segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O primeiro ano de Obama


Gilles Anquetil & François Armanet
Le Nouvel Observateur

Nome central da ficção dos EUA, Russell Banks diz que, um ano após ser eleito, presidente obteve trunfos no plano interno, mas prosseguiu a política de George W. Bush na área externa.

Russell Banks é um dos mais importantes romancistas norte-americanos da atualidade. Várias obras suas já foram transpostas para o cinema, como "O Doce Amanhã" e "Temporada de Caça" -por, respectivamente, Atom Egoyan e Paul Schrader. Figura de destaque entre os progressistas dos EUA e um dos primeiros a apoiar a candidatura de Obama, Banks faz, no entanto, um balanço duro dos 12 primeiros meses do governo do democrata. Para ele, no plano externo Obama praticamente não se distancia do governo de seu antecessor, George W. Bush. É apenas nos assuntos internos que Obama se afirma de forma mais clara -embora, segundo ele, ainda aqui de modo um pouco decepcionante.

Quais são os êxitos e os fracassos do governo Obama?

Deixemos de lado sua personalidade e sua habilidade retórica. No Iraque e no Afeganistão, nada mudou. Paquistão, Iêmen, Irã, Coreia do Norte? Menos discursos belicosos e moralizadores, mas, no fim das contas, é a mesma coisa de sempre. O conflito israelo-árabe? Cuba? Venezuela? Rússia? China? Até mesmo nas nossas relações com a "velha Europa" -e apesar de uma mudança bem-vinda no tom e na escolha das palavras usadas-, a continuidade entre George W. Bush e Obama é tão manifesta como se tivesse sido John McCain [candidato republicano derrotado] quem tivesse prestado juramento, 12 meses atrás.

As mudanças são superficiais, linguísticas, estilísticas e protocolares. Em outras palavras, são puramente táticas. A estratégia global de longo prazo permanece a mesma. Na política interna, em contrapartida, a diferença entre as Presidências Bush e Obama é perceptível. Nos últimos 25 anos, de Ronald Reagan a Bill Clinton, incluindo os dois, todos os presidentes americanos e seus partidários se esforçaram para desmantelar e privatizar as políticas sociais implantadas por Roosevelt durante a Grande Depressão e, depois, por Lyndon Johnson e Richard Nixon nos anos 1960 e 1970.

Sob esse ponto de vista, o centro da vida política americana deslocou-se progressivamente para a direita ao longo dos últimos 40 anos. E, em um sistema de dois partidos, como o nosso, é o centro que é determinante, especialmente em matéria de política interna e econômica. Ao reagir diante da crise econômica, Obama soube fazer esse centro mover-se alguns graus para a esquerda. Nesse caso específico, as palavras empregadas, o estilo e o tom contribuíram para fazer aplicar uma política que não é a de seus predecessores. A população dos EUA está voltando a pensar que, em uma sociedade industrial moderna, é correto e necessário que sejam subvencionadas as necessidades dos pobres, dos sem-teto, dos doentes e dos idosos. Em outras palavras, Obama fez a opinião pública evoluir em matéria de política interna.

É legítimo ou injusto decepcionar-se com Obama após um ano de mandato? O sr. ainda confia nele?

Um ano é um quarto do mandato de um presidente americano. É o suficiente para ter uma ideia do estado de espírito, das intenções e da competência de um presidente. Quem esperava que Obama se revelasse um progressista determinado a pôr fim a um século de imperialismo americano fora de nossas fronteiras e a construir uma social-democracia moderna entre nós deve estar profundamente decepcionado, porque não é isso o que vai acontecer. Mas é impossível ter esse tipo de expectativa quando se sabe como funciona o sistema político americano.

Quando sabemos, por exemplo, que o senador conservador de um pequeno Estado agrícola como o Nebraska tem tanto poder, e às vezes até mais, que seu homólogo progressista de Nova York e que ele pode usar desse poder para bloquear um projeto de lei reformista. Quando sabemos, por exemplo, que as grandes empresas e os grandes doadores financiam as campanhas eleitorais de todos os parlamentares, dos governadores de Estados, de prefeitos e outros eleitos e até mesmo, em alguns Estados, dos juízes e procuradores. Não somos uma democracia. Somos uma República que se esforça há um século para tornar-se uma plutocracia e que está a caminho de consegui-lo.

Por razões estruturais, e mesmo quando tem a intenção, Obama não tem chance nenhuma de satisfazer as expectativas que suscitou entre as esquerdas americana e europeia. Para sermos honestos, ele não mentiu -muito- para nós nem fez promessas que não poderia cumprir, salvo, talvez, a de fechar Guantánamo em 12 meses. Ouvimos promessas que não existiam. Isso talvez seja compreensível: após oito anos de Presidência Bush, estávamos na situação de um homem ou de uma mulher presos em um casamento desastroso: mesmo que ela não pareça nada de especial, a primeira aventura extraconjugal que se apresenta nos parece irresistivelmente sexy.

O Partido Democrata é leal a Obama?

Em um sistema bipartidário como o nosso, os dois grandes partidos são coalizões -uma coalizão da esquerda e uma coalizão da direita que se entrecruzam e se sobrepõem no centro. Após a Guerra do Vietnã, as revoluções culturais dos anos 1960 e 1970 e o surgimento do fundamentalismo religioso na vida política do país, esse centro se deslocou para a direita. Os oito anos em que os "novos democratas" de Bill Clinton estiveram no comando não mudaram nada. Pelo contrário. Por isso, a coalizão que chamamos de Partido Democrata e da qual Obama é o líder não oficial exprime muito melhor os pontos de vista de conservadores como os senadores Joseph Lieberman (Connecticut) ou Ben Nelson (Nebraska) que os de progressistas como os senadores Bernie Sanders (Vermont) ou Dianne Feinstein (Califórnia).

Os EUA não são uma democracia parlamentar na qual o chefe do partido que ganha as eleições de torna o chefe da nação. É o contrário. O chefe da nação se torna chefe de seu partido, mas isso não quer dizer que ele controle ou representa os interesses do partido. Gostamos de acreditar que o presidente encarna os interesses e a vontade do povo, da totalidade do povo e que, como tal, ele se coloca acima dos interesses dos partidos. Por isso, é inútil queixar-se da hesitação de uma grande maioria democrata no Congresso em unir-se sob a autoridade de um presidente democrata. Não foram os 60 senadores que o elegeram presidente, foram os norte-americanos que o fizeram. E ele só foi eleito porque soube captar as vozes dessa maioria que se define como independente e afirma não pertencer a nenhum partido. Mas não há independentes no Congresso.

Obama está ligado demais às potências financeiras? Será que conseguirá de fato reformar profundamente o sistema que causou a crise?

Na véspera de sua posse, quando ele nos apresentou os homens e as mulheres que recrutou para impedir que a grande recessão se convertesse em uma grande depressão, ficou claro que as pessoas que Obama considerava como as mais qualificadas para fazer a economia americana funcionar eram as mesmas que a tinham posto de joelhos: Timothy Geithner, Lawrence Summers, Peter Orszag, Ben Bernanke e todos os outros. Todos vêm de Wall Street ou do alto mundo financeiro de Washington. Não há entre eles nenhum que represente de algum modo os interesses dos operários, dos pequenos proprietários, dos pobres ou mesmo da classe média. Não há nenhum líder sindical, nenhum militante associativo; não há intelectuais ou acadêmicos independentes.

Um ano mais tarde, a situação melhorou, principalmente para Wall Street e os balancetes dos grandes bancos e instituições financeiras. Para a maioria dos americanos, porém, a situação piorou. Segundo o "New York Times", uma família em cada oito tenta sobreviver sem fonte de receita nem meios para comprar alimentos, exceto os cupons alimentícios financiados pelo governo federal. O índice de desemprego oficialmente contabilizado passa dos 10% da população ativa e aumenta constantemente. Os bancos puderam engordar graças ao dinheiro dos contribuintes, porém os sem-teto proliferam como metástases. Mas os mercados estão em alta, chegando a um nível próximo ao de antes da crise, e os bônus e as opções de ações pagos a banqueiros e corretores de ações não são menos obscenos do que eram um ano atrás. Como muitas crianças carentes criadas sem a presença paterna, Obama é um homem que confia demais na autoridade dos ricos, quando o assunto é economia e gestão das finanças.

Os EUA vêm hesitando em honrar suas promessas em matéria de ecologia e da luta contra o aquecimento climático. Obama será mais ousado que seu predecessor?

Ele é incontestavelmente mais dinâmico e mais audacioso que Bush, mas isso não é muito difícil. Basta ele comparecer a uma cúpula internacional ou enviar um representante que não insulte os outros participantes. Foi o que ele fez, aliás. Mas também, nesse quesito, ele parece estar mais disposto a seguir os americanos do que a lhes mostrar o caminho. Em razão da angústia provocada pela crise econômica, a maioria dos americanos não se preocupa com o desastre ecológico iminente, exceto à medida que afete seu cotidiano. Em épocas de crise, o planejamento de longo prazo é eclipsado pelas necessidades do curto prazo: alimentação, abrigo, atendimento médico, emprego. É um pouco como se uma onda gigante estivesse ganhando força perto do litoral e vindo em nossa direção, enquanto nós nos acotovelamos para garantir um lugar na fila da agência de empregos. O ano que vem não existe para os pobres: as esperanças deles se limitam ao dia seguinte. Para que a população pudesse conceder a Obama o poder de agir de modo voluntarista e inovador diante da crise ecológica, seria preciso que desse provas de imaginação para resolver a crise financeira atual. Coisa que ele não faz.

Os EUA de Obama se tornaram mais respiráveis?

Sim, desde que você não inspire muito profundamente. Apesar das críticas e das reservas que apresentei, é muito mais agradável ouvir Obama do que ouvir Bush, se você dá valor às palavras. E, se por acaso você prefere ter um presidente moderno, plugado na internet e elegante, se você prefere que ele tenha senso de humor, seja espirituoso e nutra um respeito sadio pela arte e a cultura, se você prefere que ele tenha lido alguns livros de história e filosofia e que se recorde de suas leituras, então, sim, os EUA hoje são um lugar culturalmente mais agradável do que foram nos oito anos anteriores.

Se você deseja que o presidente reflita a diversidade da população em suas próprias origens raciais e familiares, então é um alívio ter um presidente cujo pai é africano e cuja mãe veio do Kansas, um homem cuja mulher é descendente de escravos afro-americanos e cujas duas filhas pequenas são o retrato vivo das colegas de classe ideais que você desejaria para seus próprios filhos. Mas, se você inspirar mais fundo, os EUA de Obama não são mais respiráveis do que foram os EUA dos anos Bush.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Chile: Reflexões pós-ressaca



Laura Greenhalgh
Estado de S. Paulo

O sociólogo Manuel A. Garretón explica a guinada à direita do Chile ao levar à presidência o senador e bilionário Sebastián Piñera. E critica a encruzilhada da Concertação que, em 20 anos, não se renovou nem soube capitalizar a popularidade de Michelle Bachelet.

"Desde 1988, quando partidos se uniram para enfrentar o plebiscito que disse "não" à pretensão de Pinochet manter-se no poder, a Concertação vem liderando um processo que mudou a sociedade. Foi a coalizão mais bem-sucedida da história do país. Ganha todas as eleições desde 1990, deu-lhes estabilidade, fortaleceu a democracia." Ouvi de Michelle Bachelet essa declaração efusiva no elegante salão azul do Palácio de La Moneda, em maio de 2006, quando a primeira mulher a chegar à presidência do Chile concedeu uma longa entrevista ao Aliás. Tal era o espírito da mandatária com o campo político que a sustentava. Se fossem transformadas em previsão, suas palavras desmentiriam o futuro.

Michelle Bachelet passará a faixa presidencial ao direitista Sebastián Piñera, misto de senador, empresário de sucesso e ricaço de hábitos extravagantes, que, naquele distante 2006, não assustaria nem o mais paranoico situacionista. Mas agora ele assustou - e levou. Só para recapitular: no primeiro turno, Piñera cravou 44% dos votos, empurrando ladeira abaixo os três candidatos de esquerda, Eduardo Frei (29%), pela Concertação, Marco Enríquez-Ominami (20%), independente, e Jorge Arrate (6%), pelo Partido Comunista. No segundo, Frei cresceu bem (48,3%), mas Piñera também expandiu seu eleitorado: foi para 51,6%. E assim, depois de 20 anos de uma coalizão que encerrou o mando de Pinochet e mudou a cara do país, eis que o Chile faz derecha, volver. "Não foi Piñera quem ganhou. Foi a Concertação que perdeu", adverte o sociólogo chileno Manuel António Garretón, enfatizando diferença crucial entre as duas premissas.

Esse é o tema central da entrevista que concede. Por que uma coligação que elegeu em sequência quatro presidentes, a bordo de um projeto de redemocratização de longo termo, perde a hegemonia e ainda mergulha numa crise? Por que Bachelet não converteu em votos para Frei a aprovação de seu governo, acima de 80%? Isso serve de advertência para o presidente Lula e sua candidata Dilma? Professor titular da Universidade do Chile e autor, entre outros títulos, de Pós-Pinochetismo na Sociedade Democrática, Garretón analisa a virada chilena. Com algum pesar e rigor com a atual mandatária.

Em 2006, a presidente exibia confiança no futuro da Concertação. Mas já havia sinais de fratura na coalizão de centro-esquerda, não?

O que eu acho é que não devemos falar de fratura em função dos resultados eleitorais de agora, porque se trata de uma situação bem mais complexa. Sim, no governo Bachelet já se identificara uma necessária mudança de ciclo político no interior da Concertação. Ninguém duvida que a coalização de centro-esquerda mudou o país, mas não logrou completar o projeto democratizador a que se propusera por manter intacta a institucionalidade da era Pinochet e por insistir no modelo econômico que trouxe desigualdade.

O que significa manter a institucionalidade da era Pinochet?

Não é apenas sobreviver no mesmo aparato constitucional, mas manter o mesmo tipo de embate entre forças políticas, as que alimentam o conservadorismo e as que propugnam a democracia. Esse embate continuou a se reproduzir em todas as esferas, no Parlamento, no Conselho de Educação, no sistema judiciário. Exemplo: Bachelet nomeou dois ministros para a Suprema Corte. Um deles defende a impunidade da repressão e justifica a violação dos direitos humanos no regime militar. E por que ela o nomeou? Porque não podia negar isso para a direita. É preciso reconhecer: a Concertação deu mais importância aos seus governos do que ao avanço institucional. Agora está pagando a conta.

Talvez no Brasil tenhamos uma visão difusa do quadro político chileno, no sentido de achar que Pinochet, ao morrer, levou consigo o pinochetismo e a linha-dura.

De modo algum. A direita chilena vive em suas duas vertentes clássicas: a autoritária e a oligárquica, ou plutocrata, que representa os ricos. No regime de Pinochet, não só a vertente dura se impulsionou - a oligárquica, também. E assim nasce uma direita civil de feição autoritária, que hoje faz barulho. Piñera, por sua vez, está alojado num campo democrático de centro-direita, mas também representa a plutocracia. Isso gera contradições num país de distintas classes médias e histórico de centro-esquerda. Pois bem, uma dessas classes médias conseguiu sair da pobreza, subiu na vida e sonha ter o sucesso de Piñera. Trata-se de uma franja social pequena, que muda de voto de acordo com seu projeto aspiracional. Isso do ponto de vista sociológico. Do ponto de vista político, a vertente autoritária, herdeira do pinochetismo e alojada na União Democrática Independente, a UDI, saiu-se bem nestas eleições parlamentares. Ao celebrar, havia grupos que gritavam "Pinochet, Pinochet, esta victoria es para usted". São minoritários, mas atuantes.

Piñera tenderá para a direita oligárquica ou para a direita autoritária?

Com os acenos que faz para a Concertação integrar seu governo, sinaliza que não quer, e nem pode, ficar no campo da direita. Se ficar, o risco de ser manipulado pelos autoritários é tremendo.

O senhor diz que o modelo econômico chileno não evoluiu desde os tempos do Pinochet. Mas seu pais é elogiado pelo crescimento expressivo.

No meu entender, o Chile não é tanto herdeiro do thatcherismo como é do neoliberalismo que sai da escola de Chicago, de Milton Friedman. Até porque o tatcherismo não desmantelou o Estado de bem-estar social inglês do mesmo modo como desmantelamos aqui, sob Pinochet. Neste país devastou-se uma economia de corte popular-nacionalista nos anos do regime militar. Tanto que hoje é consensual a avaliação de que o milagre econômico chileno foi feito mesmo pela Concertação, bastando para isso comparar dados de crescimento da era Pinochet com dados de crescimentos posteriores. É irrefutável. O modelo econômico do general foi implantado para "funcionar" numa sociedade de desiguais. A própria OECD apontou isso em relatório, a partir de análise do modelo educacional.

Então por que socialistas e democrata-cristãos, unidos, não operaram mudanças profundas?

Porque a coalizão caiu na armadilha do próprio êxito. Ela foi se saindo bem, ganhando eleição atrás de eleição e não se deu conta de erros que estava cometendo. Não fez uma reflexão crítica sobre as coisas que faltava realizar e nem sobre obstáculos que a impediam de dar um salto.

Mas o senhor não concorda que o governo Bachelet avançou em termos de proteção social e soube fazer o manejo da crise econômica que eclodiu no ano passado?

O governo Bachelet foi muito criticado nos primeiros anos, lembre-se. E ela mesma tinha baixa popularidade. Começou um ciclo ascendente ao implantar políticas de proteção social e subiu ainda mais com o manejo da crise. Esse bom manejo tem uma explicação: reservas, muito dinheiro que não fora investido até por más razões. Tudo bem, foi dinheiro usado em benefício da população e não para capitalizar bancos.

Terá sido um erro escolher Eduardo Frei para suceder Bachelet?

O erro não foi a escolha em si. O erro foi como a escolha se deu. Em primeiro lugar, é preciso reconhecer o gesto de Frei e até homenageá-lo: ofereceu sua candidatura quando tinha 1% de intenção de voto. Foi para a disputa quando já havia candidatos do seu campo político em cena, como o ex-presidente Ricardo Lagos e o secretário-geral da OEA José Miguel Insulza. Só que nenhum dos dois estava postulando verdadeiramente a candidatura. Frei restou firme, com seu 1% inicial. Era o melhor candidato governista.

Por que Lagos e Insulza, que tinham visibilidade interna e internacional inclusive, caíram fora?

Perguntemos a eles (risos). Minha interpretação é meramente técnica: fizeram cálculos e preferiram não correr riscos. Foi um erro não terem se submetido a primárias abertas, como se cogitou. Primárias poderiam ter sido mobilizadoras. Teriam selado a adesão do independente Enríquez-Ominami e de Arrate, do PC, garantindo mais coesão ao campo político. Enríquez-Ominami acabou conseguindo 20% dos votos no primeiro turno, com uma candidatura sem projeto, sem futuro, apenas interessada em ganhar os descontentes. Resultado: não foi Piñera quem ganhou, mas a Concertação que perdeu. Agora o eleito terá que governar sem maioria no Parlamento, pressionado pela UDI, a direita dura que não quer avançar nas políticas de direitos humanos, que foi contra a instalação do Museu da Memória, que responde conservadoramente a temas como aborto, pílula do dia seguinte, união homossexual, etc. Inclusive é uma direita que não engole totalmente Piñera, tanto que lá atrás tentou impedir sua candidatura.

Que papel jogam os militares hoje?

Defendem basicamente as prerrogativas institucionais e vão fazer pressão para que se mantenha a reserva de 10% do cobre para as Forças Armadas, lei que o novo presidente anuncia rever. Seguem dando provas de que abandonaram a política.


Afinal, que segmento da população definiu a vitória da centro-direita?

Nesses 20 anos, tínhamos um padrão eleitoral delineado em dois grandes campos. Porém, emergiram aqueles 10% flutuantes do eleitorado, uma parcela de cidadãos que muda de voto porque deseja mudar de governo. E só. Foi a parcela que acabou dando a vitória à Aliança para o Chile. Há nisso grande responsabilidade de Bachelet.

Por quê?

O chefe de governo, no regime presidencial, tem que exercer papel de liderança no interior da coalizão. Fosse no parlamentarismo, seria diferente. Mas no presidencialismo é assim. Bachelet demonstrou ter essa liderança ao impedir a renúncia do presidente do Partido Socialista, Camilo Escalona, no segundo turno. A pergunta que se faz: por que não demonstrou a mesma presença durante todo o período no poder? Os presidentes eleitos pela Concertação, salvo Patricio Aylwin, que foi o primeiro governo, não deram importância aos partidos.

O senhor está dizendo que Bachelet deu mais importância à performance do seu governo do que a sua capacidade de liderança política?

Isso mesmo. Por mais sucesso que tenha um governo, e por maior que seja o bem que ele tenha promovido, o fato de não conseguir reproduzir esse êxito do ponto de vista eleitoral é um fracasso político. Não estou falando de uma liderança unicamente mensurável em votos, mas de uma liderança que oriente o debate de ideias.

Qual é o peso de Michelle Bachelet dentro da coalizão?

Como presidente, muito peso. Se a desvinculamos do cargo, vemos que é muito influenciada por setores do partido e não se assume como líder. Como estadista deixa a desejar.

No Brasil analistas e imprensa observam o comportamento eleitoral do Chile, pois há a situação de um presidente com alta popularidade, Lula, empenhado em transferir sua aceitação para uma candidata estreante em disputas eleitorais.

Popularidade é capital pessoal, não se transfere. Se assim fosse, 80% dos chilenos teriam votado em Frei. O que define campanhas é liderança, é conduzir o debate. Lula não passará popularidade para Dilma, isso é uma ideia absurda. Ele já transferiu popularidade para si mesmo, de um mandato para outro. Ponto. Agora, num regime como o chileno, onde não existe a reeleição e o voto não é obrigatório, daí o presidente é obrigado a liderar o processo político no interior da coalizão. Bachelet percebeu isso muito tarde, nos últimos momentos da campanha. Apenas jogou abertamente dois ou três dias antes das eleições do segundo turno.

O Chile nunca se inclinou ao populismo. Como será o relacionamento de Piñera com governos latino-americanos que têm esse perfil?

Penso que o Chile, em termos políticos, tem mais afinidades com o Uruguai do que com a Bolívia ou a Venezuela, onde o colapso dos partidos deu lugar às lideranças pessoais. Também se parece mais com Uruguai do que com a Argentina, governada por um partido com inúmeras divisões internas. O Brasil, no cenário regional, ainda é o país que melhor expressa o entrosamento entre Estado, partidos, movimentos sociais, setores populares e a tecnocracia. Isso inclusive ajuda o presidente Lula a ter toda essa exposição mundial. Já a nossa política externa não tem pretendido que o Chile dispute protagonismo com o Brasil. E temos mantido boa relação com os governos de centro-esquerda. Bachelet vinha encaminhando, com muito tato e junto a Evo Morales, o contencioso marítimo entre Chile e Bolívia - avançaram enormemente, mas, talvez agora haja um retrocesso. Em nome de um progressismo tecnocrata, Piñera pode aproximar-se mais de Felipe Calderón, no México, de Álvaro Uribe, na Colômbia, e mesmo dos EUA. Ou praticar uma política externa isolacionista, o que é ruim.

No La Moneda, Bachelet comentou que quatro anos era pouco tempo para governar. Preferiria mandato de cinco anos, sem reeleição.

Isso não foi para a frente, embora haja setores que defendam a ideia. Não creio que tivesse sido um bom caminho. A tradição chilena sempre foi de mandato presidencial de seis anos, sem reeleição. Mas depois do plebiscito do "não", em 1988, houve um câmbio radical para derrubar o modelo implantado por Pinochet - oito anos, sem reeleição - substituindo-o pela metade. É pouco? Não creio. Penso que a renovação a cada quatro anos, em paralelo com as eleições parlamentares, cria uma boa dinâmica. A Concertação mesmo, a partir desta derrota, terá que trabalhar desde já na própria renovação.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Ayuda sospechosa...

Chile y Bolivia



Sandra Russo
Página 12

Ya hacía unos años que a la Argentina había vuelto la democracia, y apenas un par que este diario existía. Me tocó en suerte una cobertura inolvidable: ir a Chile a cubrir las elecciones con las que Augusto Pinochet se despedía. No se despedía del todo, porque había hecho una Constitución a su medida y quedaba como senador vitalicio. Pero aquel Chile fue una fiesta. En el acto de cierre de la Concertación, en el que hablaba Patricio Aylwin, quien sería el presidente electo, miles y miles de personas se apiñaban haciendo flamear sus banderas. Esas y otras banderas habían estado guardadas durante los años de dictadura. Chile, esas dos sílabas, ese nombre comprimido y rítmico, significaba entonces muchas cosas. Sobre todo significaba todavía Salvador Allende, significaba el Estadio Nacional, en consecuencia significaba Víctor Jara. Chile era llorar por los ausentes, y se lloraba de pena y de alegría al mismo tiempo esos días.

Las democracias latinoamericanas fueron llegando como pudieron. Fueron oportunidades arrancadas al enorme y monstruoso ballet de una generación más de militares que se aceptaron a sí mismos como el brazo armado de un orden de cosas que quisieron instaurar como el orden natural de las cosas. En cada país hubo pequeños grupos de civiles que buscaron y obtuvieron su propia representación en las fuerzas armadas. Tenemos esa clase de burguesías. Bananeras. La chilena, aunque camuflada en la circunspección idiosincrática y el recato religioso, fue tan bananera como la que más. Por bananera entiendo haber rifado sin titubeos una de las democracias más sólidas del continente para sacarse de encima, con estado de sitio, asesinatos y encarcelamiento de opositores, a un gobierno legítimo que estaba orientado hacia los débiles.

Ese sigue siendo nuestro problema en la región. Cómo pueden sostenerse los gobiernos que no se inclinen en el gesto de aceptación acrítica a lo que les exijan los países más poderosos.

Chile en aquel tiempo también significaba Ariel Dorfman y Armand Mattelart, y su Para leer al Pato Donald. Aquellas generaciones de latinoamericanos estaban descubriendo algunos mecanismos de colonización mental, algunos ardides a través de los cuales nuestros pueblos seguían viendo bello al rubio y feo al negro, confiable al blanco y ladino al indio. La aparatología cultural, puro artificio de comunicación de masas, no tenía todavía oponente. No había Ciencias de la Comunicación ni teorías que nos explicaran por qué y cómo la gente votaba contra sí misma, en una ensoñación programada para vulnerar hasta lo indecible a las mayorías.

Teníamos bases de ciudadanía extremadamente acotadas y selectivas. Se daba por bueno lo extranjero y malo lo nacional, como en esa propaganda de la silla que describió hace poco la Presidenta y que muchos hemos vuelto a ver con ojos azorados. Un hombre que se sienta en una silla hecha en la Argentina, y se cae porque la silla está mal hecha, no resiste su peso. Se exhibían entonces muchas otras sillas importadas, en las que cualquiera podía sentarse con confianza.

Lo ingenuo, lo falaz, lo antipatriótico y lo antipolítico de esa propaganda hoy la haría imposible. Sobre todo porque nos hemos sentado en infinidad de sillas importadas que se cayeron, y porque hasta el más desentendido entenderá al menos como un problema la desocupación de los trabajadores que hacen sillas y la quiebra de las fábricas de sillas. Pero en aquella época, en aquella edad del pavo mental que vivimos como continente y que terminó con los peores crímenes que puedan imaginarse, los ciudadanos eran niños leyendo al Pato Donald. Con fuerzas armadas instruyéndose en la Escuela de las Américas. Con burguesías y oligarquías aliadas en la saña que siempre pretendió ser moral o ideológica y siempre mintió, porque era económica. Algunos pocos generaron o preservaron negocios gracias a convencer a muchos de que había un estado de cosas que era el orden natural de las cosas.

Nunca nada tuvo por qué ser como fue. Lo que pasó fue la historia, con sus móviles, sus protagonistas, sus responsables, sus ganadores, sus firmantes. Tanto dolor, tanta muerte, tanto exilio, anidó en la parte más soez de miles de personas que, con el cuello apenas un poco afuera del agua, quieren hundirle la cabeza al de al lado. Hace unos días un hombre más bien pobre, que criticaba furiosamente al gobierno argentino, gritaba que él se había esforzado por pagar su jubilación y que ahora resulta que más de dos millones de vagos que no aportaron gozarán de su mismo beneficio. Eso es lo que han hecho con la idea del Estado: subvertirla tanto, que ya esa gente no entiende por Estado algo en común, sino la amenaza del reparto. No hay ningún pensamiento más funcional a esos pocos que manipulan a tantos, que ése: que la equidad es una amenaza.

Estos días en los grandes medios escuché a unos cuantos comunicadores machacar con el ejemplo chileno. Se referían a que Michelle Bachelet fue a saludar personalmente al presidente electo, el empresario Piñera. Vienen dando el ejemplo chileno porque Chile ya significa otras cosas. Significa beige, no rojo. Lo rojo se apiña en Bolivia, que ninguno de ellos da nunca como ejemplo de nada, a pesar de que es el país de la región cuya economía creció más el último año, y cuyos logros sociales van mucho más allá de lo aceptable para el statu quo. En Bolivia la democracia cura, educa y alimenta. En Bolivia el presidente Morales habla de la “revolución democrática” porque hay que sincerarse: que coman, se curen y se eduquen todos es lo revolucionario en estos países exóticos sólo si se los mira con el ojo del amo. La equidad, es necesario repetirlo, está siendo vestida de amenaza. Ese también es el ojo del amo.

Lamenté profundamente el triunfo de Piñera, lamenté ese retroceso, esa berlusconiada. Lamenté por anticipado lo que pasará y lamenté también tener que sepultar aquel recuerdo, el de Chile explotando de alegría con el fin de la dictadura. Porque la democracia, pensábamos todos entonces, no era solamente el llamado a elecciones sino la posibilidad de recrear las redes de solidaridad y de equidad que la dictadura había roto. La democracia, creíamos entonces, como había expresado aquí el entonces presidente Raúl Alfonsín, era una herramienta para dar de comer, para curar, para educar. Pues bien: eso lo ha hecho Bolivia y no Chile. No lo ha hecho hasta ahora, y con Piñera menos. Los ejemplos no son inocentes.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cuidar el planeta y combatir el capital


Sebastián Ochoa
Página 12

Con promesas de combatir al capitalismo y defender al planeta, el presidente Evo Morales recibió por segunda vez los bastones de mando de los pueblos indígenas de Bolivia. Ante treinta mil personas, según cálculos del gobierno, Morales sostuvo que “hoy día tengo el orgullo de anunciarles que los tiempos de la Bolivia mendiga e indigna se han terminado, hermanas y hermanos”. Ratificó la muerte del “Estado colonial” y el nacimiento de “un Estado Plurinacional que llega con mucha esperanza para los pueblos del mundo”. Esta mañana, Morales será posesionado por la Asamblea Legislativa Plurinacional, cuyos dos tercios responden al gobernante Movimiento Al Socialismo (MAS). Por la tarde, se presentará ante miles en el estadio de esta ciudad. Luego, Morales y los asambleístas comenzarán a trabajar para dar desarrollo legislativo a la Constitución aprobada hace un año.

Morales habló en quechua, aymara y castellano. “Hay un presidente y dos estados. Un Estado colonial que se va y un Estado Plurinacional que llega. El Estado colonial no trajo esperanza para los pueblos del mundo. Tuvimos que esperar 180 años para refundar Bolivia con un Estado Plurinacional donde todos los originarios tenemos los mismos derechos. El Estado Plurinacional garantiza los mismos derechos para todos, ése es el desafío profundo que debemos llevar adelante.”

Tiwanaku, a 72 kilómetros de La Paz, fue la ciudad del pueblo tiwanakota. Allí se encuentran varios templos llamativos para turistas y arqueólogos. Morales, acompañado por yatiris, amautas y chamanes, realizó cuatro ofrendas en cada lado de la pirámide de Akapana. Agradeció a la Pachamama, pidió bienestar económico para Bolivia, solicitó la unión de su territorio y rogó discernimiento para tomar decisiones. Luego, se dirigió al templo de Kalasasaya de la mano de una anciana encorvada de 88 años. En la Puerta del Sol recibió regalos de pueblos indígenas del continente. También dos bastones de mando, de manos de un niño y de una niña aymaras.

Sobre los espectadores flameaban cientos de banderas wiphalas y de la nación boliviana. Muchos tuvieron que seguir en pantalla gigante la transmisión de Bolivia TV, el canal del Estado, porque los relieves del terreno hacían imposible divisar lo que pasaba en la Puerta del Sol.

Además de bolivianos, abundaban entre la multitud argentinas y argentinos. Para tratar de mimetizarse con las masas indígenas, varios compatriotas optaron por envolverse en wiphalas y banderas bolivianas. También usaban gorros andinos y pulóveres con dibujos de llamas. Algunos grupos de campesinos se divertían remedando las palabras y la entonación rioplatense. “¿Qué hacé, boludo? ¡Somos de Boca acá!”. Los locales se caían de risa. Los “gauchos”, como les dicen, preferían hacerse los desentendidos ante el no saber cómo reaccionar.

“Aproveché que tenía vacaciones en la oficina y me vine a ver a Evo”, comentó a este diario Adrián Rhul, que blandía una bandera del Qollasuyu, uno de los cuatro lados del Tawantinsuyu, el imperio inca.

Frente al templo de Kalasasaya había dos palcos. Uno con invitados extranjeros y otro para ministros, funcionarios e integrantes de las Fuerzas Armadas. Mozos con guantes blancos se encargaban exclusivamente de proveerles infusiones, bebidas y alimentos. Tres señoras indígenas quisieron entrar, pero no los dejaron. “Sólo entran funcionarios del Estado”, les dijeron. “Pero diputadas somos.” De todos modos, las legisladoras tuvieron que quedarse bajo el sol y las nubes, como el resto.

Morales citó a Gualberto Villarroel, un presidente militar que en 1946 fue sacado del Palacio Quemado por grupos de izquierda, quienes lo ahorcaron en uno de los faroles de la plaza Murillo. “El coronel Villarroel decía ‘no soy enemigo de los ricos, pero soy más amigo de los pobres’. Por supuesto que se respeta la propiedad privada, todos tenemos derechos. Pero más tienen los pobres, para que haya igualdad entre todos. Este es el desafío profundo que debemos llevar adelante.” Los indígenas y campesinos contestaron con un “Jallalla”, que en aymara significa “viva” o “arriba”.

El presidente remarcó que “el Estado colonial permitió el saqueo de los recursos de la Madre Tierra. Era un Estado discriminador que siempre nos han visto a los pueblos indígenas como a salvajes”. Ante la aclamación popular, reflexionó que “más importante que defender los derechos humanos es defender a la Madre Tierra. Si los movimientos sociales no asumimos la responsabilidad, seremos cómplices del capitalismo”.

Los 3800 metros de Tiwanaku fueron difíciles de soportar para varios invitados y asistentes extranjeros. En varias ocasiones, los médicos corrieron con tubos de oxígeno y camillas. Un grupo de invitados oficiales que hablaba en inglés salió rápido para evacuar a una de sus integrantes, casi desmayada. “A los gringuitos no les ha gustado lo que ha dicho el Evo”, comentaron graciosos un par de campesinos.

Morales dijo que su próximo gobierno se regirá con la misma máxima que el pasado. “Rápidamente pasaron cuatro años de nuestro gobierno. Han sido años de trabajo permanente, en que nos guiamos por la ley cósmica que nos dejaron los antepasados. Es el Ama Sua (no seas ladrón), Ama Qella (no seas mentiroso) y Ama Llulla (no seas ocioso). Quiero agradecer desde este lugar sagrado a nuestros antepasado por dejar la mejor herencia a mí y a los pueblos del mundo.”

Los actos de posesión continuarán hoy, cuando los 166 asambleístas le entreguen los nuevos símbolos de la patria. La banda presidencial de la República será confinada en una bóveda del Banco Central. Le colocarán la banda del Estado Plurinacional, que mezcla los colores del estandarte nacional con la wiphala, también reconocida como bandera oficial.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Haiti: Terremoto é desastre natural, mas a pobreza extrema, não



Eduardo Sales e Igor Ojeda
Brasil de Fato

Destruição total, corpos estirados, homens e mulheres aos prantos. Os relatos dos repórteres nos jornais que foram a campo não são diferentes. Saques a supermercados, violência, desespero.

Quase em uníssono, os meios decretaram: os efeitos do terremoto de 7 graus na escala Richter ocorrido no dia 12 no Haiti são ainda mais graves devido à extrema pobreza em que vive a população do país, o de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do hemisfério ocidental. A análise um tanto óbvia não é incorreta, mas a imprensa em geral “esqueceu-se” de explicar o porquê de tanta miséria, praticamente naturalizando o subdesenvolvimento acentuado do Haiti.

“É preciso que se diga que se, de fato, as causas da tragédia são naturais, nem todos os efeitos o são”, opina Aderson Bussinger Carvalho, advogado e ex-conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que visitou o país em julho de 2007. “É preciso saber que indústrias exploram a mão-de-obra barata haitiana, cujos produtos são exportados para o mercado dos EUA, assegurando imensos lucros que não se revertem em favor do povo. As casas construídas somente com areia, a ausência de hospitais, a falta de luz e água... tudo isso vem de antes do terremoto”, afirma.

Pobreza extrema

Atualmente, 80% dos haitianos vivem abaixo da linha de pobreza, sendo que 54% se encontram na extrema pobreza. A mortalidade infantil é de cerca de 60 mortes para cada mil nascimentos (no Brasil, a proporção está em torno de 22 para mil), a expectativa de vida é de 60 anos e o analfabetismo atinge 47,1% da população.

Além disso, o país sofre com a falta de infra-estrutura e indústria nacional. As estradas são bastante precárias, assim como as áreas de energia, telecomunicações e transporte. Dois terços dos haitianos dependem da agropecuária para sobreviver, enquanto apenas 9% trabalham em fábricas, em sua maioria nas chamadas maquiladoras, unidades especializadas em produção de manufaturados para exportação que se utilizam de mão-de-obra barata. “Durante o ano de 2009, percorremos todo o Haiti. Nossa brigada percorreu dez departamentos e conhecemos a situação de pobreza em que vive a imensa maioria da sociedade haitiana”, relata José Luis Patrola, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da Brigada Internacionalista Dessalines da Via Campesina, que atua com as organizações camponesas do país.

Triste e estranha realidade para uma nação que foi a segunda das Américas a se tornar independente (da França) e a primeira a abolir a escravidão, em 1804. Ou seja, que tinha tudo para oferecer uma vida digna para seus habitantes.

Construção histórica

“A pobreza extrema do Haiti é uma construção histórica bi-centenária, produto da incessante intervenção colonialista e imperialista, em boa parte devido precisamente a ter sido o Haiti a primeira e única nação negreira onde os trabalhadores escravizados insurrecionados obtiveram a liberdade. Isso após derrotar expedições militares francesa, inglesa e espanhola”, explica Mário Maestri, historiador e professor do Programa de Pós Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul.

Segundo ele, a partir de então, o Haiti passou a ser temido pelos EUA, pois poderia servir como exemplo aos escravos estadunidenses. Assim, o país passou a “ser objeto de bloqueio quase total, desde seus primeiros anos, pelas nações metropolitanas e americanas independentes. Já em 1825, foi obrigado a pagar, sob pena de agressão militar, pesadíssima indenização à França. Conheceu nas décadas seguintes intervenções militares dos EUA, que, mesmo após a desocupação, em 1934, transformaram o país em semi-colônia, sobretudo através das sinistras ditaduras dos Duvaliers, Papa-Doc e seu filho [entre 1957 e 1986]”.

De acordo com Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP), o Haiti não é uma exceção na região em que se encontra, mas um caso extremo da dominação imposta pelos países centrais do capitalismo. Assim, para ele, “atribuir seus males à incapacidade da sua população, descendente de escravos forçados a trabalhar na ilha pelos colonialistas franceses, é um conceito abertamente racista. A classe dominante, ela sim, é corrupta até a medula. Se chegar ajuda para o governo local, vão roubar, para vender e chantagear a população”.

Casas amontoadas

Além da pobreza, outro fator vem sendo apontado como potencializador dos efeitos do terremoto, embora ambos estejam fortemente vinculados: a grande quantidade de pessoas vivendo nas cidades (especialmente na capital, Porto Príncipe) em casas amontoadas e construídas precariamente, o que fez com que desabassem mais facilmente. Segundo Patrola, o desastre deixou evidente a precaridade do sistema urbano no Haiti. “Porto Príncipe e as favelas de Cité Soleil e Bel-air foram construídas de forma espontânea com a ausência de recursos mínimos de construção civil. Isso potencializou a destruição”.

Aqui, outra triste e estranha realidade: como se explica que um país cuja agricultura representa 28% do PIB (no Brasil, esse índice é de 7%) possua um índice de êxodo rural tão acentuado e tenha 47% de sua população vivendo na zona urbana?

“Pela eliminação das culturas agrárias locais pelos produtos importados, inclusive os das famosas 'ajudas internacionais'. O subdesenvolvimento eliminou as florestas locais, pois o carvão é quase a única fonte de energia no interior. Em 1970, o Haiti era quase auto-suficiente em alimentação, hoje importa 60% do que come”, responde Osvaldo Coggiola. Segundo dados da ONU, entre 2005 e 2010, a população das cidades haitianas cresceu 4,5% por ano.

Migração

O historiador Mário Maestri explica que a revolução de 1804 teve como consequência a divisão dos latifúndios existentes em lotes familiares, que retomaram as tradições camponesas africanas, proporcionando uma independência alimentar. No entanto, “as intervenções imperialistas, com a colaboração das frágeis e corruptas elites negras e mulatas, desdobraram-se para metamorfosear a agricultura familiar-camponesa em mercantil. Levantes camponeses foram duramente reprimidos, para reconstituir a grande propriedade”, diz.

Patrola, da brigada da Via Campesina no Haiti, responsabiliza ainda as políticas neoliberais mais recentes pelo “desmonte” do campo. “A abertura comercial está destruindo a agricultura haitiana. O Haiti é o quarto importador de arroz dos Estados Unidos”, diz.

O resultado de todo esse processo vem sendo uma grande migração para a cidade. E hoje, de acordo com Maestri, as enormes massas de miseráveis urbanos são vistas como mão-de-obra extremamente barata para as indústrias maquiladoras que se estabeleceram no Haiti.

¿Por qué Haití es tan pobre?

Luis Prados
El País

Las catástrofes naturales, tan frecuentes este principio de siglo -tsunami en el Índico en 2004, Cachemira en 2005, Sichuán en 2008, el reciente de Sumatra y ahora Haití-, ocurridas en países pobres o en vías de desarrollo suelen llevar a que la explicación física del desastre sirva también para justificar las causas de la pobreza de la zona afectada. El castigo de Dios se desataría sobre los más débiles, habitantes de tierras de naturaleza imposible.

Haití, en concreto, tiene algunas desventajas físicas respecto de su vecino, la República Dominicana -menos lluvias, suelo más pobre, los ríos de las montañas dominicanas fluyen en su mayoría hacia el este... Sin embargo, los dos países, como escribe Jared Diamond en su extraordinario libro "Colapso. Cómo las sociedades eligen fracasar o sobrevivir", son el perfecto antídoto para el determinismo geográfico, el mejor ejemplo de cómo son las sociedades las que deciden el destino de un país.

Hagamos un poco de historia. Cuando Colón llega a La Española en 1492 se calcula que habitaban la isla medio millón de nativos, los taínos. Para su desgracia, tenían oro. En 1519 quedaban tan sólo unos 11.000. España tuvo que importar mano de obra esclava, pero pronto encontró lugares en el continente americano de mayor interés.

La negligencia española llevó a la ocupación francesa del tercio occidental de la isla para finales del siglo XVII. El cultivo intensivo de la caña de azúcar, acompañado de una salvaje deforestación y de pérdida de fertilidad del suelo, convirtió a Haití en la colonia más productiva de Francia en 1785. Para entonces, su población esclava ascendía a 700.000 personas, el 85% del total, frente a los 30.000 de la parte de la isla que seguía siendo española.

La rebelión de los esclavos haitianos y la Constitución de la primera república negra en enero de 1804 horrorizó al Occidente blanco. Las nuevas autoridades haitianas legislaron para que nunca se repitiera la tragedia de la esclavitud: no habría más plantaciones, sino pequeñas parcelas de tierra para la subsistencia de cada familia, y se prohibió el establecimiento y las inversiones de los extranjeros.

Al autoaislamiento se unió la exclusión. Haití era la encarnación de la peor pesadilla del colonialismo blanco. Como dice Ian Thomson, autor de Bonjour Blanc, a Journey Through Haiti, "se pensaba que los haitianos eran incapaces de gobernarse a sí mismos porque eran negros. Luego había que probar que eran ingobernables". Estados Unidos, por ejemplo, sólo reconoció la independencia de Haití en 1862, en plena guerra civil. Pese a todo, la pequeña república era aún mucho más rica que su vecina, a la que invadió en varias ocasiones en el siglo XIX. Sin embargo, la República Dominicana contaba con algunas ventajas: no estaba superpoblada, sus habitantes hablaban español y no creole y eran de origen europeo, recibían bien a los hombres de negocios extranjeros y desarrollaron una economía de exportación.

Los países sufrieron inestabilidad política y administraciones atroces -en Haití, de 22 presidentes entre 1843 y 1915, 21 fueron asesinados o expulsados del poder; en la República Dominicana, entre 1844 y 1930 hubo 50 cambios de presidente- y la ocupación durante varias décadas por Estados Unidos. Y después, el despotismo del clan Duvalier y el clan Trujillo. Dos dictaduras cleptómanas cuyas secuelas aún se pueden sentir. No hay maldición geográfica. La suerte de Haití se decidió mucho antes del terremoto de hace una semana.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

¿Es posible Río sin favelas?


Juan Arias
El País

Celebrar los Juegos Olímpicos en el año 2016 con Río de Janeiro sin favelas es el gran sueño del joven alcalde de la ciudad brasileña, Eduardo Paes. El sueño consiste en convertir sus 1.200 favelas, con más de dos millones de habitantres -un quinto de la población total-, en otros tantos barrios normales, con todas las infraestructuras necesarias y la presencia permanente del Estado.

El alcalde Paes trató el asunto en diciembre pasado con el presidente del Comité Olimpico Internacional (COI), Jacques Rogge, quién comentó que, si Río consiguiese urbanizar todas sus favelas, el legado social de los Juegos Olímpicos de 2016 superaría al de todas las otras ciudades en las que se han celebrado hasta ahora.

¿De quién depende la realización de esta quimera? En realidad, del presidente de la República, Luiz Inácio Lula da Silva, que podría dejar en marcha el ambicioso proyecto antes de dejar del poder, en 2011. Según el alcalde, el sueño tiene una cifra: 4.000 millones de reales (unos 1.580 millones de euros), que sólo el Estado puede conceder a la ciudad carioca.

La esperanza es que Lula, que estos días discute con su Gobierno la segunda parte del Plan Acelerado de Crecimiento (PAC II), incluya dicha partida en el presupuesto. Que Lula lo desea tanto como el alcalde de Río es cierto. Fue él quien aseguró que deseaba borrar del diccionario la palabra favela, para transformarla en la palabra barrio.

Por lo pronto, la alcaldía de Río ha anunciado ya oficialmente la remoción, antes de 2012, de 109 favelas y 12.196 casas localizadas en zonas de riesgo. Las lluvias torrenciales de las semanas pasadas, que dejaron muertos, heridos y casas destrozadas en Angra, São Paulo y Río, entre otras regiones del país, han hecho disparar las alarmas sobre muchas de las favelas que fueron construidas en zonas fácilmente vulnerables a las calamidades naturales.

La posibilidad de que una ciudad como Río convierta en barrios urbanizados todas sus favelas es importante porque, además, podría ser un ejemplo para otras urbes que sufren también la lacra del crimen organizado, que impera en zonas a las que no llega el Estado y que acaban convirtiéndose en nidos de violencia exportable al resto de la ciudad. En Sâo Paulo, Recife, Fortaleza, Bahia y otras ciudades brasileñas hay tantas favelas en proporción al número de habitantes como en Río. Más de la mitad del país cuenta con amplias zonas favelizadas. En el Estado de Río, el 76% de los municipios tiene favelas. El 90% de los casos de deslizamientos de tierra a causa de las lluvias, que dejan muertos y heridos, se registran en lugares con favelas.

Además de urbanizar estas barriadas pobres, el segundo requisito para que no sigan creciendo es la construcción en todo el país de casas populares. Brasil necesita hoy ocho millones de viviendas. Lula ha prometido construir un millón este año. Pero, por ahora, es sólo una promesa.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Relações com o Brasil devem continuar boas, preveem analistas

Alexandre Costa Nascimento
Gazeta do Povo

A guinada à direita no Chile não deverá afetar negativamente as relações do país com o Brasil. Ao contrário, especialistas apontam para um fortalecimento da “histórica aliança estratégica” entre os países. Prova disso é que alguns ex-chanceleres chilenos e senadores ligados à coalizão que elegeu Piñera defendem abertamente na imprensa local que a primeira viagem internacional do presidente – que tem o significado simbólico de demonstrar as prioridades da política externa de um novo governo – tenha como destino o Brasil.

“Não há nenhuma agenda negativa entre o Brasil e o Chile. As relações políticas, econômicas e culturais entre os países sempre foram amistosas. O próprio Piñera, enquanto candidato, visitou o presidente Lula e tem manifestado que o Brasil é um parceiro do Chile e continuará sendo”, disse à Gazeta do Povo uma fonte diplomática da embaixada brasileira em Santiago e que preferiu não ser identificada.

Em relação ao processo de integração no subcontinente – uma das prioridades do Itamaraty – a fonte considera que o novo governo chileno deverá manifestar “algumas reservas” quanto à possibilidade de que a União das Nações Sulamericanas (Unasul) ou o Mercosul possam ser utilizados como palco para discursos populistas dos países que fazem parte da aliança bolivariana, liderada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

“O Chile teve um papel importante na criação da Unasul, exercendo, inclusive, a primeira presidência rotativa do bloco. Mas haverá algumas reservas no que se refere ao bolivarianismo. O próprio Piñera disse isso claramente no último debate”, explica.

Já o chileno Fernando de la Cuadra, mestre e doutorando em Ciência Sociais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), aposta em uma maior aproximação do Chile com países governados por políticos de direita, como a Colômbia e o Perú. “O Chile deverá priorizar os tratados de livre-comércio e se afastar do Mercosul (bloco do qual é membro associado desde 1996), formando um eixo de direita com os presidentes Uribe (Colômbia) e Alan Garcia (Peru)”, avalia.

Socialista de carteirinha, de la Cuadra reconhece que o presidente eleito tem um posicionamento liberal em temas como ética e cultura. Piñera já se declarou favorável a união entre casais do mesmo sexo ou o uso da pílula do dia seguinte. “O problema é a aliança que o elegeu. Entre os grupos que o apoiaram estão a direita pinochetista, e grupos católicos ultraconservadores, como a Opus Dei e os Legionários de Cristo, que possui uma universidade que forma mulheres para serem donas de casa”, afirma.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Gabriel Salazar: “Hemos retrocedido permanentemente”

Pamela Gutiérrez
La Nación

El Premio Nacional de Historia 2006 pasa revista a Chile con miras al bicentenario. Afirma que claramente hay rasgos de nuestro país que se implantaron desde la Independencia en 1810, como el centralismo y la rígida separación social, y que hoy hay menos participación ciudadana que la que había en el siglo pasado.

Gabriel Salazar es especialista en mirar a Chile desde los personajes que influyen desde la base, no de la elite. Aunque también ha mirado a algunos integrantes de la aristocracia chilena como los Edwards. Acá analiza para La Nación Domingo los siglos que han marcado a Chile con miras al bicentenario.

¿Cuáles son los rasgos que hemos mantenido los chilenos desde 1810 hasta este siglo?

Hay tres rasgos que se han mantenido hasta hoy. El primero es que Santiago haya tenido ya por esa época un centro comercial alrededor de la Plaza de Armas, que al mismo tiempo era el barrio donde vivía el patriciado, la elite comercial, y todo el resto de la ciudad constituida por ranchos, salvo al oriente, donde estaba el cerro Santa Lucía. Por eso la gente de clase alta escapó hacia arriba. Lo otro es la diferenciación entre una elite que se considera más perteneciente a Europa, en ese tiempo a España, y no chilenizada. Por eso ven a los indígenas y a los mestizos como un pueblo distinto, como si fueran colonizadores. Por lo tanto, a los indígenas se los mira como un enemigo interno, se les aplica la ley antiterrorista y eso proviene del período colonial. Lo tercero es el centralismo político, que reproduce el centralismo imperial desde España absolutista y un gobernador radicado en Santiago.

¿Cuál es el rasgo que caracterizaba a la sociedad chilena en 1810, 1910 y ahora 2010?

Hay que verlo por siglo. El siglo XIX es un siglo largo, ya que se inicia en 1800 y termina en 1930. Desde 1910 se produce una crisis muy profunda en que el Estado portaliano empieza a declinar por corrupción política, y esa crisis se arrastró por 20 años porque el Ejército defendió ese Estado por mucho tiempo y, en la práctica, la crisis fue superada parcialmente a partir de 1938 con el Frente Popular. El siglo XX, en cambio, es un siglo corto, porque parte en 1930 y finaliza en 1973. En el ’30 se inicia con la crisis económica y en el ’38 con la crisis política. Lo similar entre el siglo XIX y el XX es que la Constitución de 1925 fue una copia feliz de la de 1833, donde Arturo Alessandri logró imponer un Estado completamente distinto al que querían los actores sociales de esa época. El único cambio es que se separan la Iglesia y Estado.

¿Qué consecuencias tuvo para el Estado su divorcio con la Iglesia?

El Estado del siglo XIX nunca se preocupó del desarrollo social y económico. Todo lo que tenía que ver con educación, pobreza, salud, incluso el empleo, eran responsabilidad de la Iglesia o del municipio. La Iglesia hizo las veces de ministerio social desde el siglo XIX hasta 1930, sobre la base de la caridad. Pero hacia 1914 la Iglesia se dio cuenta de que la caridad no podía resolver el problema social y por eso se produce la separación. Pero el Estado tenía un problema serio, dado que la Constitución de 1933 no decía nada sobre las políticas sociales ni de desarrollo económico, tampoco la de 1925, por eso la solución del desarrollo social, económico e industrialización, tuvieron que hacerlo los radicales después de 1938, a través de resquicios legales.

¿Por qué marca el fin del siglo XX en 1973 y no, por ejemplo, en 1989, con el reinicio de la democracia?

El ’73 puso fin a ese Estado que, siendo liberal, intentó desarrollar la economía y la industria y resolver el problema social, lo que se llamó el Estado populista o Estado nacional desarrollista, que amparó las políticas de desarrollo de los radicales, la DC y la UP. Desde el ’73, achicaron el Estado y lo dejaron convertido en un Estado liberal muy parecido a como lo concibió el equipo de Diego Portales en el siglo XIX. Entonces, el siglo XXI chileno está operando con los mismos parámetros del siglo XIX, históricamente hablando.

Chile en estos dos siglos ha sufrido varias revueltas políticas que lo han marcado. A su juicio, ¿cuál ha sido la de mayor impacto?

Las tres veces en que la ciudadanía o los actores sociales han querido construir un Estado de acuerdo a un proyecto que ellos han concebido, han sido reprimidos violentamente o engañados y traicionados por los militares, en primer lugar, y luego los políticos. Eso ocurrió entre 1829, cuando Diego Portales y los militares dieron un golpe de Estado y reprimieron a los que estaban proponiendo el Estado ciudadano e impusieron el Estado de 1833. Frente a esa imposición, la ciudadanía se rebeló al menos en 21 oportunidades. Sigue con la sociedad de la igualdad, la guerra civil de 1851, la de 1891, las matanzas que comienzan el siglo XX en Valparaíso en 1903; Santiago, 1905; Antofagasta, 1910. A partir de 1925 se le impone de nuevo a la ciudadanía un Estado que no quería a través de un golpe civil, por así decirlo, una traición brutal de Arturo Alessandri. La ciudadanía se rebeló, no para cambiar el Estado como lo hizo en el siglo XIX, sino para exigir a los políticos desarrollo en el país y resolver el problema social. Son movilizaciones de masas, peticionistas y protestantes en las calles. El tercer quiebre fue en 1973, donde de nuevo nos impusieron un Estado que no queríamos. En el 1829 y el ’73 fueron golpes sangrientos y por eso la ciudadanía quedó con una gran prudencia.

¿Prudencia? ¿No es más bien miedo?

No es miedo, sino prudencia, de decir “bueno, voy a respetar la ley, no me gusta, pero si no llega de nuevo el golpe militar”. Eso pasó en el siglo XIX y está pasando ahora. Eso explica por qué las encuestas muestran desde el 2005 que la gente no tiene confiabilidad ni credibilidad en el aparato político que nos rige. Hay un descontento enorme que está larvado, metido para adentro, y no ha aflorado por dos razones: como hoy no hay izquierda parlamentaria y el PC está dentro del modelo de Pinochet aunque haya elegido a tres diputados, la gente no canaliza en esa dirección su descontento. La izquierda transó con el modelo, el PS está metido hasta los huesos en el modelo neoliberal. La otra razón es más sutil y es que la ciudadanía no se siente pobre. No es que no haya pobreza, sino que está disfrazada con el endeudamiento.

En democracia, ¿cuáles han sido los mayores progresos y qué cosas están pendientes?

En términos generales, hemos retrocedido permanentemente. Los políticos van a decir que estamos más democráticos que nunca, pero no es así. Hasta 1830, con el golpe de Estado de Portales, en los pueblos se autogobernaban a través de asambleas o cabildos que se efectuaban en la plaza, que era el lugar donde la comunidad se reunía para tomar decisiones de-mo-crá-ticamente, donde todos participaban: hombres, mujeres y niños, proletarios, hacendados, comerciantes, artesanos, campesinos suburbanos. Los únicos que no participaban en esas asambleas eran los que no pertenecían a la ciudad o a la villa, es decir, los mestizos, los indígenas, los huachos. Eso era el bajo pueblo. La democracia de los pueblos era avanzadísima y mucho más perfecta que la de hoy día, y fue aplastada por el régimen portaliano. Eso fue un retroceso enorme y aparece todo el control del Estado, las elecciones y la clase política, que reemplaza el pueblo. Eso fue durante todo el siglo XIX.

¿Y la democracia en el siglo XX?

En el siglo XX, después de las traiciones de Alessandri y de Ibáñez, después de 1930, las grandes necesidades de Chile, como desarrollo industrial e igualdad social, los políticos tenían que implantarlas con resquicios legales, por lo tanto, el Estado resuelve y la ciudadanía le entrega el derecho a petición. Por lo tanto, el Estado resuelve todo y, en la calle, la ciudadanía pide y eso la transforma en masa, pedigüeña, peticionista y mendicante, que puede saltar y gritar sus necesidades, pero no deja de ser masa. Los políticos van a decir: “Es que había elecciones”. Cierto, un hombre, un voto, pero ya no hay democracia participativa. Por eso, a mi modo de ver hay un retroceso. El electoralismo no es democracia participativa y por eso la gente no sabe participar en política. Sabe pedir, sabe gritar, pero cuando hay que proponer, cero.

¿Podría dar un ejemplo de eso?

Fue el gran problema de los pingüinos. Entendieron que tenían que volver a las asambleas y recobraron la democracia participativa. Designaron voceros y no directivos que se apernaran, pero quedaron cortos en la propuesta, porque en Chile perdimos la costumbre de elaborar propuestas. Hoy lo que tenemos es una democracia electorera, por eso es que la gente ya no le cree al sistema electoral y dos millones de cabros no se inscriben.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Chile: La derecha gana las elecciones


Agencias

Se dio a conocer el segundo cómputo oficial de los comicios, tras escrutarse el 99,2 por ciento de las mesas de votación de todo el país y que corresponde a un total de 6.903.358 votos válidamente emitidos.

Por una diferencia de 3,23 puntos, el candidato de la Coalición por el Cambio, Sebastián Piñera, se impuso a su adversario de la Concertación, Eduardo Frei y se convirtió este domingo en el nuevo presidente electo.

Así lo indicó el subsecretario del Interior, Patricio Rosende, al dar a conocer el segundo cómputo oficial de los comicios, luego de escrutarse el 99,2 por ciento de las mesas de votación de todo el país, y que arrojaron que el abanderado de la derecha consiguió el 51,61% de los votos contra el 48,38% de Frei.

Haití ya no existe

Pablo Ordaz
El País

La anarquía se adueña del país ante la falta de una autoridad que ataje el caos. Una riada de mujeres y hombres deambulan por las calles y se empiezan a escuchar tiros en el centro de Puerto Príncipe. La ayuda internacional sigue siendo una anécdota.

Cualquier cifra de muertos es falsa. Para que el número de víctimas del terremoto de Haití se acercara algo a la realidad harían falta dos cosas. La primera es que alguien los hubiera contado, supiera cuánta gente estaba comprando a las cinco de la tarde del martes en el supermercado Caribe o cuántos niños de hasta cinco años durmiendo la siesta o jugando en la guardería Le Petit Prince. Pero nadie lo sabe. Tampoco nadie ha contado cuántos cadáveres han sido quemados ya en las esquinas o cuántos continúan abandonados en medio de las calles -el reportero perdió este sábado la cuenta al llegar a 20 tras la primera media hora de recorrido por el centro de Puerto Príncipe-. La segunda cuestión necesaria es que aquí, en este país antes llamado Haití, hubiese algún tipo de autoridad, municipal o estatal, que tras el seísmo se hubiese hecho cargo de la situación. Pero Haití ya no existe. Su capital sólo es ya un inmenso cementerio en ruinas por el que pasean sin saber hacia dónde millones de personas convertidas en vagabundos.

Ivania y sus dos hijas forman parte de ese ejército silencioso. Al pasar por la puerta de la morgue privada La vida eterna se tapan la nariz con sus camisetas. Seis cadáveres sin siquiera cubrir se agolpan en el garaje sin rejas de la funeraria. Uno más está tirado en plena acera. Después de cuatro días al raso, tal vez sea mejor no describir su estado ni el olor que desprenden. Dicen los vecinos con naturalidad que los cuerpos están ahí porque ya dentro no caben más. Ivania se santigua y relata: "Esta ropa que llevo puesta y estas dos hijas que me acompañan son todo lo que tengo. De mis otros cinco hijos no he vuelto a saber desde el día del terremoto". Cuando se le pregunta adónde se dirige, Ivania responde lo que todos: "No sé. A intentar buscar algo de comida. Hace días que no he probado nada".

Todo el mundo habla del número probable de muertos, del último niño rescatado milagrosamente por un bombero europeo que sale sonriente en los telediarios o de la inminente llegada de Hillary Clinton y de sus 10.000 soldados. Pero nadie habla de esa riada interminable de mujeres y hombres silenciosos que deambulan como sonámbulos por una ciudad que, mal que bien, era la suya. Sabían a dónde dirigirse cuando tenían un problema de tráfico, o de salud, o cuando querían comprar un medicamento o un pantalón para sus hijos. Ya nada de eso es posible. El terremoto se llevó hasta el último resquicio de vida cotidiana. Lo hizo en menos de un minuto, pero con una eficacia mayor que muchos meses de bombardeo. Tampoco están las autoridades. Ninguna. La última imagen del presidente René Preval es la de un hombre que balbuceaba ante las cámaras, sin corbata y con los pantalones sucios, que había tenido que abrirse paso entre cadáveres, eso dijo, y que esa noche, la primera tras el terremoto, no sabía dónde iba a dormir. Pero ya han pasado cuatro días con sus noches y nadie sabe a ciencia cierta dónde está Preval ni quién manda en Haití. Tal vez no se sabe porque ya no manda a nadie. O porque, como dice Bernard, un funcionario haitiano que acompañó al reportero en su recorrido por Puerto Príncipe, "el país ha desaparecido, Haití ya no existe".

Sólo existen cadáveres y gente que anda, y niños rotos que lloran toda la noche junto a la tapia del hotel, fundiéndose su dolor con el sueño, con las imágenes repetidas de los cadáveres sin sepultura. Lo que queda de Haití se resume en los carteles improvisados que, en francés y en inglés, van apareciendo en las calles. Dicen: "Necesitamos ayuda". Pero nadie parece leerlos, porque cuatro días después del terremoto la ayuda internacional sigue siendo una anécdota, gestos de buena voluntad descoordinados, sobrepasados, impotentes. Son dos bomberos franceses llegados de Niza que solos y sudorosos introducen una y otra vez sus cuerpos por el esqueleto de un edificio que ya ha arrojado 20 cadáveres. Son unas enfermeras belgas que hacen lo que pueden ante una avalancha de gente que implora un calmante para sus hijos. La misma avalancha que se agolpa ante la puerta de una base militar controlada por la ONU cercana al aeropuerto. Son personas enfermas y heridas que quieren acceder al hospital de campaña instalado allí. Una mujer con muletas, otra con la cabeza vendada, una tercera apoyada en otra más joven, probablemente su hija. El guarda de la puerta va a dejarles entrar, pero un soldado de la ONU llega entonces, se interpone entre la veintena de heridos y el guarda y grita:

-No deje entrar más heridos.

El del fusil obedece y cierra la puerta. Luego, como si su actitud necesitara de una explicación, el soldado de la ONU dice: "Es que ya no hay más medicamentos". Hasta este sábado al menos, la ayuda internacional sólo era buena voluntad y poco más. Su imagen más gráfica es la de un camión lleno de bomberos de Los Ángeles con sus trajes azules impolutos y sus cascos amarillos relucientes varados en medio de un caos de tráfico, de gente que quiere huir del infierno en autobuses atestados. De un infierno que empezó a perder la calma. Se escucharon tiros en el centro de la ciudad. En una calle que antes era comercial y ahora es el decorado imposible de una película de dolor y miedo.

Urgencia por frenar a las derechas



Raúl Zibechi
La Jornada

Una de las mayores dificultades para frenar la ofensiva de las derechas latinoamericanas es la fragilidad política e ideológica del progresismo. En los próximos años podemos asistir a un hecho paradójico: que la retirada del imperio en la región vaya de la mano del ascenso de nuevas derechas, en algunos casos de carácter empresarial y en otros vinculadas al progresismo gobernante.

Estos días se desarrollan debates y batallas políticas en el Cono Sur del continente que ponen de relieve ese crecimiento del derechismo. En Chile este domingo la derecha puede volver a La Moneda, pero si lo hace será porque el progresismo presentó al peor candidato posible, Eduardo Frei, quien para muchos chilenos presenta pocas diferencias con Sebastián Piñera, al punto que no pudo siquiera cosechar la mitad de las simpatías con que cuenta la presidenta Michelle Bachelet.

En Argentina la derecha se enfiló detrás del presidente del Banco Central, Martín Redrado, quien se negó a seguir las órdenes de la Casa Rosada de pagar parte de los vencimientos de la deuda externa con reservas monetarias. Una vez más el gobierno de Cristina Fernández aparece jaqueado desde dentro, como sucedió hace casi dos años cuando el vicepresidente Julio Cobos se pasó a la oposición ante el conflicto entre el gobierno y las gremiales rurales. Por bochornosas que puedan ser estas actitudes, no debe olvidarse que fue el oficialismo quien los colocó en los cargos que ocupan, aun sabiendo que el actual presidente del Banco Central es un hombre cercano al ex ministro de Economía de Carlos Menem, Domingo Cavallo.

En Brasil, Lula está dando marcha atrás en su Programa Nacional de Derechos Humanos ante la andanada de críticas de los medios, los militares, la Iglesia y la oposición. La tercera edición de este programa contempla la creación de una comisión de la verdad para desvelar los crímenes de la dictadura militar (1964-1985), revisar la Ley de Amnistía de 1979, promover la despenalización del aborto y dar carácter legal a la unión civil entre personas del mismo sexo, así como varias iniciativas de carácter social. Aunque los movimientos sociales y sindicales apoyan el programa, el presidente se mostró dispuesto a congelarlo para no perjudicar a la candidata del PT y actual ministra de la Casa Civil, Dilma Rousseff, en las elecciones presidenciales de octubre.

En los tres casos mencionados las ofensivas de las respectivas derechas, siempre apoyadas por los grandes medios, pueden prosperar solamente por las tibias y frágiles respuestas del progresismo. Sin embargo la ofensiva derechista menos conocida es la que estos días tiene lugar en Uruguay, en Punta del Este, en plena temporada turística. Una juez de Maldonado, capital del departamento donde está el balneario, decidió aplicar el polémico Código de Procedimiento Policial para expulsar del balneario a inminentes delincuentes, o sea personas con antecedentes penales o sospechosas, aunque no estuvieran cometiendo ningún delito. En pocos días fueron expulsadas 28 personas.

Como señaló el semanario Brecha, la derecha y los empresarios de Punta del Este vienen exigiendo que se establezca algo así como una zona libre de sucios, pobres y feos, que en los hechos es un castigo a los trabajadores pobres que acuden a esos sitios en busca de empleos temporales. Aunque algunos magistrados condenaron la decisión de la justicia por considerarla inconstitucional, mientras los empresarios y los policías la aplauden, lo sorprendente es la reacción de una parte de la izquierda. Eduardo Bonomi, tupamaro y futuro ministro del Interior cuando asuma la presidencia José Mujica el 1º de marzo, se mostró partidario de la mano dura y aseguró que en la propia izquierda hay un proceso de aprendizaje en temas como seguridad y delincuencia.

Un hombre como Bonomi, que estuvo años preso por haber tomado las armas en nombre de la revolución, dijo a un semanario de la derecha justo lo que ese sector quiere escuchar: llegó a justificar que se proceda contra los chicos que limpian los parabrisas en los semáforos o piden dinero en la calle. En su opinión, la finalidad de la policía es detectar a los eventuales delincuentes antes de que cometan el delito. Esta actitud preventiva implica una suerte de criminalización de la pobreza y va de la mano de la militarización de los barrios periféricos y otras zonas calientes. Ha sido, siempre, el discurso de la derecha que apela a la seguridad ciudadana como forma de control de los de abajo.

El caso uruguayo es grave porque en este país nunca se había llegado tan lejos en el combate a la delincuencia. Pero, sobre todo, porque la izquierda acaba de ganar las elecciones con holgura y no hay ningún riesgo de que la derecha desplace del poder al Frente Amplio. Las opiniones del futuro ministro del Interior revelan un viraje de largo aliento que es similar al que se está produciendo en otros progresismos del continente. Quiero decir que no estamos ante un repliegue táctico sino ante la adopción de aspectos centrales de la ideología de la derecha.

Mucho más allá de lo que suceda este domingo en Chile, y del modo como se resuelva la crisis argentina, es cada vez más evidente que el progresismo, o sea una cierta izquierda de clases medias y profesionales, ha tocado techo y ya no es capaz de producir algo que la diferencie verdaderamente de las derechas. Estamos ante una fractura social sin paliativos, provocada por el neoliberalismo pero que el modelo extractivista en curso sigue profundizando, donde las clases medias y los trabajadores con empleo formal están cada vez más alejados –cultural y socialmente– de los pobres de las periferias urbanas. En la medida que los pobres salen de sus guetos son visualizados como peligrosos y se los acusa de delincuentes o de narcos. Sólo en la Bolivia de Evo Morales el gobierno acepta que los de más abajo puedan ser sujetos políticos. En el resto del continente, aun cuando se organizan en movimientos, se los busca distraer con programas sociales o se les envía la policía.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Haití se fractura por el sismo

Agencias

El devastador terremoto que sacudió a Haití el martes dejó a la nación no sólo con miles de muertos y damnificados, sino que quebró los cimientos mismos de su débil sistema institucional y las palabras anarquía, caos e inseguridad definen el estado del país.

El gobierno está partido institucionalmente: el presidente, René Preval, no tiene desde donde gobernar, ya que el Palacio y su domicilio particular están destruidos. Su puesto y morada están ahora en una estación de policía y se queja de que ni siquiera tiene señal en su celular.

Los miembros del Gabinete también se quedaron sin sus despachos, no pueden reunirse y tomar decisiones. “Debemos reconstruir todo. El palacio se cayó, el Parlamentó está destruido, el Palacio de Justicia se vino abajo”, declaró Preval, y agregó que la ONU estima que se necesitan más de US$500 millones para la reconstrucción de Puerto Príncipe.

Las denuncias de algunos medios locales contra el gobierno son taxativas, como la del sitio de internet Radio Metropole, que apuntó que “no se ha puesto en marcha ni siquiera una célula de gestión de la crisis”.

Inseguridad rampante

Las autoridades están especialmente preocupadas por el aumento de la inseguridad, ya que el hambre y la desesperación comenzaron a derivar en brotes de violencia.

Tres días después del sismo, pandillas comenzaron a atacar a los sobrevivientes que viven en las calles en campamentos de toldos improvisados con sábanas y palos, entre escombros y cadáveres en descomposición.

En ese contexto, el presidente Preval dio órdenes para que Estados Unidos tome el control temporal del aeropuerto para darle velocidad a la coordinación de la ayuda y de esta manera calmar los ánimos de una población en necesidad.

El enviado especial de BBC Mundo a Puerto Príncipe, Carlos Chirinos, indica que esta decisión obedece, probablemente, a la llegada de la secretaria de Estado de Estados Unidos, Hillary Clinton, a la ciudad este sábado.

Paralelamente la policía local con la ayuda de las fuerzas de paz de la ONU intentan hacer frente a la crisis de seguridad. “Estamos enviando a nuestra policía a las áreas donde los bandidos están comenzando a operar”, dijo el secretario de Estado para la Seguridad Pública, Aramick Louis.

Cifras y más cifras

El gobierno falla hasta para dar las cifras de los muertos: el presidente Preval dijo este viernes que ya no va a arriesgar un número sobre cuántos muertos han sido sepultados, cuando un día antes había dicho que eran 7.000. Mientras, un funcionario aseguró que los enterrados en fosas comunes alcanzaban los 40.000 y Naciones Unidas los 9.000.

Y con respecto al número de las víctimas fatales, las autoridades aseguran que nunca sabrán la cifra exacta. “Ya hemos recogido alrededor de 50.000 cadáveres y anticipamos que habrán entre 100.000 y 200.000 muertos en total…”, le dijo el ministro del Interior, Paul Antoine Bien-Aime, a la agencia de noticias Reuters.

Por lo pronto, algunos funcionarios dicen que “no hay nada que podamos hacer. Salimos a la calle para mostrar que nos importan, que sufrimos con ellos. “Por el momento, esto es una anarquía”, señala Adolphe Reynald, asesor del alcalde de Puerto Príncipe.

Por su parte, el secretario general de la ONU, Ban Ki-Moon, -quien prometió arribar este domingo- advirtió que la ONU está enfrentándose a una situación “caótica” a la hora de coordinar los esfuerzos desde el dañado aeropuerto de la capital para intentar agilizar la distribución de ayuda y la evacuación de personas.

Sin embargo, el corresponsal Chirinos observa que “la falta de rápida respuesta institucional es una crítica que no sólo se le hace al debilitado gobierno haitiano, sino a las principales organizaciones multilaterales que trabajan en el país, como la misión de la ONU o la Cruz Roja Internacional.

“Muchos se preguntan por qué estas organizaciones, que en la práctica sustituyen al gobierno haitiano en muchas áreas, no han asumido el control de la situación”, agrega Chirinos.

Peligro de impunidad

La situación encendió las alarmas de Amnistía Internacional (AI), que le pidió a la ONU que adopte medidas “para la protección de los derechos humanos y de las personas más vulnerables entre los sobrevivientes”.

Gerardo Ducos, investigador de AI especializado en Haití, señaló que “la situación actual de anarquía en Haití y la creciente vulnerabilidad de las mujeres y los niños crea el entorno perfecto para que se abuse de los derechos humanos y para que se cometan crímenes como la violación y el abuso sexual”.
Dada la situación institucional del país, existe, según Ducos, el riesgo de que esos delitos “no sean perseguidos ni castigados”.

AI consideró que el terremoto ha afectado a la capacidad de la Policía Nacional Haitiana y del sistema judicial para supervisar por el cumplimiento de la ley, ya que la mayoría de las infraestructuras han quedado destruidas y muchos oficiales y jueces han muerto.

Tierra de nadie y de todos

Ya la visión de las calles y plazas de la capital haitiana, convertidas por las noches en un gran dormitorio colectivo donde los vivos se acuestan al lado de los cadáveres da cuenta de un país que se ha convertido en tierra de nadie y tierra de todos, socorristas y periodistas incluidos.

El portal Haiti Press Network, al informar de cómo miles de personas toman por asalto los jardines públicos y cualquier lugar donde no haya escombros para pasar la noche, indicó que “dada la confusión actual esta situación puede durar muchos días”.

Entre tanto, la ayuda humanitaria ha comenzado a llegar. El aeropuerto de Puerto Príncipe está a duras penas operativo, sin torre de control y con escasa luz eléctrica, pero siguen aterrizando aviones con cargamentos de alimentos y medicamentos, y equipos humanos.

Reportes desde Haití relatan de cómo un Preval aturdido descansa en las promesas del presidente de Estados Unidos, Barack Obama, y del jefe de la ONU, Ban Ki-moon: “Ellos ofrecieron compasión y dijeron que harán todo lo que puedan para ayudar”. En medio de tanta escasez y miseria, Preval indicó que la máxima prioridad del país es “todo”.

La doble maldición de Haití


Maurice Lemoine
Le Monde diplomatique

«A la muerte le gustan los pobres», decía Le Monde diplomatique en febrero de 2005 tras el tsunami que acababa de golpear a Indonesia, las costas de Sri Lanka, el sur de la India y Tailandia. Es muy pronto para hacer balance del terremoto de 7 grados en la escala Ritcher que ha arrasado el país más pobre de América Latina, Haití, el 12 de enero. Pero se puede temer lo peor. Ahora se trata, urgentemente, de buscar y rescatar a las víctimas, llevar asistencia sanitaria a los supervivientes, habilitar refugios, proporcionar alimentos y agua y evitar las epidemias. La solidaridad internacional y la ayuda humanitaria de todos, de la ONU a Estados Unidos pasando por la Unión Europea -especialmente Francia, que no puede desentenderse de su deuda histórica con la isla- o América Latina, se moviliza según (o no) sus posibilidades.

Otra vez el seísmo golpea una región del globo poco respetada por los fenómenos naturales. En 2008, Haití ya sufrió el infierno de cuatro huracanes tropicales –Ike, Anna, Gustav y Fay-. No se pueden comparar con este terremoto, obviamente tan imprevisible como imprevisto, difícil de anticipar. Sin embargo, surge la primera pregunta: ¿Por qué durante esos huracanes, que las arrasan de la misma forma (con consecuencias económicas desastrosas), en Haití hubo que lamentar setecientas noventa y tres muertes y «sólo» cuatro en Cuba? Como un efecto de lupa, las catástrofes ponen de manifiesto el estado «real» de las sociedades.

Una vez pasado el choque inicial y la conmoción, los gobiernos, ONG, instituciones internacionales y medios de comunicación se dedicarán, todos a una, al tema de la «reconstrucción». Si es que se puede emplear el término «reconstruir» en un país que carece de todo.

Pero, ¿de qué reconstrucción hablarán? Después del huracán Micht, que en octubre y noviembre de 1998 se cobró casi diez mil vidas y cientos de miles de damnificados en América central, los movimientos sociales avanzaron la idea de vincularla a un nuevo tipo de desarrollo destinado a reducir la vulnerabilidad social. El tiempo se ha encargado de demostrar que desde entonces no se ha hecho nada en ese sentido. El único intento, emprendido mucho después por el presidente hondureño Manuel Zelaya, acabó por el golpe de Estado del 28 de junio de 2009…

A una clase política haitiana amenazada por el espectro de la autodestrucción, y que no está exenta de responsabilidad en el estado calamitoso del país, ¿quién le va a leer la cartilla? ¿Las instituciones financieras internacionales que han demorado el proceso de anulación de la deuda a pesar de los problemas a los que ya se enfrenta la población? ¿Washington, el Banco Mundial, el Fondo Monetario Internacional (FMI), el Banco Interamericano de Desarrollo, etcétera? ¿Los países denominados «amigos» que cínicamente han empujado al descenso a los infiernos a la sociedad haitiana?

Desde 1984, el FMI obligó a Puerto Príncipe a liberalizar su mercado. Los escasos y últimos servicios públicos se privatizaron negando el acceso a ellos a los más necesitados. En 1970, Haití producía el 90% de los alimentos que consumía, actualmente importa el 55%. El arroz estadounidense subvencionado ha matado la producción local. En agosto y septiembre de 2008, el estallido de los precios alimentarios mundiales hizo que aumentaran su precio el 50%, lo que dio origen a los «motines del hambre».

Un cataclismo natural se puede imputar a la fatalidad. El vergonzoso e insoportable empobrecimiento de las poblaciones urbanas y rurales de Haití, no.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nuestro papel en la tragedia haitiana

Peter Hallward
The Guardian

Cualquier gran ciudad del mundo habría sufrido daños considerables por un terremoto como el que asoló la capital haitiana en la tarde del martes, pero no es ningún accidente que buena parte de la ciudad de Puerto Príncipe parezca ahora una zona de guerra. Gran parte de la devastación causada por la más reciente y desastrosa calamidad que ha golpeado a Haití se comprende mejor como el resultado de una larga e infame secuencia de acontecimientos históricos causados por el hombre.

El país ya ha tenido que enfrentar más catástrofes de las que en justicia le corresponden. Cientos de personas perecieron en Puerto Príncipe por un terremoto en junio de 1770, y el gigantesco terremoto del 7 de mayo de 1842 pudo matar a 10.000 personas solamente en la ciudad norteña de Cabo Haitiano. Los huracanes golpean a la isla con regularidad, los más recientes en 2004 y 2008; las tormentas del año 2008 inundaron la ciudad de Gonaives y destruyeron la mayor parte de su frágil infraestructura, matando a más de mil personas y destruyendo varios miles de viviendas. La extensión del actual desastre puede que no se conozca hasta dentro de varias semanas. Incluso reparaciones mínimas pueden tardar años en completarse, y el impacto a largo plazo es incalculable.

Sin embargo, lo que ya está bastante claro es que ese impacto será el resultado de un proceso histórico aún más largo de debilitamiento y empobrecimiento deliberado. Haití se suele describir rutinariamente como “el país más pobre del hemisferio occidental”. Esa pobreza es el legado directo del que tal vez haya sido el sistema de explotación colonial más brutal de la historia, agravado por decenios de sistemática opresión poscolonial.

La noble “comunidad internacional” que en estos momentos se prepara con gran estruendo para enviar su “ayuda humanitaria” a Haití es en gran parte responsable de la extensión del sufrimiento que ahora quiere aliviar. Desde la invasión y ocupación norteamericana de 1925, cada tentativa política seria de permitir que el pueblo haitiano pudiera pasar (en la frase del anterior presidente Aristide) “de la miseria absoluta a la pobreza digna”, ha sido bloqueado deliberada y violentamente por el gobierno de EEUU y algunos de sus aliados.

El propio gobierno de Aristide (elegido aproximadamente por el 75% del electorado) fue la última víctima de esa injerencia al ser derrocado en 2004 por un golpe patrocinado internacionalmente en el año 2004, que mató a varios miles de personas y dejó gran parte del país hundida en resentimiento. Las ONU ha mantenido en el país desde entonces una enorme y muy onerosa fuerza militar de pacificación.

Haití es hoy un país donde, según el mejor estudio disponible, cerca de 75% de la población “vive con menos de 2 dólares al día, y el 56% -cuatro millones y medio de personas– vive con menos de 1 dólar diario”. Decenios de “ajuste” neoliberal e intervención neoimperial han despojado al país de cualquier porción significativa de capacidad para invertir en su pueblo o regular su economía. Condiciones punitivas de comercio y financiación internacional garantizan la permanencia, en un futuro previsible, de esa indigencia e impotencia como hechos estructurales de la vida haitiana.

Es exactamente esa pobreza e impotencia lo que explica la extensión del actual horror en Puerto Príncipe. Desde los últimos años de la década de los 70, un implacable asalto neoliberal a la economía agraria de Haití ha obligado a decenas de miles de pequeños agricultores a trasladarse a viviendas informales y deficientes, a menudo encaramadas en las faldas de barrancos deforestados. La selección de la gente que vive en tales lugares no es en si misma más “natural” o accidental que la extensión de las heridas que ha sufrido.

Como indica Brian Concannon, director del Instituto por la Justicia y Democracia en Haití, “esa gente llegó a esos lugares porque ellos o sus padres fueron expulsados intencionadamente de las áreas rurales por políticas de ayuda y de comercio diseñadas específicamente con la intención de crear en las ciudades una fuerza de trabajo cautiva, y por lo tanto fácil de explotar; por definición se trata de gente que no cuenta con los medios para construir casas resistentes a los terremotos”. Entretanto, la infraestructura básica de la ciudad –agua corriente, electricidad, carreteras, etc– permanece deplorablemente inadecuada, a menudo inexistente. La capacidad del gobierno para movilizar cualquier tipo de ayuda contra catástrofes es prácticamente nula.

La comunidad internacional ha gobernado efectivamente Haití desde el golpe de 2004. Los mismos países que ahora alardean con el envío de ayuda de emergencia a Haití han votado sin embargo consistentemente, durante los últimos 5 años, contra cualquier extensión del mandato de la misión de la ONU más allá de sus objetivos estrictamente militares. Propuestas para desviar parte de de estas “inversiones” hacia programas para la reducción de la pobreza o el desarrollo agrario se han bloquedado, en consonancia con las pautas de largo plazo que siguen caracterizando la “ayuda” internacional.

Las mismas tormentas que mataron a tanta gente en 2008 golpearon a Cuba con la misma fuerza, pero aquí dejaron solamente 4 muertos. Cuba ha eludido los peores efectos de las “reforma” neoliberales y su gobierno conserva la capacidad de defender a su pueblo contra los desastres naturales. Si queremos seriamente ayudar a Haití a salir de su última crisis, deberíamos tomar en consideración esos resultados. Juntamente con el envío de ayuda de emergencia, deberíamos preguntarnos qué podemos hacer para favorecer el fortalecimiento de la autodeterminación del pueblo de Haití y sus instituciones públicas. Si queremos en serio ayudar, tenemos que dejar de intentar controlar el gobierno haitiano, pacificar a sus ciudadanos, y explotar su economía. Y luego tendremos que empezar a pagar al menos una parte del destrozo que ya hemos causado.

Crecimiento y cohesión social: los términos del debate

Fernando Luengo
Sin Permiso

El debate sobre la relación que vincula el crecimiento y la cohesión social no es nuevo, pero posiblemente nunca antes como ahora, con la crisis económica internacional, ha alcanzado tanta centralidad.

Un punto de partida obligado para entrar en ese debate es ser consciente de que los mercados no están "vacios", ni están gobernados por leyes o principios invariables. En la economía realmente existente, gobernada por las imperfecciones y los fallos de los mercados, la competencia imperfecta y la información asimétrica, operan actores, tanto privados como públicos, tanto nacionales como transnacionales. Los protagonistas de estos mercados son las grandes corporaciones –productivas, comerciales, financieras-, las coaliciones de firmas y las redes empresariales y los Estados nacionales de las economías ricas.

En torno a estos actores se tejen tramas de intereses y relaciones de poder que constituyen "las manos visibles" de los mercados. Esos intereses y relaciones a veces se expresan abiertamente en el espacio político, y otras veces se configuran de manera opaca, en espacios difusos, muy lejos de los controles democráticos establecidos por los gobiernos o por las sociedades civiles (ello no debe interpretarse necesariamente como que se sitúan en terrenos ilegales).

Así pues, muy lejos de aquellos analistas que imaginan un "campo de juego nivelado", abundan las posiciones jerárquicas y de subordinación que condicionan, en gran medida, los beneficios y los costes de las políticas económicas aplicadas. Desde esta perspectiva, los mercados no se configuran tanto como resultado de la interacción –múltiple y dinámica- de las fuerzas de la oferta y la demanda, sino sobre todo fruto de la interacción de grupos sociales que ocupan posiciones asimétricas.

Desde esta perspectiva, los aspectos concernientes con la distribución del ingreso y la riqueza pasan a ocupar una posición central en un análisis que pretenda dar cuenta de la naturaleza de los procesos económicos. En ningún caso cabe presuponer en ese análisis la presunción de un juego de suma positiva, donde los beneficios superen necesariamente los costes o donde lo recibido por los perdedores les compense de su frágil posición y les mantenga en condiciones de participar activamente en los segmentos dinámicos del tejido productivo.

No se trata sólo ni siquiera fundamentalmente de la existencia de gap temporales, perspectiva habitual de instituciones como el Fondo Monetario Internacional, desfase que se podría reducir, nunca eliminar, si se aplicara el paquete de políticas económicas que podríamos asimilar al conocido (con cierta imprecisión) como consenso de Washington. Se trata, más bien, de la existencia de desequilibrios en las capacidades de negociación y de presión de los diferentes grupos sociales en beneficio de las rentas del capital y de algunos grupos de trabajadores laboral y productivamente bien posicionados; desequilibrios que, antes de la eclosión de la crisis financiera internacional, ya eran claramente visibles en el mundo capitalista desarrollado, también en la Unión Europea, y que parecen ampliarse con el transcurrir del tiempo.

¿Qué papel desempeñan las instituciones o, en términos más generales, el Estado en esta deriva? Buena parte del debate ha permanecido instalado en la existencia de un supuesto antagonismo "Mercado versus Estado". En realidad, se trata de un falso y confuso dilema que apenas ayuda a comprender el capitalismo realmente existente. Los mercados reclaman, de manera insistente, la intervención de las instituciones; la agenda neoliberal exige "Más no menos Estado" (al menos en términos cualitativos). Al mismo tiempo, argumentando una supuesta ineficiencia de los poderes públicos como proveedores de servicios, se desarrollan estrategias y se organizan grupos de presión para convertir en negocio parcelas donde hasta ahora prevalecían criterios sociales (como la salud y la educación). Podría decirse que la globalización, más que expulsar al Estado de la economía, está provocando que los entornos institucionales y las políticas públicas cambien de signo (posiblemente, este efecto sea más importante que el adelgazamiento de los Estados nacionales) y que se contraigan las parcelas sociales ofrecidas por las administraciones públicas.

El corazón del debate no reside tanto en la reducción del peso de los Estados nacionales (aunque en mucho casos también suceda esto) cuanto en las tramas, en la colisión de intereses que orientan sus políticas. Emergerían así nuevos consensos sociales, propiciados por los ganadores de la liberalización y la globalización de los mercados, donde el Estado jugarían un papel subalterno de estos intereses.

Dado el abanico de costes y beneficios, de perdedores y ganadores que sugiere este escenario, cualquier opción de política económica está obligada a proceder a una cuidadosa evaluación de los aspectos distributivos. Dicho cálculo no puede quedar en manos del mercado, dado que, inercialmente o como consecuencia de la actuación de las "manos visibles" que lo dan forma, producirá un reparto desigual de la renta y la riqueza.

Una puntualización final, a modo de conclusión, que va más allá del debate entre crecimiento y cohesión social y que debería ayudar a encuadrar una reflexión -económica, que no economicista- al que estamos emplazados como ciudadanos: Los espacios sociales tienen vida propia, encuentran su justificación y legitimidad más allá de la economía, pues alrededor de la lógica social se generan derechos y capacidades cuyo despliegue hace que la vida de las personas sea digna y creativa.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Chile: Empate técnico mantiene incertidumbre de resultado

Martín Romero
La Nación

Empate técnico a cuatro días de la segunda vuelta entre Eduardo Frei y Sebastián Piñera, es la principal conclusión que dejó la encuesta MORI, único estudio realizado a nivel nacional y en terreno antes del balotaje.

Es así que el margen de error en el sondeo entre los dos candidatos es del tres por ciento, algo que mantiene la incertidumbre respecto del resultado del próximo domingo. Frei presentó un alza considerable en relación a su votación del 13 de diciembre, llegando a marcar en la MORI un 49,1%, mientras que Piñera se mantuvo adelante con un 50,9%.

El estrecho escenario de un 1,8% de distancia entre ambos candidatos -unos 124 mil votos a nivel nacional y 3,7 votos por mesa de votación según los cálculos de la encuestadora- puso al candidato de la Concertación en posición de poder ganar al haber “alcanzado” al abanderado de la derecha.

En opinión de la directora de MORI, Marta Lagos, las cifras demuestran que la campaña de segunda vuelta de Eduardo Frei significó una clara progresión con respecto a la hecha antes del 13 de diciembre. “Estos resultados indican que Frei ha acortado la distancia con Piñera, y que los acontecimientos después del término de la encuesta pueden acortar aún más esa distancia”, explicó. Sin embargo el candidato-empresario, añadió Lagos, “tiene una ventaja que tiene más probabilidades de mantenerse que de anularse”.

La directora de MORI precisó que la encuesta se terminó de realizar a ocho días de la elección, dejando así importantes acontecimientos políticos fuera de la muestra, por lo que “no refleja los cambios que se puedan producir en la última semana de campaña electoral”.

Un aspecto interesante dentro del estudio, al parecer de Lagos, es la importancia política que tiene la dictadura de Augusto Pinochet a la hora de elegir una preferencia. El 70% de los que votaron No en 1988 votarán por Frei, mientras que el 86% de los que eligieron Sí lo harán por Piñera. Este será prácticamente el único sondeo de empresas encuestadoras reconocidas antes del balotaje del domingo próximo.

“Impacto” de votos de Marco Enríquez-Ominami

Una situación particular se vivirá el 17 de enero -según esta predicción electoral- al duplicarse la cifra de los votos nulos y blancos con respecto a la primera vuelta y a la tendencia observada desde 1990. Lagos espera que estos números alcancen el 7%, “constituyendo una fuente de cambio en la última semana de campaña”.

Según este análisis la mayoría de estos votos nulos y blancos son personas que en primera vuelta votaron por Marco Enríquez-Ominami, por lo que el anuncio del ex candidato independiente de apoyar a Frei “podría tener un impacto”.