de Estudios Culturales de Essen, Alemania. Además, es sociólogo y divulgador científico. Welzer ha presentado un libro titulado Guerras climáticas. El subtítulo es algo apocalíptico, pero describe perfectamente lo que el lector se encontrará en el interior del libro: Por qué mataremos (y nos matarán) en el siglo XXI.

Welzer analiza el actual sistema socioeconómico, un sistema que está agotando los recursos naturales en muchas zonas del planeta. La conclusión está clara: cuando falten estos recursos indispensables para vivir dignamente (agua, alimento, energía…), comunidades, regiones y países enteros se matarán por el uso y disfrute de estos preciados recursos.

Como resultado del modelo occidental de explotación del medio ambiente, los recursos naturales se agotan cada vez más en numerosas regiones del mundo. Así, cada vez mayor cantidad de personas dispondrán de menores recursos para su sobrevivencia. El resultado: conflictos violentos opondrán a todos aquellos que pretendan obtener alimentos de un mismo espacio geográfico, o beber de las mismas fuentes de agua. Dentro de poco, la distinción entre refugiados que huyen de las guerras y refugiados que huyen de su medio ambiente, entre refugiados políticos y refugiados climáticos, no tendrá más valor, puesto que se multiplicarán nuevas guerras provocadas por la degradación del medio ambiente.

Los refugiados políticos serán refugiados climáticos. Las guerras provocadas por el clima, según este libro, serán la forma, directa o indirecta, de resolución de los conflictos en el siglo XXI. La violencia tiene un futuro promisorio: la humanidad asistirá no solamente a migraciones masivas, sino a soluciones violentas a los problemas de los refugiados, a verdaderas guerras por el acceso a los recursos. Y el cambio climático lo empeorará todo. Algunos de estos conflictos ya se están produciendo. El cambio climático está cambiando las condiciones de vida, está llevando a una escasez de recursos y esto genera conflictos.

Conflicto actuales, como el de Darfur (Sudán), se interpretan como conflictos étnicos. Sin embargo, según este autor, el avance del desierto ha hecho que agricultores y nómadas luchen entre ellos por los recursos más esenciales. Si no existe un estado fuerte que pueda intervenir, los conflictos pueden derivar en auténticas masacres. En Darfur, africanos (agricultores) y árabes (criadores de camellos) se han estado matando por una tierra que es cada vez más escasa.

¿No lo estamos viendo ya? ¿Una de las principales causas de las recientes revueltas en Oriente Próximo y el Norte de África no es que la población no tiene qué comer? En un magistral ensayo de configuración de nuestro futuro, nutrido de las enseñanzas de la historia pero analizadas en su especificidad, Harald Welzer ha escrito la primera historia del siglo XXI. Y esa historia debe ser, sin duda, leída con preocupación.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Bauman apuesta por más acción social para combatir la crisis

Eva Bellido
El Periódico Mediterráneo

El Rototom Sunsplash vivió ayer una jornada especial. El foco de atención no estaba en los conciertos, sino en el Foro Social. Y es que el Premio Príncipe de Asturias de Comunicación y Humanidades del año 2010, Zygmunt Bauman, mantuvo un interesante debate con el periodista (y una de las principales figuras del movimiento antiglobalización) Ignacio Ramonet acerca de la crisis y la democracia. En él también participaron el cantautor Paco Ibáñez y Alessandra, la ayudante de Bauman. El director de Mediterráneo, José Luis Valencia, moderó el debate Crisis y Democracia: cómo la crisis impuso su agenda.

El prestigioso sociólogo y filósofo Bauman explicó que “la crisis nos está imponiendo su agenda, y lo seguirá haciendo si lo permitimos. Muchas veces es demasiado tarde erradicar las causas de la crisis y la situación actual, pero hay que seguir persistiendo para conseguirlo”.

Por otro lado, el premio Príncipe de Asturias apuntó que “los ciudadanos tienen capacidad de hacer cosas. Sin embargo, se encuentran “sometidos a dos fuerzas: los representantes políticos y los mercados, con las bolsas y especuladores. Creo que los ciudadanos tienen poder, pero hay una mayor influencia por estas fuerzas anónimas, que son las del mercado”. La clave está en “restablecer la comunicación entre el poder y la política, y volver a crear lo que ya hemos perdido”.

Por su parte, Ramonet comentó que “la agenda ya estaba prevista. La crisis actúa como el shock que permite que esta agenda se pueda llevar a cabo”. Sin embargo, reconoció que “desde que se ha tomado conciencia de que la política no funciona hay un mayor activismo social” y puso como ejemplo que “con las redes sociales hemos visto protestas de este tipo en muchos países”.

“Estamos en una batalla del mercado contra el Estado. Hemos llegado a un punto en el que el Estado ha querido controlarlo todo: la economía, la sociedad, los individuos (...) y ahora tiene el deseo de controlar el espectro del mecanismo social, asociado a los medios de comunicación de masas como aparato ideológico de los mercados”, analizó Ramonet, que formuló la pregunta de si se puede escapar a los aparatos que están creando las estructuras “en las que nos encontramos prisioneros”.

Esta pregunta la contestó rotundamente Bauman, afirmando que “sí se puede, porque ha sido creada como un producto derivado de decisiones parciales y uno de los valores más importantes es el control sobre nuestras vidas”.

sábado, 11 de agosto de 2012

Otra mirada al Choque de Civilizaciones

Mohammed Ayoob
CounterPunch

En lo que fue probablemente el ensayo más influyente publicado en los años noventa, Samuel Huntington argumentó en Foreign Affairs que en el futuro “Las grandes divisiones de la humanidad y la fuente predominante de conflicto serán de tipo cultural. Las naciones Estado seguirán siendo los actores más poderosos en la política mundial, pero los principales conflictos de dicha política se producirán entre naciones y grupos de civilizaciones distintas. El choque de civilizaciones dominará la política mundial. Las líneas divisorias entre civilizaciones serán los frentes de batalla del futuro.” Huntington fue criticado por un sinnúmero de académicos, periodistas y personalidades públicas por ser demasiado simplista en su análisis, así como por convertir la religión en el indicador primordial para su concepto de “civilización”. Tengo que admitir que fui uno de los que se sumaron a ese coro de críticas.

A pesar de todo, durante los últimos años he estado reflexionando sobre la tesis de Huntington y revisando gradualmente mis puntos de vista aunque no lo he dicho de un modo tan público porque no estaba absolutamente seguro de mi conversión a la tesis de Huntington. Pero esta semana he visto la luz en el camino a Damasco (de un modo más apropiado en el camino a Jerusalén). La luz brilló en la forma de la declaración hecha por el candidato a presidente Mitt Romney en la Ciudad Santa de que “La cultura hace toda la diferencia” en combinación con su apoyo incondicional a la política belicosa de Netanyahu hacia Irán. ¿Qué podría explicar semejante trastada de política extranjera”, en las palabras de Robert Merry en National Interest, sino el parentesco basado en una cultura común (“civilización” en las palabras de Huntington)?

Me di cuenta entonces que el modelo de dobles raseros que había estado presenciando en la política exterior estadounidense hacia Medio Oriente forma parte integral de un mundo en el cual diferencias supuestamente inmutables basadas en civilizaciones forman la fuente primordial de conflicto. Huntington había señalado proféticamente que “Un mundo de choques de civilizaciones… es inevitablemente un mundo de dobles raseros: la gente aplica un rasero a sus países congéneres y un rasero diferente a otros”.

Las políticas estadounidenses hacia Israel, sea respecto al tema de Palestina o de Irán, han estado notablemente sesgadas por motivos de afinidad basada en una civilización común. Debería ser claro desde cualquier perspectiva objetiva que Israel ha sido un valor pasivo en lugar de ser un activo estratégico cuando se trata de las relaciones de EE.UU. con una gran mayoría de los países en Medio Oriente. Esto ha sido particularmente cierto desde el fin de la Guerra Fría cuando en las percepciones árabes y musulmanas la relación estadounidense-israelí ha sido invertida. Israel ya no es percibido como el peón de EE.UU. en Medio Oriente como lo fue antes del colapso de la Unión Soviética. Ahora es al revés.

Sin embargo, por razones relacionadas con el parentesco cultural, que ha adoptado diferentes manifestaciones que van desde “el lobby” a los “cristianos evangélicos”, EE.UU. ha permitido que su política hacia el problema Israel-Palestina sea en gran parte dictada por Israel. Esto vale para una amplia gama de temas desde los asentamientos judíos en Palestina ocupada al bloqueo israelí de Gaza.

El hecho de que la narrativa del conflicto sea aceptada íntegramente por senadores y congresistas estadounidenses así como por la mayoría de los miembros del poder ejecutivo puede ser explicado solo a través del medio de la afinidad cultural. Incluso los responsables políticos y publicistas estadounidenses que han sido ligeramente críticos de las políticas israelíes lo han hecho para salvar a Israel de sí mismo impidiendo que la bomba de tiempo demográfica le estalle en la cara. La narrativa palestina de desposeimiento, exilio y ocupación y, por cierto, de la transformación demográfica de Palestina bajo el mandato británico no es solo ignorada sino tratada como ficticia.

El mismo conjunto de dobles raseros funciona en relación con el programa de enriquecimiento nuclear de Irán que se supone sea un paso hacia una capacidad de armas nucleares. Lo que es notorio es que el único país en posesión de armas nucleares en Medio Oriente –Israel– ha encabezado la amenaza de un ataque contra las instalaciones nucleares de Irán y que EE.UU. y Europa juegan roles de apoyo e incluso de sumisión. Casi ninguno de los principales comentaristas en Occidente, con la excepción de algunos especialmente valerosos como Kenneth Waltz, se ha atrevido a criticar la estupidez de esa política y a argumentar que la disuasión nuclear podría hacer que Medio Oriente sea un sitio más seguro.

Sin embargo, el caso más asombroso de dobles raseros porque involucraba a un miembro de la OTAN fue la posición estadounidense respecto al ataque israelí contra el barco turco Mavi Mármara que participaba en el suministro de ayuda a la sitiada Gaza. Nueve personas de origen turco –incluido un ciudadano estadounidense– fueron muertas en aguas internacionales sin un asomo de condena o incluso protesta por parte de Washington. Es posiblemente la primera ocasión en la historia reciente en la cual el asesinato de un ciudadano estadounidense por extranjeros no ha provocado por lo menos una protesta pública formal del gobierno de EE.UU. ¿Fue porque el ciudadano estadounidense era de origen turco y, por ello, percibido como fuera de la esfera de la civilización occidental a pesar de que Turquía ha sido un aliado leal de EE.UU. durante medio siglo? ¿O fue porque la tensión entre Turquía e Israel es percibida en EE.UU. como parte de un choque de civilizaciones en el cual EE.UU. tiene que solidarizarse con sus parientes y amigos?

Ambas explicaciones se ajustan al paradigma de Huntington porque –como señaló– los dobles raseros forman parte integral de un modo de pensar que ve un conflicto en términos del choque de civilizaciones. Hay que apoyar a sus parientes y amigos tengan o no tengan razón. Cuando este fenómeno ocurre en Medio Oriente o África es considerado como “tribalismo”. En Occidente es llamado “choque de civilizaciones”.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

El dilema de las izquierdas

Marcos Roitman Rosenmann
La Jornada

Discutir sobre la izquierda, quiénes son y qué organizaciones la encarnan, se ha convertido en tema recurrente, sobre todo desde la caída del muro de Berlín. Muchos hemos buscado una explicación a la atomización y diáspora militante, pero la discusión provoca desazón e intelectualmente perplejidad. Hoy no faltan adjetivos para identificar un cúmulo de izquierdas. Viejas denominaciones y nuevas adscripciones. Izquierda verde, ecologista, feminista, anticapitalista, gay, cultural, progresista, comunista, demócrata-radical, socialista, socialdemócrata, popular, autogestionaria, reformista o revolucionaria. Incluso hay quienes han planteado la emergencia de una izquierda responsable. En este mar coexisten marxistas, leninistas, estalinistas, maoístas, gramscianos, libertarios, autogestionarios, trotskistas y últimamente, en alusión al filósofo italiano Negri, "negristas", por citar algunos. Y en América latina las propias del contexto histórico. Guevarista, castrista, allendista, peronista, mariateguista, martianos y sandinistas. Y ahora, después de este ejercicio de catálogo, cabría preguntarse: ¿cuánto y qué separa a tantas izquierdas? ¿estrategia, táctica, métodos, principios? Seguro que hay diferencias y en algunos casos irreconciliables, pero este es el punto de inflexión que obliga a plantearse la refundación del espacio político de lucha anticapitalista. La convivencia en esta gran familia no ha sido fácil ni puede serlo. Diríamos que se caracteriza por su genética tortuosa y en ocasiones traumática. Las razias, los asesinatos o gulags dejan una huella difícil de borrar, introduciendo otro hándicap a la hora de definir una diferencia ética entre el accionar de la derecha y el de la izquierda.

Por si alguien piensa que la derecha tiene las manos limpias, la verdad es lo contrario. En sus filas se han cometido innumerables crímenes, todos execrables. Pero, salvo casos excepcionales, dichos actos de ignominia fueron cometidos contra sus enemigos naturales, es decir, las clases sociales dominadas y explotadas y los militantes de izquierdas, hayan sido éstos, indistintamente, comunistas, socialistas o socialdemócratas. La caza de brujas en Estados Unidos y la lucha anticomunista, en tiempos de la guerra fría, han causado millones de muertos en los cinco continentes. Sirva el caso de Indonesia, en plena euforia nacionalista. Derrocado Sukarno e instaurado en el poder el general Suharto, en menos de un año fueron asesinados, según las cifras, entre medio millón y 2 millones de simpatizantes y militantes de izquierdas. La isla de Bali perdió 8 por ciento de su población, equivalente a 100 mil personas. Qué decir de las dictaduras en América Latina, Chile, Argentina, Uruguay, Paraguay, etcétera.

Sin embargo, la izquierda ha fagocitado a sus miembros, disparándose en el pie. Tres ejemplos. España durante la guerra civil, el asesinato de Andreu Nin, dirigente del PAUM, a manos del Partido Comunista. La Unión Soviética de Stalin, el asesinato de León Trotski en México, por citar uno, amén de los millones de muertos anónimos, y en América Latina, el ajusticiamiento del poeta salvadoreño Roque Dalton, perpetrado por su organización. Ellos fueron acusados de agentes del imperialismo y sus cabezas cobraron precio. Quienes cumplieron la "misión" lo hicieron en nombre de la revolución. Y no les tembló la mano. Ramón Mercader le atizó con un piolé a Trotski y Roque Dalton recibió un tiro en la nuca de su compañero y amigo Joaquín Villalobos, más tarde comandante del FMLN, hoy asesor de la derecha estadunidense. Pero los caídos en desgracia y considerados contrarrevolucionarios llenarían tomos y tomos. Y si vemos la historia reciente, baste señalar Camboya. Para los disidentes esta manera de actuar de las izquierdas demuestra la perversión del comunismo. Y para la derecha política y social constata la superioridad del liberalismo frente al totalitarismo marxista.

Lo anterior supone, para cualquier militante de izquierda de hoy, un lastre. En ocasiones es una verdadera losa para proponer una alternativa socialista y anticapitalista. Hay que estar continuamente reinventándose. Nuevos lenguajes, nuevas formas de actuar y, desde luego, de pensar. Cada vez que uno se proclama socialista o comunista, llueven los improperios y las descalificaciones. Se nos tilda de anticuados, obsoletos, fracasados, antisistema y, si la cosa se pone fea, el calificativo de terrorista siempre es un comodín. Constituyen restos execrables y prescindibles adscritos a la historia negra del comunismo mundial. Mejor que se disuelvan, se hagan el harakiri y se transformen en acólitos de la globalización trasnacional. Eso sí, antes deben hacer un gesto público de abdicación y entonar el mea culpa. Tal como ocurría en los tiempos oscuros de la inquisición, el hereje, antes de morir achicharrado en la hoguera, debía confesar su pecado. No salvaría la vida, pero a los ojos de la Iglesia y Dios, limpiaba su alma. Incluso un arrepentimiento a tiempo transformaba al inquisidor en un benevolente juez, capaz de sustituir la hoguera por una muerte veloz, el garrote vil o la horca. Pero cabía otra opción, dejarse caer en las manos de la verdad revelada. La inquisición los transformaba en espías, delatores. Algunos fueron premiados por la celeridad en sus actos. Torquemada, por ejemplo. En la arena política los conversos son muchos. En América Latina no faltan casos, Jorge Castañeda sin ir más lejos. Divulgadores de la nueva fe se dejaron la dignidad por el camino y la ética la arrojaron al retrete. La derecha se ha nutrido de semejantes especímenes para convertirlos en profetas del neoliberalismo.

Tal vez llegó la hora de refundar la izquierda. Sumar y no restar. Pero este proceso supone gran altura de miras. No se trata de crear un partido único o reconstruir una vanguardia excluyente. La marcha del capitalismo lleva al colapso planetario. No es ciencia ficción. En todos los ámbitos de la vida, política, social, económica, cultural, ecológica, alimentaria y, desde luego, ética, el capitalismo opta por una deriva irreversible. Los órdenes complejos han perdido la capacidad de reproducir su organización con resultado de muerte a mediano plazo. Hoy día, rehacer los espacios medioambientales deteriorados y contaminados no es viable. Sin una izquierda fuerte, posicionada y con capacidad de respuesta, el neoliberalismo terminará con un triunfo pírrico. Un planeta donde la vida no tendría posibilidades de prosperar. Esta es la responsabilidad de la izquierda, evitar la catástrofe. Impedir la muerte de millones de seres humanos y especies, aunque sólo sea por espíritu de sobrevivencia. Son horas vitales. El tiempo apremia. Hay que separar el polvo de la paja. Limpiar la izquierda de aquello que nunca formó parte de su tradición teórica, política y ética. No caer en falsos debates cuyo propósito paraliza el advenimiento de una fuerza capaz de enfrentar al neoliberalismo, con posibilidades reales de éxito.

domingo, 5 de agosto de 2012

Não há verdade que se esconda para sempre

Eric Nepomuceno
Carta Maior

Nossos países, uns mais, outros ainda nem tanto, comprovam que não há verdade que alguém possa esconder para sempre. Que não há silêncio absoluto para a memória: alguma hora, alguma vez, ela se fará ouvir, fará soar o que quiseram calar.

É um processo que toca fundo muitas fibras tensas – inclusive as da dor, da humilhação, do esquecimento. E são essas as cicatrizes que poderão impedir novas feridas, novas sangrias. Querer calar o que aconteceu, pretender negar a memória e adormecer a justiça, é anular o presente. Represar essas águas é inútil: elas saberão retomar seu fluxo. Também delas é feito o presente, e são elas que conduzirão ao futuro.

No dia 11 de junho de 2012, uns meninos que brincavam num terreno do subúrbio de San Fernando, vizinho a Buenos Aires, acharam três estranhos tonéis. Estavam cheios de cimento. Um dos tonéis havia tombado, e no tombo, o cimento havia se quebrado. Os meninos viram ossos misturados ao cimento. Ossos humanos. A polícia logo descobriu que nos outros dois tonéis também havia cimento e ossadas humanas. Depois das análises dos médicos legistas, confirmou-se que uma das ossadas pertencia a um cubano sequestrado e morto 36 anos antes, durante a ditadura encabeçada pelo general Jorge Rafael Videla. Desde aquele tempo, seu paradeiro era mistério absoluto.

No dia nove de agosto de 1976 Crescencio Nicomedes Galañena Hernández e Jesús Cejas Arias saíram da embaixada cubana em Buenos Aires, no bairro de Belgrano, onde trabalhavam na parte administrativa. Oito dias depois, a agência norte-americana de notícias Associated Press recebeu um envelope, despachado pelo correio em Buenos Aires mesmo, com as credenciais dos dois e um bilhete que dizia o seguinte: “Nós, Jesús Cejas Arias e Crescencio Galañena, ambos cubanos, nos dirigimos aos senhores para através desta comunicar que desertamos da embaixada para usufruir da liberdade do mundo ocidental”. A nota não estava assinada. O ministério argentino de Relações Exteriores confirmou a autenticidade das credenciais. E a ditadura que sufocava o país não precisou explicar o sumiço dos cubanos: haviam desertado e ponto final.

Ao longo do tempo e dos processos judiciais que buscam restabelecer a verdade, resgatar a memória e aplicar a justiça na Argentina, comprovou-se que eles haviam sido sequestrados e levados para a Automotores Orletti, um dos campos de concentração clandestinos da ditadura. Documentos norte-americanos indicaram que o agente da CIA Michael Towley e o cubano Guillermo Novo viajaram dos Estados Unidos até Buenos Aires para interrogar os dois.

A maior parte dessa história já havia sido reconstruída, e os responsáveis pelas barbaridades cometidas na Automotores Orletti foram julgados e condenados. O uso de tonéis de combustível recheados de cimento para esconder ossadas humanas era conhecido. Aliás, foi assim, num tonel, que Juan Gelman, o maior poeta vivo da América Hispânica, encontrou em 1989 o que restou de seu filho Marcelo. Agora, com os três tonéis achados pelos meninos que brincavam num terreno baldio de um subúrbio de Buenos Aires ficou claro que pode haver muitos outros espalhados ao deus-dará. A polícia investiga para saber se esses três tonéis sempre estiveram no mesmo baldio, ou se foram levados para lá em tempos mais recentes.

Ao longo dos últimos nove anos, e da mesma forma que havia acontecido entre 1985 e 1989, não há uma semana sem que os argentinos tropecem com novas histórias de seus tempos mais tenebrosos. Não há uma semana sem que algum sobrevivente conte seu calvário, reconheça alguns de seus algozes, sacuda o passado. Os torturadores e assassinos, os ladrões de bebês e os violadores de mulheres estão sendo julgados, ou seja, estão tendo um direito elementar que negaram às suas vítimas: o direito de defesa. E a memória volta ao seu rumo, a verdade sai do silêncio infame ao qual quiseram que fosse condenada, e a justiça se impõe. Não há presente sem passado. Não há presente sem memória. Não há futuro sem presente. Assim, dessa simplicidade, é feita a história. É feita a vida.

Também por esses dias, do outro lado da cordilheira dos Andes, os chilenos foram de novo tocados pela voz da memória. Há quem se incomode, e muito, com esse som, e é natural que seja assim. O líder do partido do presidente Sebastián Piñera na assembleia legislativa, deputado Alberto Cardemil, por exemplo, anda muito aborrecido. É que documentos até agora secretos revelam a vasta rede de informações da ditadura do general Augusto Pinochet. Junto com as atividades da rede, vão sendo revelados nomes de informantes.

Alberto Cardemil era um deles, e dos mais eficientes. Denunciou vários integrantes da Vicaria da Solidariedade, órgão da igreja católica que ajudava as vítimas da ditadura. Era um dos consultores de Pinochet (aliás, foi seu vice-ministro de Interior) sobre os chilenos que podiam e os que não podiam voltar ao Chile, mesmo nos estertores da ditadura. Está lá, com sua letra, o veto ao escritor Ariel Dorfman, classificado de ‘ativista intelectual’ contra o regime. Esse veto traz a mesma assinatura que o deputado Alberto Cardemil estampa nos documentos legislativos, na sua condição de líder do partido da Renovação Nacional, do presidente Sebastián Piñera.

Quantos mais, como o deputado e o presidente, teriam preferido o silêncio dos tempos? No fundo, sabem que nem eles, nem ninguém, consegue esconder a verdade para sempre. E sabem que nós sabemos que esse é o medo dos infames de cada um dos nossos países. Esse é o pesadelo que sacode suas noites: saber que sua impunidade pode acabar. Que alguma hora a voz da verdade e da memória poderá se fazer ouvir, e que então eles, os responsáveis pelo horror e pelo esquecimento, perderão de vez sua pequena e miserável vitória, sua única conquista: a impunidade.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Todas las manos, todas...

Nicolás Lantos
Página 12

“La quinta potencia del mundo”: con esas palabras, la presidenta de Brasil y anfitriona, Dilma Rousseff, graficó la dimensión que alcanzará el Mercosur tras el ingreso de Venezuela, ratificado ayer en Brasilia durante una cumbre de la que participaron los presidentes de todos los países del bloque (con excepción de Paraguay, que se encuentra suspendido luego de la interrupción del gobierno de Fernando Lugo). En el mismo sentido, Cristina Kirchner destacó que “la incorporación de Venezuela cierra definitivamente la ecuación de lo que va a ser este siglo XXI: energía, minerales, alimentos y ciencia y tecnología”. Hugo Chávez calificó este espacio como “la locomotora más grande que existe para preservar la independencia y acelerar el desarrollo integral de Latinoamérica”. Y José Mujica destacó: “Nunca a lo largo de la historia tuvimos una oportunidad como ésta: es ahora o nunca y el desafío es enorme”.

Los números son elocuentes: con el ingreso de Venezuela el bloque contará con un PBI de 3,3 billones de dólares (el 82,3% del Producto Bruto total de Sudamérica), un territorio de casi 13 millones de kilómetros cuadrados y más de 270 millones de habitantes, que es decir que siete de cada diez sudamericanos serán ciudadanos del Mercosur. De todas formas, no faltan desafíos por delante para consolidar este proceso, como se ocuparon de destacar, cada uno a su modo, los cuatro mandatarios en el mensaje que dieron desde el palacio de Planalto pasado el mediodía, una vez que, concluido el plenario, se terminaron de ajustar los detalles que quedaban por resolverse antes de poner las firmas.

En ese sentido, Cristina Kirchner (encargada de cerrar la ronda de discursos) hizo énfasis en la necesidad de “crear, más temprano que tarde, los instrumentos y las instituciones que tornen indestructible e indivisible este nuevo polo de poder, que preserven esta nueva realidad de poder que se construyó con gran dificultad”. Esa (la falta de una institucionalización mayor de las relaciones entre los miembros del Mercosur) ha sido una de las grandes deudas del proceso de integración y “la idea es aprovechar el empuje que significa el ingreso de Venezuela para avanzar en ese sentido”, le explicó a Página 12 uno de los miembros de la delegación argentina.

“Estamos dispuestos a llevarla adelante –insistió la Presidenta–. De modo tal que cuando nosotros no estemos, ya que somos meras circunstancias de la historia, estén los hijos de nuestros hijos para cuidar esto que no es ni de Hugo ni de Dilma ni de Pepe ni de Cristina, sino de los pueblos que nos eligieron democráticamente para que gobernemos su economía y también, en definitiva, su presente y su futuro.”

A su turno, Mujica había destacado otro desafío: “No se trata de ser los más ricos del planeta, sino los más felices”, aseguró. También destacó la necesidad de que el proceso de integración beneficie a toda la población del bloque, en particular a los pobres. “En América latina nos costó mucho ser libres. Tenemos que transformar la libertad de los pueblos en una causa –pidió el uruguayo–. Ser libres es no ser esclavos de la necesidad, es tener la garantía elemental de lo que se precisa para vivir, pero después tener tiempo para vivir y gastarlo en aquellas cosas que a cada cual lo motivan. La inmensa mayoría de nuestra multitud no puede ser libre.”

Por su parte, Rousseff, quien como anfitriona destacó la magnitud que adquiere el Mercosur a partir de ahora, “desde la Patagonia hasta el Caribe” envió un mensaje a “los sectores empresariales de toda la región” invitándolos a “participar activamente de este proceso”, destacando otro desafío: el de conseguir que la sinergia alcanzada a nivel gubernamental se expanda a otras áreas que son de vital importancia para el desarrollo de la región, en particular con la idea de “avanzar con la industrialización” para cambiar la matriz productiva de Sudamérica.

“Nuestro norte es el sur”, celebró, en tanto, Chávez, el ansiado ingreso de Venezuela (que había solicitado en 2006 y permanecía trabado por la negativa del Senado paraguayo). “Ahora estamos donde deberíamos haber estado siempre. Ahora estamos localizados en nuestra exacta dimensión geopolítica. Este es nuestro sitio, nuestra esencia”, destacó, visiblemente emocionado. También evocó a los ex presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Néstor Kirchner y Tabaré Vázquez por el rol que tuvieron en la etapa de transformación en la que ingresó la región hace una década. “Tengo seguridad de que a partir de hoy entramos en un nuevo período de aceleración de la historia que estamos construyendo, de aceleración de la geografía, de cambios políticos, de cambios profundos. En los próximos años veremos más cambios en la región de los que hubo en estos 200 años”, concluyó.

Luego del plenario, que se extendió más de lo previsto, los presidentes cruzaron hasta la bellísima sede de la Cancillería brasileña, el Palacio de Itamaraty, donde compartieron un breve almuerzo: para entonces ya eran más de las cuatro de la tarde y los primeros en llegar estaban en reuniones desde temprano a la mañana (cuando Rousseff mantuvo bilaterales con Mujica y con Chávez). A su término, Mujica fue directo al aeropuerto; la brasileña, a su residencia, mientras que CFK y el presidente venezolano se acercaron hasta la embajada argentina para firmar una declaración presidencial respecto de la cooperación en materia energética entre YPF y Pdvsa.

Por delante queda un arduo proceso para que Venezuela se adapte normativamente al bloque, un proceso que tomará cuatro años, según dispusieron los cancilleres de los países miembro: el argentino Héctor Timerman, el uruguayo Luis Almagro, el brasileño Antonio Patriota y el venezolano Nicolás Maduro. El primer paso será adoptar la nomenclatura del Mercosur, luego el Arancel Externo Común y, por último, la desgravación de tarifas respecto de los otros socios, explicaron ayer. En paralelo, advirtieron fuentes diplomáticas argentinas, “el bloque deberá seguir consolidando las relaciones entre los viejos miembros, resolver la cuestión de Paraguay y empezar a pensar en seguir ampliándose”. Tal como enfatizaron los cuatro presidentes: sólo quedan por delante más desafíos.

domingo, 29 de julho de 2012

La integración sudamericana y los conflictos socio-ambientales

Marcelo Saguier
ALAI

Los procesos de integración regional en Sudamérica han dado importantes pasos en la construcción de una comunidad política en base a valores y expectativas comunes. La defensa de la democracia, la resolución de conflictos mediante la diplomacia, el resguardo de la paz y la reivindicación conjunta de la soberanía argentina sobre las islas Malvinas ante los diferendos con el Reino Unido han sido algunos de campos en donde se logró alcanzar un inédito dinamismo y convergencia regional. Muchos de estos consensos acompañaron el surgimiento de nuevas formas institucionales como la UNASUR, ALBA y la Comunidad de Estados Latinoamericana y Caribeños (CELAC).

No obstante tales avances, existe otra dimensión del proceso regional en la que es menos evidente que consensos se expresan. Las dinámicas de la región, como espacio socio-político en construcción, actualmente está regida por los patrones de conflictos y cooperación entre gobiernos, empresas y actores sociales en torno a la utilización de los recursos naturales para fines de exportación y de insumos para la industria. Este es el caso de los recursos minerales y del agua de ríos para la generación de energía hidroeléctrica. A diferencia de las avances alcanzados en materia de construcción política regional en otros campos, el lugar que hoy ocupan los recursos naturales en la integración es más inquietante y potencialmente una fuente de tensiones.

Las políticas de utilización de tales recursos, y los conflictos socio-ambientales que se producen por las mismas, en su mayoría son de carácter nacional o sub-nacional. Sin embargo, al mismo tiempo se despliegan algunas iniciativas de carácter regional impulsadas por gobiernos o por actores sociales que regionalizan sus disputas como estrategias de acción frente a la orientación extractivista de algunos proyectos. Es decir que las dinámicas socio-políticas de construcción de un espacio político regional en Sudamérica van más allá de las distintas iniciativas intergubernamentales que se puedan emprender desde los estados. Los recursos naturales constituyen un eje de articulación tanto para iniciativas de cooperación interestatal como también para la movilización social transfronteriza.

La propuesta de este articulo es la de pensar las dinámicas de la construcción política regional desde ésta perspectiva, en la que las interacciones de cooperación y conflicto entre actores públicos, empresariales y sociales moldean el escenario regional, sus posibilidades y limitaciones.

La minería en zonas de frontera es una de las formas que se redefine el escenario social y político regional. El caso más paradigmático de ello es la frontera entre Argentina y Chile. Tradicionalmente, las fronteras internacionales eran zonas en donde no se permitía emprendimientos productivos (o extractivos) dado que constituían lugares sensibles a la defensa del territorio nacional. Los procesos de democratización e integración económica llevados a cabo en la región permitieron desactivar las hipótesis de conflicto que fundamentaron el imaginario geopolítico de gobiernos y sociedades nacionales durante gran parte del siglo veinte. Sin embargo, estos cambios estuvieron asimismo signados por la orientación neoliberal que marcó las políticas de integración durante la década del 90. Una de las características de ello fue el establecimiento de nuevas mecanismos institucionales para atraer y resguardar inversiones. La minería de frontera entre Argentina y Chile es producto de ello, y su expresión más acabada es el acuerdo binacional minero que fuera firmado en 1997 y ratificado en los parlamentos en el 2000.

El territorio comprendido por el acuerdo binacional cubre un área sobre la cordillera de los Andes de más de 200.000 kilómetros cuadrados, lo que equivale al 95% de la frontera internacional de ambos países. El acuerdo concede a las empresas la disponibilidad de minerales y agua para sus procesos de extracción, así como poder de control fronterizo. Pascua Lama es el proyecto binacional de megaminería que fue posible con este acuerdo. Las empresas que desarrollan el proyecto son: Barrick Exploraciones Argentina y Exploraciones Mineras Argentinas, en la Republica Argentina, y Compañía Minera Nevada en Chile. Otros proyectos mineros ya han sido aprobados, amparados en el tratado binacional, se encuentran actualmente en diferentes etapas de desarrollo. Entre ellos, está el proyecto El Pachón en la provincia de San Juan.

El acuerdo minero binacional consiste en un modelo de integración territorial y representa un hito internacional, considerando la extensión del área cubierta, los volúmenes de minerales e inversiones que potencialmente se verían implicados y la posible replicabilidad de este modelo en otras zonas de frontera con comparables condiciones geológicas. Evidentemente, la replicabilidad de este enfoque para la explotación conjunta de depósitos minerales en zonas de jurisdicción nacional compartida está expuesta también a los vaivenes de las presiones sociales frente al extractivismo y al creciente grado de concientización sobre la necesidad de fundar nuevos paradigmas del desarrollo con criterios de sostenibilidad.

La tendencia de minería de frontera se confirma asimismo en otros países latinoamericanos sin que exista necesariamente ningún acuerdo entre los países. Este es caso de los proyectos de exploración minera que actualmente tienen lugar en la frontera de Costa Rica y Nicaragua, de El Salvador y Guatemala y de Perú y Ecuador en la llamada Cordillera del Cóndor – región que en 1995 fue epicentro de un conflicto bélico entre ambos países. En este ultimo caso, desde la resolución del conflicto bélico han habido grandes inversiones mineras atraídas por la riqueza de de yacimientos de oro de este lugar. Incluso sin un acuerdo minero entre ambos países, entre 2005 y 2010 se han triplicado el número de concesiones de exploración a empresas interesadas, en su mayoría del lado peruano de la frontera. Las empresas transnacionales mineras sin duda constituyen actores de creciente influencia en la redefinición del espacio regional y es de suponer que asimismo constituyen factores de influencia en los gobiernos para promover acuerdos mineros internacionales (los gobiernos de Alan García en Perú y Correa en Ecuador habían comenzado a explorar esta posibilidad).

La minería en zonas de frontera contribuye a regionalizar conflictos que se suscitan desde hace años en toda América Latina. Son conocidas las expresiones de resistencia a proyectos mineros llevados a por comunidades rurales en distintas provincias argentinas como Chubut, San Juan, Catamarca, La Rioja y Tucumán. Sin embargo, éstos no son casos aislados sino que se enmarcan en una tendencia generalizada de creciente conflictividad en zonas de exploración minera. Evidencia de ello es que actualmente existen 155 conflictos relacionados a esta actividad en todo Latinoamérica y el Caribe, en las que se ven implicadas 205 comunidades en relación a 168 proyectos mineros. Asimismo, según un informe a cargo del ex Representante Especial del Secretario General de las Naciones Unidas, John Ruggie, las industrias extractivas representan el 28 % de los casos de los casos de violaciones a los Derechos Humanos con complicidad de las empresas. Esta tendencia global se profundiza en América Latina. Un elemento común a tales conflictos es la ausencia de debate público sobre los cuáles son los beneficios y costos de estos proyectos – definidos en términos económicos, sociales y ambientales – así de cómo arbitrar equitativamente los derechos y responsabilidades de los principales beneficiarios y damnificados de los mismos. Las comunidades tampoco son consultadas previamente, según lo establece el Convenio 169 de la OIT, sin bien algunos cambios en esta dirección comienzan a promoverse en Bolivia, Perú y Ecuador.


Las resistencias sociales a la minería a cielo abierto, y especialmente en zonas de frontera, se traducen crecientemente en la búsqueda de estrategias de incidencia mediante la movilización transnacional. Ejemplo de ello es la realización de tribunales de opinión, en donde comunidades afectadas por la minería pueden denunciar simbólicamente los estragos de la minería en el ambiente y su impacto sobre los derechos de las poblaciones. Se realizó el primer “Tribunal Ético de Minería de Frontera” organizado por el Observatorio de Conflictos Minero de América Latina en Chile en el 2010. También el “Tribunal Permanente de los Pueblos sobre Empresas Transnacionales” sesionó en Austria 2006, Perú/Colombia 2008 y España 2010 para denunciar la complicidad de empresas transnacionales en casos de violación de derechos humanos en Latinoamérica.

Muchos de los casos denunciados están relacionados con la minería, además de la explotación de hidrocarburos, agronegocios, etc. Asimismo, se han creado redes de acción global para el intercambio de información y coordinación de campañas conjuntas. Estas son algunas de las formas que adquiere el activismo transnacional en respuesta a la minería y demás instancias de violaciones de derechos humanos en los que estados y empresas se ven acusados. En este sentido, la minería de frontera actúa como catalizador tanto de nuevos relacionamientos entre empresas y gobiernos, así como también de nuevas formas de resistencias sociales que intervienen en la redefinición del debate regional sobre los vínculos entre desarrollo sustentable y derechos humanos.

Además de la minería de frontera, las dinámicas de la integración regional en Sudamérica están regidas también por una serie de proyectos de infraestructura para la generación y transporte de energía hidroeléctrica. La abundancia de agua en la cuenca del Amazonas hace de esta zona el epicentro de una serie de redes interconectadas de represas y líneas de transmisión que se proyecta vincularán lugares de producción y consumo. La creciente demanda de energía esta dada por el crecimiento económico en las economías de los países sudamericanos, y especialmente del sector industrial brasileño y minero (esta actividad es gran demandante de agua para sus procesos de extracción del mineral). Estos cambios están dando lugar a nuevos patrones de la cooperación regional internacional en el que las empresas brasileñas juegan un papel clave como las concesionarias principales de los proyectos de infraestructura de energía hidroeléctrica.

La Iniciativa para la Infraestructura Regional Suramericana (IIRSA), establece la financiación para estos proyectos. IIRSA es un mecanismo institucional creado en 2000 para la coordinación de las organizaciones intergubernamentales acciones con el objetivo de "promover el proceso de integración política, social y económica de América del Sur, incluyendo la modernización de la infraestructura regional y acciones específicas para estimular la integración y el desarrollo de las regiones aisladas de los subsistemas. IIRSA cuenta una cartera 524 proyectos de infraestructura en las áreas de transporte, energía y las comunicaciones, que se agrupan en 47 grupos de proyectos que representan una inversión estimada de dólares EE.UU. 96,119.2 millones de dólares. El Banco Nacional de Desarrollo de Brasil (BNDES) es también un actor regional clave en la movilización de recursos para los proyectos patrocinados por la IIRSA, tanto en territorio brasileño como también en países vecinos.

El Complejo Hidroeléctrico rio Madeira es uno de los proyectos más emblemáticos y la principal iniciativa hidroeléctrica del IIRSA. Una vez terminado, contará con cuatro represas interconectadas y será el de mayor tamaño de la cuenca del Amazonas. El BNDES provee parte del financiamiento para su construcción. Dos de las represas estarán emplazadas en Brasil mientras que una de ellas estará en territorio boliviano y la última en un río que demarca la frontera internacional entre Bolivia y Brasil.

Además, Brasil y Perú procuran la construcción de un mega-complejo hidroeléctrico en la Amazonía peruana financiado por Brasil. El objetivo de esta iniciativa es para generar electricidad en Perú para ser transportada sobre a Brasil para satisfacer su creciente demanda de energía. Para ello, ambos gobiernos negociaron un Acuerdo Energético que establece que Perú se compromete a exportar el 70% de la energía que produzcan sus centrales hidroeléctricas a Brasil durante un plazo de 50 años. Su construcción tendrá un costo de 4.000 millones de dólares e incluye también una línea de 357 kilómetros para tener la electricidad a la frontera brasileña. Una vez terminada la construcción del complejo, este será el mayor proyecto de energía hidroeléctrica en Perú y el quinto más grande en América Latina. Este proyecto y acuerdo energético ha sido objeto de grande críticas en Perú. El acuerdo fue firmado por los gobiernos de Alan García y de Ignácio Lula da Silva en 2010, pero actualmente está pendiente la ratificación del congreso peruano.

El acuerdo y proyecto ha sido objeto de serios cuestionamientos por los impactos ambientales y sociales de estas obras. En octubre de 2011 la principal concesionaria de este proyecto, la brasileña Odebrecht, decidió retirarse de la construcción de dos des las represas proyectadas como consecuencia de la oposición que este mega-proyecto genera en las poblaciones locales, sobre todo de pueblos originarios. El interés del gobierno brasileño por asegurar un acuerdo que le permita proveerse de energía a costos rentables se mantiene. Seguramente veremos nuevos intentos por reflotar el debate sobre este acuerdo, tal vez tomando en consideración las más recientes resistencias sociales que se han manifestado en repudio al mismo. Evidencia de ello es el proceso de revisión que emprenden los ocho países amazónicos de los mecanismos nacionales de consulta a grupos étnicos en el marco del Tratado de Cooperación Amazónica.

En la medida que avanzan las iniciativas de integración sudamericana se pone en evidencia la ausencia de consensos sobre ciertas áreas sensibles como es el caso de los recursos naturales. Muchos cuestionamientos comienzan a aflorar en el debate regional, como las tensiones entre visiones productivistas del desarrollo y de ecología política en las que se propician formas de desarrollo sustentable, vinculadas a los derechos humanos, la armonía ambiental y formas de producción y consumo más inclusivas. Asimismo, se manifiesta la necesidad de nuevos mecanismos de toma de decisión en materia de recursos naturales, no sólo a nivel nacional sino especialmente en lo relacionado a proyectos regionales que involucran acuerdos entre estados e instrumentos de financiamiento regionales. Es fundamental abordar en profundidad las nuevas asimetrías que genera este tipo de integración, no solo entre economías de mayor y menor tamaño, perfiles productivos especializados como industriales y proveerdores de materias primas, sino también en la necesidad de formular marcos regionales regulatorios y de políticas específicamente sobre recursos naturales (coordinación fiscales, normas de protección ambiental, derecho a de consulta a las poblaciones, eficiencia energética, entre otras).

En un contexto de creación de una comunidad política sudamericana, los conflictos y desafíos del desarrollo sustentable se vuelven invariablemente preocupaciones de todo el bloque regional. Mientras antes podamos avanzar sobre nuevos consensos en materia de recursos naturales, mejor estaremos preparados para avanzar en la profundización de nuevas bases de soberanía.